Dupla brasileira disputa prêmio em festival de fotografia de Arles, no sul da França

© Gal Cipreste Marinelli e Rodrigo Masina Pinheiro

Após dois anos de pandemia, o evento Encontros de Arles volta com programação intensa para celebrar o mundo da fotografia. As artistas brasileiras Gal Cipreste e Rodrigo Masina Pinheiro concorrem ao prêmio descoberta Louis Roederer.

Patrícia Moribe, enviada especial a Arles

Situada na inspiradora e ensolarada região da Provence, a pequena cidade de Arles, conhecida por seus tesouros romanos, como uma arena que é palco de eventos culturais e até, infelizmente, de touradas, se transforma em encruzilhada de imagens vindas de todo o mundo. A 53ª edição do evento fotográfico promete ser caprichada, após dois anos de pandemia, com cancelamento em 2020 e evento limitado em 2021.

A visita a Arles começa já em Paris, na Gare de Lyon, de onde saem os trens para o sul da França. Painéis no exterior da estação dão um aperitivo das atrações do festival, como o trabalho conjunto de Gal Cipreste Marinelli e Rodrigo Masina Pinheiro. A dupla, apresentada pelo Ateliê Oriente, do Rio de Janeiro, concorre ao prêmio descoberta Louis Roederer e usa a imagem como resistência ao preconceito e questionamentos sobre gênero.

São mais de 40 exposições espalhadas pela cidade, além de outras 15 na região. As imagens vêm do mundo todo, em todas as suas declinações – do papel à performance -, realizadas por profissionais consagrados, emergentes e talentos promissores.

Olhar feminino e feminista

As mulheres continuam reivindicando e conquistando um espaço maior no mundo da fotografia, frequentemente denunciado como um “clube do Bolinha”. Nesta edição dos Encontros, elas têm presença garantida.

Um dos destaques tem como tema o percurso vibrante e histórico da americana Lee Miller (1907-1977), que começou como modelo, foi musa do surrealista Man Ray e fotógrafa de guerra – ela documentou a liberação de campos de concentração como Dachau e Buchenwald, na Alemanha.

“Uma vanguarda feminista dos anos 1970” traz mais de 200 obras de 71 artistas – entre elas, Cindy Sherman, Ana Mandieta e Francesca Woodman - da coleção Verbund, de Viena. As imagens denunciam o sexismo e a estrutura do poder patriarcal na sociedade vigente.

Arles também traz olhares contemporâneos que documentam e/ou experimentam imagens e performances, como o trabalho de Babette Mangolte, que acompanhou de perto o efervescente mundo da dança na Nova York dos anos 1970-1980, de coreógrafas como Lucinda Childs e Trisha Brown.

Ecos da Ucrânia

Em tempos de uma nova guerra na Europa, a realidade crua do fotojornalismo também está em Arles, com um apanhado de 160 anos de fotos das organizações humanitárias Cruz Vermelha e Crescente Vermelho, mostrando a importância da fotografia como testemunha ocular da história.

As imagens são tanto de anônimos quanto de representantes míticos da agência Magnum, como Robert Capa, Susan Meiselas ou Henri Cartier-Bresson.

As exposições da 53ª edição dos Encontros de Arles podem ser visitadas até 25 de setembro de 2022.

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