Duda Beat surge em novo visual em clipe e adianta detalhes do próximo álbum: 'Vou falar de amor sob óticas diferentes'

Eduardo Vanini
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Duda Beat está mais madura. Quem diz isso é a própria cantora e compositora, de 33 anos, que acaba de lançar o single "Meu pisêro", primeiro trabalho de seu aguardado novo álbum. A música, segundo ela, "dita o tom do que vem por aí" no disco, cujo lançamento está previsto para os próximos meses. "Sou uma Duda menos romântica, no sentido de viver aquela dor, se jogar nela, e até romantizá-la", afirma. Mas isso não significa que os fãs da boa e velha sofrência que a consagrou vão ficar desamparados. Duda ainda sofre por amor, "mas também acredita nele e em si mesma".

O disco, incialmente previsto para o ano passado, foi atrasado pela pandemia, situação que tem mexido bastante com a cantora. "Tive, e ainda tenho, muitos momentos de angústia, de ficar mais para baixo com tudo isso", diz. Embora as músicas não falem exatamente das consequências da Covid-19 sobre as nossas vidas, Duda afirma que a interferência foi inevitável. "A pandemia reverberou no meu trabalho, na maneira de fazê-lo. Precisei de um tempo maior para escrever, gravar, ter as ideias e criar."

Na entrevista a seguir, a artista conta sobre o processo criativo do novo álbum e o que mais os fãs podem esperar.

O GLOBO - Como foi a concepção do clipe?DUDA BEAT - A ideia é mostrar todas as etapas que passamos depois que um amor não dá certo. A personagem que interpreto é assombrada pelo amor, por assim dizer. Por isso, muitas das referências de imagem vieram de clássicos de terror e suspense do cinema, como "Poltergeist", "O bebê de Rosemary", e "Suspiria". Mas também tem elementos que trazem um humor para as cenas, para ter esse contraponto, que me atrai muito. A gente é tanta coisa misturada, acho que o clipe passa por aí também. Durante o processo de entendimento do que não deu certo, a minha personagem vai amadurecendo e mostrando isso: tem a faceta magoada, a faceta vilã, a faceta diva! (risos) A mensagem do clipe é o que eu digo na letra: "Eu já sofri demais, já chorei, mas não me entreguei". É isso, a gente não se entrega. A gente sofre, mas dá a volta por cima!

Você aderiu a cores mais sóbrias e modelagens mais justas neste clipe. Como chegaram a essa concepção estética?Amo moda e acredito que comunicamos muito por meio dela. É natural, para mim, que as minhas roupas contassem também essa história da minha mudança, do meu amadurecimento. Acho que nesta nova fase, com "Meu pisêro" e o disco novo que está chegando, sou uma Duda menos romântica, no sentido de viver aquela dor, se jogar nela, e até romantizá-la, mesmo. Neste trabalho, já entendo mais que faz parte do jogo não dar certo e que é possível dar certo e ser feliz também. Vou trazer essa experiência de mais plenitude no amor também. Acho importante, porque ouvimos tanto que a gente aprende na dor, como se só assim fosse possível aprender e se colocar em movimento. Mas, quando a gente se encontra com a gente e fica em paz também, é possível crescer e amadurecer.

Música:Fernanda Abreu fala sobre maternidade, aborto, drogas e chegada aos 60 anosComo tem sido a sua vida artística nessa pandemia?Fiz algumas lives, desenvolvi o projeto #DudaBeatEmCasa, que divulguei no ano passado, e preparei o novo disco. Ter a criação do disco nesse momento me ajudou bastante. Estou muito sensível com tudo o que está acontecendo, assim como tantas outras pessoas estão. É desolador o que estamos vivendo, o descaso que estamos assistindo com a vida das pessoas. Nesses meses todos, houve momentos em que me questionei sobre como criar em meio a isso tudo. Houve momentos em que me senti vazia, desconectada de mim. Mas a arte é poderosa, transforma. No meu caso, ajuda também a dar sentido às coisas. Fui trabalhando no projeto novo e também tentei respeitar o meu tempo, tanto que o lançamento mudou de data. A princípio, seria no ano passado. Mas eu mesma precisei de mais tempo para me entender, para criar e acolhi isso.

Você é conhecida pela alta sensibilidade e franqueza com que fala sobre os seus sentimentos. Quais foram os efeitos psicológicos da pandemia sobre você? Quais foram os momentos mais difíceis?Acho que esse momento de agora é o mais difícil, porque a gente tinha a esperança de que fosse estar melhor do que há um ano, quando o confinamento começou. Mas estamos assistindo a um agravamento da situação. O número de mortos pela Covid-19 está aumentando, não temos um plano sólido de vacinação, ainda lutamos para que as pessoas entendam que é preciso respeitar distanciamento social, que é preciso usar máscara. Um ano de pandemia me fez passar por altos e baixos. Tive, e ainda tenho, muitos momentos de angústia, de ficar mais para baixo com tudo isso. É difícil ter esse entendimento, de que você não está bem, que é preciso parar, respirar, se respeitar. Mas nesse momento é fundamental a gente se acolher, acolher nossas dores para seguirmos em frente.

Entrevista:'Tenho medo de um filho atrapalhar', diz Fabio Porchat sobre sintonia no casamentoEsse momento refletiu, de alguma maneira, sobre as composições que estarão no novo álbum?As composições não falam exatamente sobre a pandemia. Mas a pandemia reverberou no meu trabalho, na maneira de fazê-lo. Precisei de um tempo maior para escrever, gravar, ter as ideias e criar.

O que o clipe e a música lançados neste fim de semana dizem sobre o novo álbum como um todo?"Meu Pisêro" já dita o tom do que vem por aí: uma Duda mais madura, que ainda sofre por amor, mas que também acredita nele e em si mesma e continua reverenciando os sons e os ritmos do Brasil. Com essa música, homenageio o piseiro com aquele toque especial que sempre coloco no meu trabalho. Temos um país muito rico sonoramente. Adoro mostrar essa riqueza cultural para o público.

Perfil:Andrea Beltrão comemora 15 anos do teatro Poeira e critica secretaria especial de Cultura com Mário FriasO que mais pode nos adiantar?O público pode esperar encontrar a sofrência, que já conhece, mas também vou avançar um pouco nisso. O amor continua sendo o meu norte, mas mostro as várias cores que ele tem, inclusive que, quando a gente ama e é correspondido, é bom demais. Mesmo cantando a dor do amor, nunca quis dizer que as pessoas deveriam desistir de amar. Nunca desisti. E hoje, que estou em uma relação que me faz bem, que me acrescenta, que me faz feliz, eu tenho ainda mais certeza de que vale muito a pena apostar no amor.

As faixas para os amantes da "sofrência" estão garantidas, então?Claro! Porque ainda tenho coisas a falar sobre isso. Mas tem coisas além disso também. Vou falar de amor sob óticas diferentes. Tem um amor romântico, o amor maduro, o amor que não deu certo e tudo bem, aquele que deu certo... Vai ter de tudo!