Duas espanholas repatriadas de campos jihadistas na Síria têm prisão decretada

Um juiz espanhol ordenou, nesta quarta-feira (11), a prisão de duas espanholas repatriadas com 13 crianças de campos de prisioneiros jihadistas na Síria, como suspeitas de "crime de integração em organização terrorista".

Depois de recolher seus depoimentos, o juiz da Audiência Nacional ordenou "a prisão provisória, comunicada e sem fiança" de Luna Fernández e Yolanda Martínez, pelo "crime de integração em organização terrorista", diz o documento, ao qual a AFP teve acesso, e que faz alusão ao Estado Islâmico (EI).

As mulheres chegaram à Espanha acompanhadas de 13 crianças na noite de segunda-feira. Segundo o jornal El País, Martínez tem 37 anos e quatro filhos, enquanto Fernández tem 34 anos e cinco filhos, mas cuidava de quatro órfãos que têm avós em Madri.

O Executivo decidiu permitir o retorno de mais duas mulheres, mas uma delas, marroquina e viúva de um cidadão espanhol, fugiu com os três filhos do campo de prisioneiros e seu paradeiro é desconhecido. E a quarta, segundo El Mundo, não foi localizada no momento da repatriação.

O juiz decidiu manter os direitos parentais das duas mulheres porque, com a prisão, “não há risco potencial de continuar com uma possível doutrinação”, explicou um comunicado judicial.

Ao chegarem à Espanha, as crianças foram confiadas aos serviços sociais da região de Madri, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores.

Milhares de extremistas viajaram da Europa para a Síria para se tornarem jihadistas do EI, às vezes levando suas esposas e filhos.

Após o colapso do chamado califado islâmico em 2019, os governos ocidentais resistiram em facilitar o retorno das famílias dos jihadistas capturados ou mortos na Síria e no Iraque, mas, por fim, países como França, Alemanha, Bélgica, Holanda e agora a Espanha aceitaram repatriá-los.

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