É falso que peritos federais comprovaram fraude nas urnas eletrônicas

Urna eletrônica sendo preparada para o segundo turno das eleições em 30 de outubro, em Brasília, em 19 de outubro de 2022. Nas redes, usuários seguem espalhando boatos sobre fraude nas urnas (Foto: AFP via Getty Images / Evaristo Sa)
Urna eletrônica sendo preparada para o segundo turno das eleições em 30 de outubro, em Brasília, em 19 de outubro de 2022. Nas redes, usuários seguem espalhando boatos sobre fraude nas urnas (Foto: AFP via Getty Images / Evaristo Sa)

Um vídeo de um advogado fazendo uma sustentação oral no STF (Supremo Tribunal Federal) representando a APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais) circula nas redes sociais. Segundo usuários, os peritos federais teriam supostamente comprovado uma fraude nas urnas.

O vídeo, contudo, é antigo, de 2018 e nele não há qualquer comprovação fraudes eleitoral.

Captura de tela de um vídeo antigo que circula fora de contexto como se mostrasse a APCF estivesse comprovando alguma fraude nas urnas (Foto: Facebook / Reprodução)
Captura de tela de um vídeo antigo que circula fora de contexto como se mostrasse a APCF estivesse comprovando alguma fraude nas urnas (Foto: Facebook / Reprodução)

A APCF e a APCF Sindical desmentiram o boato em seu site. Eles também negaram ter comprovado ao STF qualquer violação às urnas.

As instituições repudiaram as tentativas de associá-las a conspirações sobre fraudes e reforçaram a sua confiança nos equipamentos de votação. "O voto eletrônico trouxe importantes benefícios e afastou os riscos de fraude decorrentes do voto em cédula", destacaram.

O vídeo mostra o advogado Alberto Emanuel Albertin Malta representando a APCF Sindical em um julgamento no STF em 2018. Nele, Malta solicita mudanças no sistema eleitoral. Em nenhum momento, contudo, ele falou sobre supostas provas de fraudes ao sistema eleitoral.

Há indícios de fraudes?

É falso que qualquer fraude nas urnas tenha sido comprovada. Ao contrário, instituições que atuaram como observadores nas eleições brasileiras reforçaram a confiabilidade do sistema.

Uma delas foi a Uniore (Missão da União Interamericana de Organismos Eleitorais), que não identificou maiores problemas no funcionamento das urnas e considerou a eleição brasileira e a jurisprudência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no combate à desinformação como exemplar para a América Latina. A Uniore também classificou as medidas adotadas pela Justiça Eleitoral para a resolução dos problemas que surgiram como democráticas.

De maneira semelhante, a Rojae-CPLP (Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) publicou um relatório preliminar em que observa que a utilização de meios eletrônicos de votação "revelou-se segura, confiável e credível" e concluiu que as eleições brasileiras foram "livres, justas e democráticas". Em relação à campanha eleitoral, a Rede ressaltou a "atitude positiva" do TSE "ao agir em tempo oportuno nas situações que se colocaram no decurso da campanha eleitoral por parte de qualquer dos dois candidatos presidenciais".

O International IDEA (Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral) – que igualmente atuou como observador no Brasil – publicou que a democracia brasileira se fortaleceu com o processo eleitoral. "O TSE conduziu o processo com imparcialidade em relação às diferentes forças políticas [...]. No mesmo sentido, a urna eletrônica no Brasil mais uma vez provou sua confiabilidade". O International IDEA classificou os ataques ao funcionamento das urnas como controvérsias "desnecessárias".

O TCU (Tribunal de Contas da União), que realizou uma auditoria do sistema eletrônico de votação, analisou os boletins de urna do segundo turno e não identificou qualquer divergência nos mais de 5 milhões de informações comparadas.

Conteúdo semelhante foi verificado pelo Aos Fatos.