E se toda a cúpula política americana morresse de uma só vez, quem assumiria?

Pixabay

O cenário é o capitólio dos Estados Unidos. Imagine que houve uma grande explosão durante um importante evento. Não há sobreviventes. O presidente e toda a nata política que poderia sucedê-lo por lei estão mortos. É quando uma figura oculta assume imediatamente a presidência do país, o sobrevivente designado, que por motivos de segurança não participava do evento.

Parece cena de ficcção e pode-se dizer, sem risco de spoiler, que é justamente o que acontece logo no inicio do seriado da ABC, Sobrevivente Designado, estrelado por Kiefer Sutherland. Mas a ideia dessa figura vai muito além das telas. É a realidade que serve de ficção.

Caso aconteça nos EUA um ataque terrorista de proporções gigantescas que elimine de uma só vez o presidente, seu vice, os principais ministros, além da cúpula do Congresso e a Suprema Corte, o sobrevivente designado assumiria a presidência interina. Na posse de Trump, por exemplo, o sucessor designado foi o senador Orrin Hatch, eleito pelo Estado de Utah. O nome só foi revelado depois da cerimônia.

Um pouco de paranóia não faz mal a ninguém

De acordo com o Washington Post, o protocolo foi iniciado durante o período da guerra fria, em 1960, quando os EUA acreditava que a União Soviética poderia acabar com o governo americano com um ataque nuclear no momento em que todos os líderes políticos do país estivessem reunidos, o que poderia acontecer durante o discurso anual que o presidente faz no capitólio, conhecido por “Estado da União”, por exemplo.

Até 2001 o protocolo era um mero ato simbólico, mas com os ataques simultâneos às Torres Gêmeas e ao Pentágono em 11 de setembro, a medida passou a ser tomada com mais seriedade. Hoje o sobrevivente designado tem o mesmo nível de segurança que o presidente durante os períodos específicos.

Devido ao caráter secreto da função, não há muitos detalhes divulgados, apenas que o eleito precisa ter mais que 35 anos e ter nascido nos EUA. Essa pessoa só poderia assumir realmente caso nenhum outro político com cargo mais alto na escala sucessora tivesse sobrevivido. Em 2010, por exemplo, a então secretária de Estado Hillary Clinton estava em Londres no momento da cerimônia do Estado da União. Mas como a sua localização era pública, houve um sobrevivente designado de ranking mais baixo. Se ambos sobrevivessem a um possível atentado, Clinton seria a nova presidente interina.

Há pouco tempo, os EUA passaram a ter um segundo sobrevivente designado entre deputados e senadores, assim como no seriado. Em teoria, a missão dessa figura é ajudar seu par a reconstruir a estrutura política do país. Já aqui no Brasil, talvez por falta de ameaça externa ou histórico de paranóia, o caso é que não existe precaução similar.

Separadas por uma linha tênue

Quando falamos da série que leva o nome do cargo, realidade e ficcção começam a se distinguir a partir do fato de que nunca na história do governo americano um sobrevivente designado tenha assumdo. E se tal tragédia acontecesse, o futuro presidente não assistiria à explosão pela janela, como mostra a série, estaria em um local secreto afastado do capitólio.

O seriado que tem sido comparado com House of Cards e Homeland estreou nos EUA dia 21 de setembro de 2016 pela rede ABC e logo em seguida mundialmente pela Netflix, que comprou os direitos para reprodução. Depois de um hiato de três meses a produção volta às telas semanalmente para encerrar a essa primeira temporada, que vai até o 22º episódio.

Por Gislene Trindade