Dubladora de 'Trolls' reestreia em musical no Rio e diz que dublagem a salvou na pandemia

Luana Santiago
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Depois de uma longa temporada em São Paulo, a peça “Nelson Gonçalves — O amor e o tempo” retorna hoje ao teatro Clara Nunes, na Gávea, onde foi montada pela primeira vez há dois anos. O musical mostra os dois lados do lendário cantor: a emoção, interpretada por Guilherme Logullo, e a razão, vivida pela cantora e atriz Jullie.

— Estou muito feliz com essa volta aos palcos depois de tanto tempo. Foi um rasteira ter que interromper os ensaios no começo do ano passado. A arte sofreu muito nesses últimos meses, então o retorno é um acalento para a alma — celebra a artista de 32 anos, que, embora não tenha perdido ninguém próximo para a Covid-19, enfrentou algumas dificuldades em decorrência da pandemia: — Fiquei uns três meses sem conseguir trabalhar e, por isso, a vida financeira virou uma bagunça. Foi bem complicado.

A situação só não ficou crítica porque Jullie tinha outra fonte de renda durante a quarentena: a dublagem.

— Tive que me adaptar com esse ofício também. Os estúdios adotaram o sistema de home office, mas eu não tinha laptop nem microfone para as gravações, então corri atrás. Até fiz uma cabaninha de edredom e improvisei um estúdio. Foi isso que me salvou, porque nem todo mundo tem um espaço para fazer isso em casa ou tem silêncio suficiente — explica ela.

Desde 2007 no ramo, a cantora dá voz a personagens como Poppy, protagonista de “Trolls 2”, em cartaz nos cinemas, e Sininho, de “Tinker Bell”. Ela ainda dubla figuras conhecidas de séries e games.

— Já são 14 anos na dublagem, mas as pessoas não costumam reconhecer a minha voz com tanta facilidade. Quando acontece, sempre me pedem para eu falar igual às personagens. Às vezes, fazem pedidos para eu mandar áudios de aniversário com a voz da Poppy (personagem de “Trolls”) — conta a atriz.