"É Show ou é Fria": quarta semana de abril (20 a 26)

Regis Tadeu

TURMA DO PAGODE

20 – Audio – São Paulo

Quem se importa com mais um dos 3.769 grupos de “pagode chifrudo” que existem por aí? Quem se importa com um grupo que só sabe cantar “lelelê”, “laialaiá” e mais um monte de letras ginasiais a respeito de dor do corno? Eu não. E você?

 

ALEXANDRE PIRES

20 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Só tem uma coisa que é tão ruim quanto esse “pagode xexelento” que anda por aí: é alguém que faz um “pagode xexelento” ainda mais romântico e travestido de uma “classe” tão verdadeira quanto uma nota de R$ 30. Assim é um show do ex-vocalista do Só Pra Contrariar, um negócio tão açucarado que, para evitar acidentes, deveria ter um detector de diabéticos na porta do show. Deus me livre!

 

HAMILTON DE HOLANDA

20 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Um dos mais extraordinários instrumentistas da nova geração, ele deu ao bandolim uma linguagem absolutamente nova, quase revolucionária, a ponto de estabelecer uma até então inesperada ponte entre o chorinho e o jazz. Aqui ele mostra um show batizado como “Baile do Almeidinha”, no qual mostra suas habilidades interpretando forrós, sambas, frevo, choros, xotes e outros ritmos brasileiros. É um show indispensável para quem quer fugir do comodismo musical que impera nos dias de hoje.

MARCOS & BELUTTI

20 – Teatro Guaíra – Curitiba

O que posso escrever a respeito de mais uma das 2.764 duplas que cantam músicas horríveis a respeito do velho papinho “vou sair na balada e me dar”, “você jurou que ia me amar para sempre” e outras bobagens que só emocionam quem tem guardanapo mofado no lugar do cérebro. Por que o Brasil precisa de mais uma dupla “sertaneja” que só chega perto de um cavalo quando vai levar os filhos para andar em carrossel de parquinho de diversões? Fique em casa que você ganha mais…

 

INOCENTES

21 – SESC Interlagos – São Paulo

Esta ótima – e subestimadíssima banda – está comemorando três décadas de existência e evidentemente, vai transparecer tal celebração em cada canção que apresentar. E se tem algo em que estes caras são bons e na hora de elaborar seu repertório para shows: é uma pedrada atrás da outra. Não perca isto de forma alguma!

RAIMUNDOS

21 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Contra quase todos os prognósticos, o grupo segue firme e fazendo bons shows, em que o clima de animação adolescente e porra-louca continua intacto. É claro que é um show para quem tem idade mental inferior a 15 anos, mas isto está longe de ser defeito para quem faz este tipo de som…

 

ALICE CAYMMI

21 – SESC Santana – São Paulo

Da doçura da família Caymmi a Alice não tem nada. Sua voz é repleta de uma intensidade quase agressiva e a sua marcante presença de palco faz com que suas boas canções ganhem um atrativo a mais. O som é pop, mas não é babaca. Ótima pedida, principalmente para quem não a conhece.

FLÁVIO VENTURINI

21 a 23 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Dando um tempo nas apresentações do redivivo grupo O Terço, o tecladista retoma sua carreira solo promovendo o lançamento de seu mais recente trabalho, o fraco Venturini, mostrando pífias canções inéditas e horrorosas revisitações de antigos hits como “Todo Azul do Mar” e “Até Outro Dia”. Para piorar, ele fez versões para canções de Edith Piaf e Lokua Kanza que deixariam seus autores envergonhados. Quer ir assim mesmo? Depois não diga que não avisei…

 

RAEL

21 a 23 – SESC Pinheiros – São Paulo

Um dos nomes mais interessantes da moderna cena do hip hop nacional, ele vai mostrar algumas de suas novas canções, incluídas no álbum Coisas do Meu Imaginário, e alguns sons mais antigos, todos colocados por sobre bases rítmicas bem sacadas. Vale a pena dar uma arriscada…

 

MICHEL TELÓ

21 a 23 – Tom Brasil – São Paulo

Sem comentários. É um troço tão ruim e falso que nem dá vontade de meter o pau. Simplesmente ignore. Prefiro nem comentar para não passar nervoso…

 

MARIA GADÚ

22 – Cine Joia – São Paulo

Erroneamente chamada de “a nova Cássia Eller”, ela faz aquele tipo de som bem quadradinho, asséptico, sem risco, ideal para quem idolatra o Ivan Lins. O show costuma ter uma dinâmica meio arrastada e chega a dar sono em determinados momentos, pois fica a impressão de que ela passa o tempo inteiro cantando uma mesma música. Talvez as coisas mudem um pouco agora depois de ter lançado o álbum, Guelã – leia minha opinião a respeito dele aqui -, e prometeu que não irá mais incluir a pavorosa “Shimbalaiê” em suas apresentações. Vá por sua conta e risco…

VICTOR & LEO

22 – Espaço das Américas – São Paulo

A dupla infelizmente caiu dentro das armadilhas do ridículo mundo sertanejo, abandonando o forte acento pop/folk que os diferenciava dos “Brunos & Marrones da vida”, já que colocavam disfarçadamente em seu som elementos de grandes nomes como Neil Young e Bruce Springsteen, o que obviamente passava despercebido da parte de seu público retardado. Com isto, as letras que versam sobre o romantismo “dor-de-corno” caíram ainda mais de qualidade, as harmonias e melodias empobreceram consideravelmente e tudo agora mergulhou em um oceano de mediocridade. Pena…

 

“O GRANDE ENCONTRO” com ALCEU VALENÇA, ELBA RAMALHO & GERALDO AZEVEDO

22 – concha acústica do Teatro Castro Alves – Salvador

Quando três velhos parceiros de composição resolvem mostrar suas criações juntos, o resultado é um repertório com músicas belíssimas e um daqueles shows que resgatam aquilo que anda em falta na MPB hoje em dia: poesia. Boa pedida!

 

EDSON CORDEIRO

22 e 23 – SESC Santana – São Paulo

Que ele sempre foi um dos sujeitos mais chatos e pretensiosos da história da música brasileira, pouca gente duvida, mas o que ninguém esperava era que o “gorjeador” resolvesse sair de seu exílio europeu e voltasse atazanar nossos ouvidos com canções que remetem a… pássaros! Acompanhado do pianista Antônio Vaz Lemes, ele torturou plateias com novas músicas e versões “Asa Branca”, “Assum Preto” e “Azulão”. Não contente com isso, ele agora trata de investir na área do… fado! Sim, o fado português! Gravou até um disco na ‘terrinha’. E avisou que vai cantar também canções de seu “passado disco operístico”.   Fujam para as montanhas!

 

RODRIGO NASSIF QUARTETO

23SESC Belenzinho – São Paulo

Este ótimo violonista e seu grupo fazem um dos sons mais legais da atualidade, misturando sonoridades tradicionais gaúchas como milonga, chamamé e até tango com uma forte pegada jazzística. É música instrumental de primeiríssima qualidade. Vá e se surpreenda!

EVANESCENCE

22 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

23 – Espaço das Américas – São Paulo

A banda liderada pela carismática vocalista/pianista Amy Lee é um dos troços mais maquiavelicamente engendrado para cativar meninas metidas a ‘vampirinhas’ retardadas e ansiosas por seu príncipe de caninos afiados/protuberantes, e também de ‘zé manés’ que pensam que são a encarnação do “Edward do Crepúsculo”, só que com roupas pretas mofadas. É um programa típico de quem tem miolo mole…

 

KORN

23 – Pepsi On Stage – Porto Alegre

Tudo bem, você pode até manter a ojeriza contra aquele troço que foi batizado como “nu metal”, mas se não assistir a esse show, vai deixar passar uma ótima oportunidade de ver uma banda afiadíssima em cima do palco. Os caras arrebentam ao vivo, com uma consistência sonora espantosa – preste atenção especial ao monstruoso baterista Ray Luzier! Se deixar de lado o preconceito, você vai se divertir muito, ainda mais porque o baixista nesta apresentação será Tye, filho do Robert Trujillo, do Metallica. Detalhe: o moleque tem apenas 12 anos de idade!!! Tem que ver!

MIDNIGHT OIL

25 – Pepsi On Stage – Porto Alegre

Ainda não assisti a qualquer show da volta da formação clássica deste grupo australiano, mas de mostrarem no palco 20% da energia com que apresentavam suas ótimas canções no passado, pode apostar que será um dos shows do ano. Eu não perderia em seu lugar…

HERMETO PASCOAL

24 – SESC Consolação – São Paulo

Não importa saber o que o grande bruxo sonoro vai tocar. Você tem apenas é que estar preparado para uma experiência sônica que vai fazer o seu cérebro rodopiar dentro da calota craniana. Serão shows absolutamente imperdíveis, imprevisíveis… e GRATUITOS!!! Vá e leve a família inteira!

LUIZA POSSI

25 – Teatro Bradesco – São Paulo

Tudo o que ela quer é ser uma amálgama de Ana Carolina com Maria Rita. Ela pretende mostrar canções de seus discos bastante fracos, incluindo mais recente, LP. O problema é que sua falta de carisma vem sempre acompanhada de uma voz tremendamente irregular. Deus queira que este problema tenha sido solucionado. Se quiser arriscar, aí é por sua conta…

 

“EM CASA: TRIBUTO A LUIZ EÇA”

25– Theatro NET – Rio de Janeiro

Só pelo naipe dos músicos envolvidos – Toninho Horta, Edu Lobo, Dori Caymmi, Zé Renato e outros -, todos envolvidos na tarefa de homenagear um dos mais brilhantes pianistas/compositores/arranjadores da história da música brasileira – o saudoso Luiz Eça -, este espetáculo deve ser recomendado sem receios. Todos se reúnem para lançar Em casa de Luiz Eça, um CD-tributo ao líder do lendário Tamba Trio e eu aposto que não irá rolar uma única música ruim nessa noite. Pode confiar no tio aqui…

 

THIAGUINHO

26 – Via Marquês – São Paulo

Pouco importa que ele esteja lançando um novo disco/DVD. Embora seja um cara carismático em cima do placo, Thiaguinho desperdiça isto com um repertório de porcarias vexaminosas, que só entusiasma periguetes e candidatas a tal. Sem contar que, ao vivo, sua voz não é lá essas coisas, o que não ajuda em nada a tornar seu show um evento imperdível. Pelo contrário: é preferível ficar em casa assistindo ao videotape de Sampaio Correa x Remo, disputado em uma terça-feira chuvosa.