Duas jovens sequestradas pelo Boko Haram são libertadas na Nigéria após oito anos

As tropas nigerianas encontraram duas ex-alunas sequestradas pelos extremistas do grupo Boko Haram há oito anos, anunciaram os militares na terça-feira.

As duas mulheres carregavam bebês no colo quando foram apresentadas pelos militares. Elas foram sequestradas em abril de 2014 pelos extremistas, que raptaram um grupo de 276 estudantes de um colégio feminino em Chibok (nordeste da Nigéria), um crime que provocou indignação internacional.

O major-general Christopher Musa, comandante militar na região, afirmou que as jovens foram encontradas nos dias 12 e 14 de junho em dois locais diferentes.

"Temos muita sorte por conseguirmos recuperar duas das meninas de Chibok", disse Musa.

Das 276 alunas sequestradas, 57 conseguiram escapar ao pular dos veículos pouco depois do crime e outras 80 foram libertadas em uma troca por comandantes presos do Boko Haram após negociações com o governo.

As duas últimas resgatadas são Hauwa Joseph, encontrada ao lado de outros civis em 12 de junho após o desmantelamento de um campo do Boko Haram, e Mary Dauda, encontrada em um vilarejo perto da fronteira com Camarões.

"Eu tinha nove anos quando fui sequestrada de nossa escola em Chibok, me casaram há pouco tempo e tive este filho", disse Hauwa Joseph à imprensa no quartel-general militar.

Seu marido e o sogro morreram em uma operação militar e ela ficou sozinha com o bebê de 14 meses.

"Nós fomos abandonados, ninguém cuidava de nós dois. Não estávamos sendo alimentados", disse.

Milhares de combatentes do Boko Haram e suas famílias se renderam no último ano, em fuga dos bombardeios do governo e dos combates com o grupo extremista rival Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP).

O conflito já provocou mais de 40.000 mortes e deixou 2,2 milhões de deslocados desde 2009.

Dauda, que tinha 18 anos quando foi sequestrada, foi casada diversas vezes com vários combatentes do Boko Haram. "Eles deixavam você passar fome e te agrediam se você não rezasse", explicou.

Ela decidiu fugir e disse ao marido que pretendia visitar outra jovem de Chibok em um vilarejo próximo. Com a ajuda de um idoso que morava no local, Dauda caminhou por várias horas até encontrar as tropas do governo.

"Todas as meninas restantes de Chibok foram casadas e têm filhos. Eu deixei mais de 20 delas em Sambisa", disse. "Estou tão feliz por estar de volta".

Após o sequestro de Chibok, os ataques em escolas executados por grupos extremistas se propagaram pelo nordeste da Nigéria.

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