É falso que votos dos eleitores "vão para as nuvens"

Funcionários do Tribunal de Regional Eleitoral do Amazonas selam urnas eletrônicas em Manaus, em 3 de outubro de 2018 (Foto: Reuters / Bruno Kelly)
Funcionários do Tribunal de Regional Eleitoral do Amazonas selam urnas eletrônicas em Manaus, em 3 de outubro de 2018 (Foto: Reuters / Bruno Kelly)
  • Usuários compartilham vídeo de uma coletiva de imprensa do TSE e afirmam que votos são armazenados em "nuvens"

  • Em um momento, um servidor do tribunal menciona o termo "nuvem computacional"

  • A fala, no entanto, foi distorcida nas redes para afirmar que os votos dos eleitores são armazenados em nuvens de dados

Postagens com centenas de interações compartilham nas redes sociais um vídeo de uma coletiva de imprensa do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Usuários afirmam, com base na gravação viral, que os votos são armazenados pelo TSE em "nuvens". Contudo, essa informação é falsa. De acordo com o tribunal, o armazenamento e a totalização são feitos em um computador físico.

Captura de tela de um vídeo tirado de contexto por usuários para afirmar que os votos são armazenados pelo TSE em nuvens (Foto: Facebook / Reprodução)
Captura de tela de um vídeo tirado de contexto por usuários para afirmar que os votos são armazenados pelo TSE em nuvens (Foto: Facebook / Reprodução)

Totalização de votos pelo TSE

Nas eleições municipais de 2020, houve uma falha em processadores do supercomputador que totaliza os votos das urnas eletrônicas, o que provocou uma lentidão no processo.

Em uma coletiva naquele ano, um jornalista perguntou ao ministro do STF e presidente do TSE à época, Luís Roberto Barroso, quem fazia a manutenção do supercomputador utilizado para totalizar os votos nas eleições.

O então secretário de tecnologia da informação, Giuseppe Janino, foi chamado para responder à questão. Ele explicou que o supercomputador "é instalado por meio de um serviço. Ele faz justamente esse papel da nuvem computacional. Ou seja, é um supercomputador que é contratado por uma empresa, no caso é a Oracle, ela instala esse computador e mantém ele em funcionamento".

O termo "nuvem computacional" se refere ao fornecimento, sob demanda, de serviços de computação por uma rede de comunicação, como servidores, armazenamento de arquivos, bancos de dados, dentre outros.

A informação de que os votos são armazenados e totalizados por meio de nuvens de dados, portanto, é falsa, como já explicado pelo TSE em nota:

"O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclarece ser falsa a informação que circula em redes sociais afirmando que o supercomputador empregado para totalizar os votos na eleição, ou seja, que soma os votos enviados por todo o país, é um serviço de nuvem".

De acordo com o tribunal, a contratação do serviço “Cloud at Customer” naquele ano, se tratou da cessão pela empresa Oracle, por quatro anos, de dois computadores, utilizados na totalização dos votos.

O TSE já explicou também em outras oportunidades que dados sobre a votação não circulam de forma aberta na internet: "Todas as informações relativas às eleições circulam numa rede privativa, que é toda controlada pelo TSE e à qual apenas pessoas e sistemas autorizados têm acesso".

Dilma Rousseff e a "nuvem"

O vídeo viralizado mescla também trechos de uma entrevista em que a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) falou sobre "nuvem de dados". No entanto, a conversa ocorreu em 2016 – quatro anos antes da coletiva de imprensa do TSE – e não tem relação com o assunto.

Na ocasião, Dilma se referiu às informações supostamente acessadas pela operação Lava-Jato por meio de uma nuvem de dados que armazenava mensagens trocadas por e-mail, e não à totalização de votos.

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