Duda Reis reflete sobre racismo contra Nego do Borel: "Marginalizam a cor"

Lucas Pasin
·2 minuto de leitura
Nego do Borel e Duda Reis (Foto: Reprodução/Instagram @dudareisb)
Nego do Borel e Duda Reis (Foto: Reprodução/Instagram @dudareisb)

Duda Reis usou suas redes sociais nesta sexta-feira (20), Dia da Consciência Negra, para falar sobre o racismo que Nego do Borel sofre constantemente. A atriz disse nunca ter se posicionado tão claramente sobre o tema, mas abriu seu coração em um longo texto.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

"Eu sabia que o racismo existia, sempre soube, porém não sabia que ele era tão real e tão vivo como é. Obviamente eu não sabia, eu não havia nunca saído da minha zona de conforto pra entender isso, mas o Maycon me mostrava e me ensinava, só que na maioria das vezes não precisei ser ensinada, eu só observava. Observava como as pessoas, antes de reconhecerem o Nego do Borel, mudavam de lado na rua, faziam cara feia, seguravam mais a bolsa, puxavam os filhos... até que num supetão, viravam uma chave e se alegravam ao ver e reconhecer o artista, isso vinha acompanhado de “é você? Nossa, não reconheci! Desculpa, somos seus fãs'", escreveu Duda.

Leia também

A atriz continua: "O problema não é esse, o problema é como marginalizam a cor e como já criam um critério de que uma pessoa com cor afrodescendente é bandido(a) e como essas pessoas os tratam e colocam-nos na sociedade".

Duda explica que sempre foi questionada sobre racismo e que não costuma falar do tema: "Sempre fui questionada sobre isso e sempre tentei não me posicionar, até por medo, porque eu vivo aprendendo a cada dia e sei que estou me reconstruindo. Também tento não falar tanto porque não é meu lugar de fala. Eu sou branca, loira, olhos azuis, privilegiada, estudei nas melhores escolas, não vi o crime, não vi o racismo, só tive UM amigo negro na escola (quando criança e ele era bolsista, ele sofreu muito preconceito e hoje eu entendo realmente que essa dor é real). Vocês entendem o que é não crescer com nenhum negro na sua sala? Você já cresce com uma rede neural que “estranha” e já divide as pessoas por cor, as definindo também."

Ela completa: "Não posso me encaixar nisso de que excluí em algum momento pessoas “diferentes” de mim, pelo contrário! Nunca fui igual e sempre quis ser diferente. Lembro que quando eu e Maycon começamos a sair, as pessoas estranhavam, ouvíamos diversos comentários que questionavam nossos sentimentos. Os dele e os meus."