E-mails mostram que governo federal ignorou dez ofertas da Pfizer sobre vacinas em um mês, diz jornal

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E-mails da Pfizer entregues à CPI da Covid mostram que o governo federal ignorou ofertas de vacinas contra a Covid-19. Os documentos são sigilosos e foram revelados pelo jornal "Folha de S.Paulo". De acordo com a reportagem, foram ao menos dez e-mails entre 14 de agosto e 12 de setembro de 2020 cobrando uma resposta formal do governo.

Os primeiros, em agosto, não foram respondidos e, por isso, uma representante da Pfzier telefonou para uma servidora do Ministério da Saúde. A ligação caiu e não foi possível retomá-la. Assim, foi mandada nova mensagem pedindo para confirmar o recebimento dos e-mails. Novos e-mails ainda seriam enviados depois disso.

Sem reposta do governo, a Pfizer enviou em 12 de setembro uma carta ao presidente Jair Bolsonaro e outros integrantes do governo federal. Segundo o ex-secretário de Comunicação Social do Planalto Fábio Wajngarten, esse documento também ficou sem resposta por dois meses, quando ele próprio tomou conhecimento dele.

No depoimento dado à CPI na semana passada, Carlos Murillo, executivo da Pfizer disse que todas as ofertas da empresa foram formalizadas e enviadas por e-mail para o Ministério da Saúde. No mês de agosto, segundo ele, foram três ofertas diferentes, tanto de 30 milhões como de 70 milhões de doses.

A cada nova oferta, antecipava um pouco mais a entrega de parte dos lotes. As primeiras, por exemplos, previam 500 mil doses em 2020 e 1,5 milhão no primeiro trimestre de 2021. A última delas falava em 1,5 milhão de doses já em 2020 e outras 3 milhões nos três primeiros meses de 2021. Seriam 4,5 milhões de doses a mais ao programa de vacinação brasileiro, algo que para ser concretizado também dependeria de outros fatores, como o registro na Agência Nacional e Vigilância Sanitária (Anvisa).

Murillo relatou ainda que, após as tentativas frustradas de agosto, houve nova oferta de 70 milhões de doses em novembro. Segundo os e-mails obtidos pela "Folha de S.Paulo", o governo fez uma contraproposta em dezembro.

Finalmente, em fevereiro de 2021, foi feita a oferta de um contrato de 100 milhões de doses, que seria fechada. Depois disso, o governo federal fechou mais um segundo contrato de 100 milhões de doses.

Na última quarta-feira, em seu depoimento na CPI, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello disse que a oferta da empresa não previa transferência de tecnologia para o Brasil. Afirmou também que o contrato tinha "cinco cláusulas que eram assustadoras": o uso de ativos brasileiros no exterior como garantia; a transferência do foro para resolver disputas para Nova York; pagamento adiantado; assinatura do contrato pelo presidente da República; e não previsão de multa por atraso na entrega.

— Ouvir isso na primeira vez, eu achei muito estranho, muito estranho — disse Pazuello, acrescentando: — Uma vacina três vezes mais cara, com todas essas cláusulas, e quantitativos que eram inferiores ao que estávamos negociando, e condições logísticas de 80 graus negativos, e logística sob nossa responsabilidade: "o problema é de vocês".

Depois disse que respondeu sim a Pfizer.

— Respondemos inúmeras vezes. De agosto a dezembro. Eu tenho todas a comunicações da Pfizer — afirmou Pazuello, acrescentando que ira encaminhar a documentação à CPI.

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