Duas professoras e duas crianças seguem em estado grave após atentados a escolas em Aracruz (ES)

A Secretaria de Saúde do Espírito Santo informou na manhã deste domingo que três professoras baleadas passaram por cirurgia e seguem em estado grave. Duas crianças, um menino de 11 anos e uma menina de 14, estão em estado "gravíssimo". Uma foi baleada na barriga. A outra, na cabeça e está intubada.

Ontem, uma terceira professora que havia sido operada não resistiu aos ferimentos e morreu. Flávia Amboss Merçon Leonardot tinha 38 anos. No dia dos ataques, a última sexta-feira, outas duas profissionais da educação e uma menina de 12 anos morreram baleadas pelo atirador.

Na noite de sábado, a mãe de Selena Sagrillo, morta dentro da escola privada que foi atacada, divulgou uma carta em que compartilha o sofrimento pela perda da menina e pede amor, piedade e segurança para crianças (leia na íntegra no final da reportagem).

"Sentada em meio ao pequeno caos criativo que era seu quarto, encontrei um texto que [...] dizia: 'Vai ter um dia em que o mundo inteiro vai estar do seu lado, e esse dia é hoje. Eu esperei minha vida inteira. E tudo está bem.' [...] Realmente o dia estava próximo para minha filha", escreveu a mãe. "Que a partida da Selena seja o início de uma nova revolução, assim como ela gostava, mas uma revolução baseada no amor e segurança para nossas crianças de todas as etnias, regionalidade, classe social e crença."

De acordo com a polícia, um adolescente de 16 anos confessou o crime e afirmou que planejava os ataques há dois anos. A motivação ainda é investigada.

Como o crime aconteceu?

Por volta das 9h50, o adolescente, armado, vestindo uma farda camuflada e com o rosto coberto, arrombou o cadeado do portão da escola pública Primo Bitti e foi direto à sala dos professores, onde atirou em professoras. Duas morreram. Depois, ele voltou ao carro e se dirigiu ao segundo colégio, particular, onde também disparou contra quem via pela frente. Uma menina de 11 anos morreu. Ao todo, 11 pessoas ficaram feridas. Ele, então, fugiu com o carro, que estava com a placa encoberta por fitas. Ele seria capturado horas depois.

Onde ele conseguiu a arma?

O garoto usou uma arma que pertence ao pai, que é tenente da Polícia Militar do Espírito Santo. De acordo com as autoridades policiais, ele e a mãe colaboraram para que o filho se entregasse.

Ele confessou o crime?

Sim, segundo a polícia. Ao ser apreendido em casa, o garoto confirmou que realizou os ataques. Disse, também, que planejava o crime há 2 anos, ou seja, quando tinha apenas 14 anos. A polícia ainda investiga a motivação.

Quem são os mortos?

As vítimas são duas professoras, baleadas na escola pública, cenário do primeiro ataque, e uma criança de apenas 11 anos, atingida no segundo colégio, particular. Os nomes não foram divulgados.

E o carro?

Após o crime, o atirador entrou no carro, um Renault Duster dourado, visto por várias testemunhas, e fugiu. A polícia agora já sabe que ele voltou para casa para devolver o veículo, que pertence ao pai. O automóvel chegou a ser apreendido no momento em que o rapaz foi apreendido.

Ele era ex-aluno de alguma das escolas atacadas?

Durante a coletiva de imprensa, o secretário de Educação revelou que o atirador era ex-aluno da escola estadual Primo Bitti. Os pais teriam pedido transferência do rapaz este ano, mas o motivo para esta decisão ainda será esclarecido pelas autoridades.