É o fim da blogueira padrão? Novos "gurus" de moda e beleza são aqueles que sequer eram representados

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Letticia Munniz (Foto: Vanessa Carvalho/AgNews)
Letticia Munniz (Foto: Vanessa Carvalho/AgNews)

Até 2015, entre outras características, blogueira de moda e beleza tinha cor (branca), corpo (magro), cabelo (liso, preferencialmente loiro) e idade (menos de 30 anos) bem definidos. Ganhar notoriedade e fazer dinheiro nas redes sociais era apenas um sonho distante para quem estava fora desse perfil. Mas, felizmente, alguns se arriscaram mesmo assim.

Com o tempo e muito trabalho (lê-se criatividade e assiduidade em suas respectivas plataformas), esses microinfluencers cresceram — muito pelo apoio daqueles que até então não se viam representados — e começamos a ver com mais frequência, por exemplo, homens e pessoas de gênero fluido produzindo conteúdo de maquiagem, mulheres negras falando das particularidades das crespas e cacheadas, gordos compartilhando dicas de estilo e por aí vai.

Hoje, estamos em um momento em que as resenhas de cosméticos de Adam Mitch acumulam milhões de visualizações no TikTok, Letticia Munniz é disputada por inúmeras marcas de roupa e aparece em publicações como Vogue e Glamour e Nátaly Neri e Vânia Goy se tornaram autoridades quando o assunto é autocuidado. Isso sem mencionar Gabi Oliveira (Seda), Pequena Lô (Shein) e tantos outros que fecharam parcerias grandiosas recentemente. “Esse movimento ajuda a quebrar estigmas e mostra que todos podem se destacar na internet. É algo muito inspirador e importante”, comenta Fatima Pissarra, CEO da Music2/Mynd.

Além do fato de as primeiras grandes blogueiras terem atualizado o status para empresárias e estarem à frente das próprias marcas, o que mudou seu comportamento on-line e limitou as possibilidades em termos de publicidade, o aprofundamento no debate a respeito do preconceito (racismo, machismo, homofobia...) e dos padrões de beleza foi determinante para essa revolução no segmento. “Ainda temos muito a evoluir, mas, agora, há uma preocupação bem maior por parte das empresas em ter diversidade nos castings e até no quadro de funcionários, no criativo e em outras posições de poder. Com isso, essa mudança de discurso se tornou e ainda é tendência”, avalia Vera Kopp, CEO da inCast.

Fatima aproveita para destacar a necessidade de que esse discurso não se restrinja às redes. “Não adianta contratar influencers pretos e não garantir que esse público tenha uma boa experiência nas lojas. Não adianta contratar influencers gordas e não ser mais inclusivo no tamanho das peças”, destaca ela, que acredita que todos só têm a ganhar com esse tipo de atitude. “São pessoas com um poder real de consumo. Já vi influencers mais velhas convertendo mais em vendas do que jovens que entregam o dobro de engajamento”, completa.

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