Durante pandemia, Brasil caiu quatro posições no ranking de liberdade de imprensa

Anita Efraim
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Brazil Minister of Foreign Affairs Ernesto Henrique Fraga Araujo speaks to reporters after addressing the Organization of American States (OAS) on February 6, 2020 in Washington,DC. (Photo by MANDEL NGAN / AFP) (Photo by MANDEL NGAN/AFP via Getty Images)
Brasil caiu quatro posições no ranking em relação à 2020 (Foto: Mandel Ngan/AFP via Getty Images)
  • Brasil caiu no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, feito pela ONG Repórteres sem Froteira

  • País ocupa a posição de número 111

  • Levantamento explica que incentivo do presidente Jair Bolsonaro a medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid colaborou para queda no ranking

Durante a pandemia de covid-19, o Brasil caiu quatro posições no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, elaborado pela ONG Repórteres Sem Fronteira (RSF). Entre os 180 países avaliados, o Brasil é o 111º.

De acordo com a organização, um dos motivos para essa queda foi a insistência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em promover supostos medicamentos contra a covid-19. No entanto, a eficácia de alguns remédios nunca foi comprovada, enquanto outros são comprovadamente ineficazes.

A hidroxicloroquina, por exemplo, faz parte do chamado “tratamento precoce”, incentivado por Bolsonaro ao longo de toda a pandemia. Segundo um estudo publicado na revista Nature, o medicamento aumenta a mortalidade em pacientes com covid-19.

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Na análise, a atitude de Bolsonaro é comparada a de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, que ocupa o 148º lugar no ranking do Repórteres Sem Fronteira. O relatório, por outro lado, elogia o material produzido pela Agência Pública, que ajudam a combater a desinformação no Brasil. Na Venezuela, a esperança está nos últimos jornais independentes que ainda existem no país.

“O jornalismo é a melhor vacina contra a desinformação”, declarou o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire. "Infelizmente, sua produção e circulação são frequentemente cerceadas por fatores políticos, econômicos, tecnológicos e, às vezes, até culturais. Diante da viralização da desinformação além-fronteiras, nas plataformas digitais e nas redes sociais, o jornalismo é a principal garantia de um debate público fundamentado numa diversidade de fatos verificados.”

Cenário geral da liberdade de imprensa no mundo

Entre os 180 países avaliados, em 130 o jornalismo está cerceado. Segundo o relatório do RSF, “uma situação ótima ou, pelo menos, muito satisfatória do exercício do jornalismo, nunca esteve tão reduzida”.

Apenas 12 países, 7% dos avaliados, proporcionam um ambiente favorável à informação.

Primeiros colocados no ranking

Pelo quinto ano seguido, a Noruega ocupa o primeiro lugar no ranking de liberdade de imprensa. Mesmo assim, os meios de comunicação noruegueses destacam que faltam informações públicas sobre a pandemia. Os países nórdicos são os melhores colocados:

  • 1º Noruega

  • 2º Finlândia

  • 3º Suécia

  • 4º Dinamarca