Duterte diz que vai se retirar da política nas Filipinas, mas deixa alguns céticos

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Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte.
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Por Karen Lema

MANILA (Reuters) - O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, disse neste sábado que está se aposentando da política, um movimento surpresa que alimentou especulações de que ele poderia abrir caminho para uma candidatura de sua filha.

Sara Duterte-Carpio, prefeita de Davao, a terceira maior cidade das Filipinas, entrou com um pedido no sábado para reeleição. Ela havia dito antes que não concorreria a um cargo nacional no ano que vem.

"Hoje, anuncio minha aposentadoria da política", disse Duterte enquanto acompanhava seu aliado senador Christopher "Bong" Go, do partido governista PDP-Laban, para registrar a candidatura de Go a vice-presidente na eleição do próximo ano.

Mas analistas políticos estão céticos, observando que mudanças de última hora ainda são possíveis, como em 2015, quando Duterte entrou na corrida para as eleições presidenciais perto do fim do prazo e venceu por uma margem enorme.

Esperava-se que Duterte, de 76 anos, concorresse a um segundo mandato, plano que a maioria dos filipinos se opõe por violar o espírito da constituição, que estabelece o limite de um mandato para o presidente impedir o abuso de poder.

"Em obediência à vontade do povo, que afinal me colocou na presidência há muitos anos, agora digo aos meus compatriotas, seguirei seu desejo", disse Duterte.

Analistas dizem que é crucial para Duterte ter um sucessor leal para isolá-lo de uma possível ação legal sobre os milhares de assassinatos no Estado em sua guerra contra as drogas.

"Eu veria seu anúncio com muito cuidado", disse à Reuters Carlos Conde, pesquisador filipino da Human Rights Watch. "Mas presumindo que ele realmente se aposentará, isso não significa que não receberá a proteção que tanto deseja."

Duterte, famoso por abraçar a China e desprezar os Estados Unidos, continua popular, embora seus oponentes o acusem de ser autoritário e intolerante com a dissidência.

As autoridades mataram mais de 6.100 supostos traficantes e usuários de drogas desde que Duterte assumiu o cargo em junho de 2016. Grupos de direitos humanos dizem que a polícia executou sumariamente suspeitos, o que a polícia nega, dizendo que eles agiram em legítima defesa durante as operações.

Mais de 60 milhões de filipinos vão votar em maio para um novo presidente, vice-presidente e mais de 18 mil parlamentares e funcionários do governo local.

Observadores políticos há muito suspeitavam que Duterte poderia causar uma surpresa, como uma candidatura presidencial de sua filha no ano que vem.

Duterte-Carpio liderou pesquisas de opinião sobre candidatos em potencial, mas disse no mês passado que não seria candidata a um cargo mais alto ano porque ela e seu pai concordaram que apenas um deles concorreria a um cargo nacional em 2022.

A decisão do Duterte mais velho de não participar da corrida no próximo ano abriria seu caminho.

Os candidatos têm até sexta-feira para se inscrever, mas retiradas e substituições são permitidas até 15 de novembro.

((Tradução Redação São Paulo))

REUTERS AAP

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