Quase duas mil artistas suecas denunciam abusos sexuais

A cantora sueca Zara Larsson no MTV Europe Music Awards (EMA) 2017, na Wembley Arena, em Londres, no dia 12 de novembro de 2017

"Quando um músico de talento te estupra, muitos amigos são perdidos", afirmam 1.993 artistas suecas que, nesta sexta-feira (17), denunciaram em uma coletiva de imprensa abusos, agressões e estupros sofridos no mundo da música.

As signatárias incluem estrelas como Zara Larsson e Robyn. Elas se rebelam contra a "cultura do silêncio" em uma indústria na qual o abuso e as agressões são "mais regra que exceção".

"Diretores do mundo da música, é sua responsabilidade que ninguém seja vítima de abuso sexual, e vocês fracassaram", escreveram elas no jornal Dagens Nyheter.

O veículo publica a carta pouco mais de uma semana após 456 atrizes denunciarem o abuso, as agressões e a cultura do silêncio no cinema e no teatro do país escandinavo.

Algumas das atrizes vão se reunir nos dias 19 de 20 de novembro para ler seus depoimentos sobre o assunto.

Reunidos na hashtag #quandoamúsicapara (#närmusikentystnar), relatos anônimos, alguns dos quais sobre estupros, indicam, sem dar nomes, artistas, produtores e agentes de renome da Suécia e do exterior.

"Finjo, como em um filme. Eu acho feio, ele deixa um gosto nojento na minha boca. Perdi a alegria de ter finalmente gravado um álbum. Ele abusou da minha confiança", explica uma cantora.

"Fui agredida por um músico (...) no palco, quando estávamos tocando", lembra outra.

Além delas, 1.300 políticas de direita e esquerda, entre elas várias deputadas, denunciaram nesta sexta-feira as mesmas práticas com a hashtag #nosbastidoresdopoder.

"Nos lançamos na política para mudar o mundo e construir um mundo melhor. Rapidamente, nos demos conta de que primeiro deveríamos mudar o mundo político", escrevem as signatárias do manifesto.

"Tinha 15 anos", relata uma delas. "Fui estuprada por um menino que tinha um cargo no conselho nacional do movimento juvenil. Ele mandou flores para pedir desculpas. Quando escrevi que o que tinha feito era ilegal e que considerava denunciá-lo, ele se dirigiu à junta nacional e falou com seus membros. Eles lhe deram, depois, apoio total".