Dupla alagoana domina futevôlei brasileiro e mundial

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Hiltinho e Franklin estão dominando o futevôlei. Foto: Divulgação/WF
Hiltinho e Franklin estão dominando o futevôlei. Foto: Divulgação/WF

Hiltinho, 30, e Franklin, 26, conquistam tantos títulos que, entre as entrevistas e a publicação desta reportagem, foram campeões duas vezes. No fim de novembro, a dupla alagoana conquistou o Mundial de futevôlei e, no dia 12 de dezembro, venceu o Mundialito da modalidade. Eles já eram campeões do TAFC, o principal circuito do Brasil, com duas etapas de antecedência.

A história entre os dois foi interligada pelos bairros de Maceió. Enquanto um vivia no Benedito Bentes, o outro estava no Graciliano Ramos, sempre próximos. Hiltinho se profissionalizou primeiro, enquanto Franklin tentava a carreira como jogador de futebol.

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Em 2009, solidificou-se a amizade: Franklin assistia aos treinamentos de Hiltinho, que eram feitos numa quadra próxima de ambos. Demorariam oito anos para que começassem a competir juntos. Nesse período, Hiltinho foi campeão mundial em 2014 e 2015, mas uma lesão o afastou das quadras. Franklin já havia desistido do futebol, mas praticava futevôlei sem compromisso.

“Muitas vezes ele jogava no bairro onde eu moro e eu sempre admirei. Quando ele jogava lá, eu ficava abusando e ele pegou uma amizade comigo. A bola saía, eu corria para pegar. Ele começou a me dar moral e eu comecei a jogar com ele, nas quadras, e ele viu que eu tinha um pouco de talento para o esporte. Ele arrumava parceiros para eu jogar e eu ia crescendo”, conta Franklin.

Nesse tempo, Franklin foi se destacando dentro do esporte, mas Hiltinho, que morava em São Paulo, sofreu uma lesão e voltou para Maceió para tratar do joelho. Os burburinhos nas quadras diziam que a dupla a ser formada deveria ser entre Hiltinho e Franklin.

“Quando eu tive a lesão, o meu fisioterapeuta disse que eu teria que fazer a cirurgia e eu comecei a chorar. Achava que não iria jogar mais nunca. Fiz a cirurgia, fiz fisioterapeuta nos dois horários, fazia de tudo. Com dois meses, eu estava trotando na esteira e falei ao Franklin: ‘Vamos treinar? Eu te treino’, e fui treinando os meninos”, conta Hiltinho.

Cena comum: Hiltinho e Franklin comemoram. Foto: Divulgação/WF
Cena comum: Hiltinho e Franklin comemoram. Foto: Divulgação/WF

Depois de todo o susto, aquele contato com a bola fazia com que a mente voltasse a funcionar pensando no futevôlei. Com três meses, Franklin disse que Hiltinho deveria voltar a jogar — e aí formariam uma dupla. ‘Vou ficar parado’, disse Hiltinho. ‘Esse cara é doido’, pensavam os amigos.

“Eu tinha medo, então ficava meio mancando. Com cinco meses, tinha uma competição na Bahia e o Franklin me chamou. Era um Norte/Nordeste. ‘Bora pegar ritmo’, ele disse. ‘Bora então’, respondi. Ficamos em terceiro e aí seguimos. Dá medo. Saí da cirurgia de cadeira de rodas, andei de muletas, mas estava conseguindo”, lembra Hiltinho.

Depois dessa lesão e de outras, Hiltinho ganhou um apelido inusitado: Wolverine. ‘Eles dizem que, quando eu volto de uma lesão, eu volto mais forte’, lembrou aos risos. A dupla Franklin-Hiltinho deu certo e engrenou em 2018. Os três anos juntos vêm cravando o nome dos dois na história.

Num esporte como o futevôlei, assim como a maioria das modalidades disputadas no Brasil, os atletas têm de se dividir entre uma rotina puxada de trabalho e de treinos. Hiltinho e Franklin precisam dar aulas e ainda participam de um ‘racha’ fixo, todos os dias da semana. Como as competições são aos fins de semana, eles mal têm descanso.

“Por conta dessa rotina, eu tive uma lesão no ano passado. Isso até nos impediu de conquistar títulos no ano passado, porque perdi competições. De tanto esforço físico, treino, racha… Eu acordo cedo para dar aula. Deveríamos descansar no fim de semana, mas aí competimos. Um tempo atrás, eu saía de casa 7h e voltava só de 22h. Isso vem mudando”, avalia Hiltinho.

Campeões mundiais de futevôlei. Foto: Divulgação/WF
Campeões mundiais de futevôlei. Foto: Divulgação/WF

Os dois jogadores agora vivem em Goiânia, onde o esporte é mais valorizado. Eles vêm a Maceió uma vez por ano, sempre bem recepcionados por amigos, família e torcedores. No fim de 2021, passarão 20 dias na cidade, até que precisem competir novamente.

“Ficamos com muita saudade de ir aí. A última vez que fui foi em fevereiro. Nós jogamos nos divertindo e sempre tem muita festa quando estamos com amigos e família. Já tem competição quando formos embora e aí não para mais. Mas 2022 promete muita coisa, calendário tá recheado. A vida de atleta é isso aí”, complementou Franklin.

Quando chegarem, Franklin e Hiltinho também pretendem fazer um desafio no estado, chamado de ‘Reis de Alagoas’. Até mesmo o Yahoo! Esportes foi convidado a jogar, mas terá de abrir mão da oportunidade.

Títulos da dupla Franklin-Hiltinho

- Bicampeões Alagoano (2017/2019)
- Bicampeões Paraibano (2019/2020)
- Bicampeões Goiano (2019/2021)
- Pentacampeões Brasileiro (2019/2019/2019/2019/2020)
- Bicampeões do Circuito Futevôlei Brasil (2019/2021)
- Bicampeões Pernambucano (2019/2019)
- Bicampeões Baiano (2019/2020)
- Campeões Paranaense (2020)
- Hexacampeões do TAFC (2020/2020/2021/2021/2021/2021)
- Tricampeões do Mikasa Open (2021)
- Campeões Mundiais (2021)
- Mundialito de futevôlei (2021)

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