"É Show ou é Fria": quarta semana de março (23 a 28)

DIONNE WARWICK

23 – Espaço das Américas – São Paulo

24 – Teatro Guaíra – Curitiba

Uma das poucas grandes cantoras oriundas da década de 60 que ainda estão com a voz em ordem, a eterna musa de Burt Bacharach vai mostrar um repertório classudo e desfilar sua elegância sóbria e contida perante os olhos e ouvidos de uma plateia privilegiada. Não deixe de presenciar tal experiência!

 

HAMMOND GROOVES

23 – Family Mob Studio – São Paulo

28 – Bourbon Street – São Paulo

Aqui está um exemplo de apresentação que você não pode perder em hipótese alguma. Este trio – capitaneado por Daniel Latorre, um dos maiores experts em órgãos Hammond da América Latina – sempre faz shows espetaculares justamente tendo este lendário instrumento guiando baixo e bateria em levadas instrumentais sensacionais. Para “piorar”, o repertório é lotado de composições de Jimmy Smith, Booker T & The MG’s, Wes Montgomery, John Patton, Dr. Lonnie Smith, George Benson, Jimmy McGriff, Miles Davis, John Coltrane, Medeski, Martin &Wood e mais um monte de coisas bacanas do “jazz boogaloo”. O evento marca o lançamento do primeiro álbum dos caras, Funktastic. Simplesmente imperdível!

BIQUINI CAVADÃO

23 – Teatro Bradesco – São Paulo

Uma das mais medíocres bandas da história do rock brasileiro fazendo shows tão animados quanto uma quermesse em dia de chuva. Tô fora!

 

PÉRICLES

23 – Carioca Club – São Paulo

Ele é um cara carismático e dono de uma bela voz. Com o fim do Exaltasamba, Péricles iniciou sua carreira solo e eu torço sinceramente para que ele se afaste completamente do som que fazia com seu finado grupo, voltando a fazer um samba de raiz com letras que tenham uma maior profundidade poética. A julgar pelas poucas canções que ouvi desta nova fase, infelizmente parece que isto não vai acontecer. Pena…

 

TOVE LO

24 – Audio – São Paulo

É impressionante a quantidade de cantoras medíocres que assolam o planeta neste exato momento, todas cantando de maneira idêntica e fazendo o mesmo sonzinho mequetrefe. É o caso desta sueca que vai estar no Lollapalooza aqui em São Paulo, aqui em show próprio. Suas canções são fraquíssimas e ela passa o tempo inteiro rebolando no palco tentando desviar a atenção da plateia para este “pequeno detalhe”. Fique em casa que você ganha mais…

INÊS STOCKLER

24 – Auditório Ibirapuera – São Paulo

Nesta apresentação gratuita a cantora lírica vai mostrar uma união interessante entre os universos eruditos e da música brasileira utilizando um grupo de apoio inusitado – piano,  percussão e cavaquinho -, o que torna a experiência bastante interessante para aqueles que desejam expandir a mente musical ao som de obras de Bach, Heitor Villa-Lobos, Bizet, Tom Jobim, Waldir Azevedo e Pixinguinha. Interessante…

RICARDO HERZ TRIO

24 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Este violinista está lançando um novo trabalho, Torcendo a Terra, no qual apresenta uma interessante mistura de influências que passam por sons brasileiros, árabes e africanos, além do jazz. É daquelas musicalidades difíceis de rotular, o que é mais um atrativo para que você confira a apresentação do trio.

DJAVAN

24 – BH Hall – Belo Horizonte

Sempre muito rigoroso com relação aos seus shows, Djavan certamente vai apresentar um espetáculo de alto nível, com músicos de apoio ultracompetentes, cenografia e iluminações caprichadas e com som de qualidade. O problema pode ser o repertório, que sempre traz excelentes canções ao lado de outras de nível muito inferior. Neste sentido, o show é uma loteria. A não ser que você seja pouco exigente e trate apenas de saborear o que o artista lhe apresentar. Neste caso, boa sorte!

 

VELHAS VIRGENS

24 – Hangar 110 – São Paulo

No Brasil, ninguém personifica o delicioso lado cafajeste do rock n’ roll como esta banda. Tudo bem, de vez em quando a coisa descamba para a baixaria pura e simples, mas não deixa de ser 4engraçado ver/ouvir um desfile de ofensas e pensamentos politicamente incorretos contra tudo e todos. E os caras ainda por cima tocam bem dentro da proposta de som. Assistir a este show, que divulga o lançamento do novo disco da turma, Todos os Dias a Cerveja Salva a Minha Vida, pode ser muito divertido ou muito chocante. Vai depender da sua moral e de seu bom humor. Ou da ausência de ambos… Ah, na abertura vai rolar show da banda Baleia Mutante.

 

SOM IMAGINÁRIO

24 – SESC Pompéia – São Paulo

Criado inicialmente para servir de banda de apoio a Milton Nascimento no início dos anos 70, o lendário grupo formado por Wagner Tiso ao lado do saxofonista Nivaldo Ornelas, do batera Robertinho Silva, do baixista Luiz Alves e do violonista/guitarrista Tavito voltou a se reunir – agora com a efetivação do conhecido guitarrista Victor Biglione -, mesmo que esporadicamente, para relembrar suas excelentes composições que misturam rock progressivo, jazz e até pitadas de música erudita. Por isto, esta é uma rara oportunidade de presenciar um show de primeira qualidade. Se o grupo privilegiar as músicas do disco Matança do Porco, aí o lance vai ficar ainda melhor…

DIOGO NOGUEIRA

24 – Tom Brasil – São Paulo

Ele até tenta seguir os passos do pai – o lendário e falecido João Nogueira -, mas além de não ter voz condizente com o gênero, Diogo Nogueira tem carisma zero e faz um tipo de samba que não só passa a anos-luz de distância daquilo que Zeca Pagodinho e Jorge Aragão – estes sim representantes do “resgate do samba de raiz” -, como também soa como um Alexandre Pires mais rústico. Não perca seu tempo.

 

GONG

24 e 25 – SESC Belenzinho – São Paulo

Depois da morte de seu líder incontestável – o multiinstrumentista Daevid Allen – em 2015, era de se esperar que o veterano grupo se separasse. Ledo engano. Seguindo instruções de seu próprio líder, a banda prossegue em atividade e contando novamente com a presença efetiva do guitarrista Fabio Golfetti (Violeta de Outono), que faz parte da banda desde 2012. Os caras vão apresentar canções de seu mais recente álbum, o elogiado Rejoice! I’m Dead! e, obviamente, várias composições de sua longa e doidíssima discografia, algumas da cultuada trilogia Radio Gnome Invisible e do famoso Camembert Electrique (1971), para muito o marco-zero do “space rock. Uma atração à parte serão as projeções visuais de Jasper Johns, do Fruit Salad Lightshow, responsável pelo malucaço visual dos shows do Ozric Tentacles. Imperdível!

O GRANDE ENCONTRO com ELBA RAMALHO, ALCEU VALENÇA e GERALDO AZEVEDO

24 e 25 – Fundição Progresso – Rio de Janeiro

Quando três velhos parceiros de composição resolvem mostrar suas criações juntos, o resultado é um repertório com músicas belíssimas e um daqueles shows que resgatam aquilo que anda em falta na MPB hoje em dia: poesia. Boa pedida!

 

BRUNO & MARRONE + CHITÃOZINHO & XORORÕ
24 a 26
– Espaço das Américas – São Paulo

É realmente necessário que eu faça algum comentário a respeito destes shows que trarão as duas duplas em cima do palco simultaneamente? Não, né? Então tá… Próximo!

 

TAGORE

25 – SESC Belenzinho – São Paulo

Há tempos a banda pernambucana vem lançando discos muito bons, como são os casos de Movido a Vapor (2014) e Pineal (2016). Agora é uma ótima oportunidade de conferir ao vivo o som influenciado pela música nordestina e pela psicodelia futurista protagonizada atualmente por grupos como Flaming Lips e Tame Impala. Vá e se surpreenda!

LUCIANO MAIA & GABRIEL SELVAGE

25 – Unibes Cultural – São Paulo

O acordeonista Luciano Maia e o violonista Gabriel Selvage estão lançando o álbum Balaio de Sons, cujo som tem seus alicerces nas sonoridades do acordeom e do violão de sete cordas sob a ótica tradicional dos instrumentistas gaúchos. Pode assistir sem susto: você não irá se arrepender!

ROGER HODGSON

25 – BH Hall – Belo Horizonte

Sem lançar nada de novo há dezessete anos, o ex-integrante do Supertramp vive a rodar o mundo arrancando uma grana de otários que ainda se comovem em ouvir as xaropadas que cantava em sua ex-banda nos anos 70 e começo da década de 80. Se ainda preservasse os arranjos originais, ainda vá lá. Só que “irmão do Markito” prefere transformar tudo em “música de churrascaria”, intercalando estas canções com as babas que gravou em sua insignificante carreira solo. Indicado só para quem tem memória afetiva daqueles sons do passado.

HENRIQUE & JULIANO

25 – Metropolitan – Rio de Janeiro

Como moscas – em cima você bem sabe de onde – andam surgindo por aí duplas que não se diferenciam em nada das outras. Tudo soa praticamente igual: músicas, timbres de vozes, arranjos, letras ridículas, poses estudadas, “coraçõezinhos” com as mãos, declarações genéricas e a postura “sou romântico, mas caio na balada para beijar muito”. Esta dupla é apenas mais uma a tentar um lugar ao sol do show business usando os mesmo artifícios. Simplesmente ignore.

 

LOS SEBOZOS POSTIÇOS

25 – Circo Voador – Rio de Janeiro

O projeto que reúne alguns integrantes da Nação Zumbi foi montado para fazer uma homenagem à música criada por Jorge Ben antes que este mudasse para Benjor. A coisa acabou rendendo um bom disco e agora cresceu a tal ponto que virou uma turnê. É uma daquelas apresentações que pode surpreender os mais incautos e, principalmente, para quem pensa que “Ben” e “Benjor” faziam o mesmo som…

FERNANDA ABREU

25 – Opinião – Porto Alegre

Acompanhada por uma ótima banda de apoio, ela vai mostrar as boas canções de seu repertório – que incluem algumas de seu mais recente álbum, Amor Geral – com uma abordagem orgânica e eletrônica ao mesmo tempo. Pode funcionar bem se ela tiver corrigido as terríveis desafinações que costumava exibir no passado. Será que melhorou?

LUAN SANTANA

25 – Pepsi On Stage – Porto Alegre

Cada época tem o ídolo popular que merece. Este garoto, dono de um repertório mais fraco que sopa de albergue noturno, com canções que trazem os piores clichês desse universo “dor-de-corno-sertaneja” e seus maneirismos em cima do palco, só consegue levar à histeria quem tem menos de quatro neurônios em funcionamento. É o exemplo máximo do ídolo que reina na estupidez da juventude descerebrada nacional. Mesmo que ele agora insista em mostrar um novo visual, com ternos bem cortados e fingindo uma elegância de plástico ao mostrar suas novas músicas, passe longe disso, pelo amor de Deus! Vá viajar, escalar uma montanha, voar de asa-delta. Faça um churrasco com os amigos, lave as suas cortinas, conserte seu chuveiro. Leve a patroa para um piquenique, surpreenda o namorado com uma lingerie bem sexy, lave suas cuecas no tanque. Leia um livro, jogue basquete com seus sobrinhos, assista a uma mesa redonda de futebol na TV. Pinte seu pijama de preto, bata um papo com o porteiro do seu prédio, faça uma galinhada com cerveja para os seus pais. Faça qualquer coisa, menos assistir a este show…

PAULA FERNANDES

25 – Teatro Guaíra – Curitiba

Ela é linda. Só. Já suas canções são uma espécie de “versão feminina do Victor & Leo”, ou seja, é um amálgama de “sertanejo” com country, folk e uma pitada de MPB/pop. Tudo é criminosamente insípido, esterilizado, sem um pingo de rusticidade, planejado justamente para agradar pessoas “sensíveis”, apaixonadas e incapazes de sair do limbo da mediocridade sonora. Pena…

 

GAL COSTA

25 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

A julgar por aquilo que ouvimos em seu mais recente álbum, Estratosférica, é muito provável que ela subirá ao palco com uma energia renovada, com a voz ainda melodiosa e insinuante, mostrando canções com uma abordagem bem mais “roqueira” do que aquela apresentada em seus mais recentes trabalhos. Vale a pena dar uma conferida.

FAR FROM ALASKA

25 e 26 – SESC Vila Mariana – São Paulo

É inacreditável que pouca gente tenha se ligado nesta ótima banda potiguar. Pesado, denso, etéreo e desconcertante, o som desta turma é difícil de classificar, mas fácil de apreciar. Basta que você tenha alguns neurônios em perfeito funcionamento e aprecie atmosferas sonoras dominadas por uma autonomia criativa. É showzaço!

GUINGA

25 e 26 – SESC Santana – São Paulo

Um dos grandes — e subestimados — mestres do violão brasileiro, o carioca Guinga volta a fazer apresentação em que agora privilegia o repertório de seu mais recente álbum, Canção da Impermanência – gravado e lançado mundialmente pelo selo alemão Acoustic Music Records -, e certamente vai oferecer o de sempre: um espetáculo elegante e riquíssimo em lindas harmonias e melodias. Pode apostar que será uma apresentação “classuda” e surpreendente…

LEILA PINHEIRO

25 e 26 – SESC Pinheiros – São Paulo

Ainda uma excelente cantora, ela vai mostrar um novo show, Cenas de um Amor, com um repertório que resgata algumas de suas belas canções autorais e revisita a obra de gente que ajudou-a a moldar o seu próprio estilo, como Tom Jobim, Guilherme Arantes, Ivan Lins, Gonzaguinha, Dori Caymmi, João Donato, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Cazuza, Renato Russo e Roberto Carlos, entre tantos outros. Uma atração à parte será sua banda de apoio, que conta com músicos extraordinários: o guitarrista Nelson Faria, o baixista Filipe Moreno e o baterista Jurim Moreira. Biscoito fino!

LOLLAPALOOZA BRASIL 2017

25 e 26 – Autódromo de Interlagos – São Paulo

É aquele velho papo: festival com ‘trocentas’ horas de duração é para quem gosta de badalar, fazer selfies e beijar muito. Tem alguns abnegados que vão a eles por conta dos shows dos artistas e bandas escalados, mas é minoria. Se este for o seu caso, se prepare para ouvir muita música ruim na edição deste ano. Eu, se fosse você, não perderia os seguintes shows: no sábado, Cage the Elephant, o sensacional Rancid, The XX e, obviamente, Metallica; no domingo, Duran Duran e The Weekend. O resto está por sua conta…

BARANGA

26 – Hangar 110 – São Paulo

Uma de minhas bandas de rock and roll favoritas nos dias de hoje aqui no Brasil está com um novo baterista – Alemão (ex-Carro Bomba) entrou no lugar do lendário “Paulão” Thomaz, que hoje está no Kamboja – e vai continuar a metralhar a sua cabeça e ouvidos com um punhado de canções “cafajestes” de seus discos anteriores e mostrar umas inéditas que serão incluídas em um novo CD. Antes vão acontecer apresentações dos grupos Brutal Factor, Cidade Cinza, One Thousand Dead, Timbre Seco e Wild Possession.

VERONICA FERRIANI

26 – SESC Campo Limpo – São Paulo

Ótima cantora da nova safra da MPB, ela vai mostrar em seu novo show, ABCDário do Samba, canções em que reverencia grandes nomes femininos do samba, como Beth Carvalho, Clara Nunes, Alcione, Clementina de Jesus e Dona Ivone Lara, entre outras, ao lado do grupo Mania de Samba. Você vai sair deste show com as esperanças renovadas a respeito da qualidade da música brasileira feita nos dias de hoje.

GRAVE DIGGER

26 – Carioca Club – São Paulo

Uma das coisas que jamais vou entender é como uma banda tão medíocre como esta consegue ter uma pequena legião de admiradores por onde quer que passe. Tudo bem, seus integrantes são bons instrumentistas, coisa e tal, mas as músicas são tão desprovidas de qualidade em termos de arranjos e letras que chegam até a ser engraçadas. É um mistério mesmo… Meu Deus do céu, que ‘roubada’!

 

1975

27 – Audio – São Paulo

Outra banda do cast do Lollapalooza que vai mostrar em show á parte como o seu som absolutamente insípido, inodoro e incolor só vai agradar a gente metida a publicitário. Guarde a sua grana para outra coisa. Qualquer coisa.

MØ e GLASS ANIMALS

27 – Cine Joia – São Paulo

Mais duas atrações do Lollapalooza em shows para platéias menores.  A tal de MØ é uma loira dinamarquesa que, assim como milhares de suas colegas no show business, conseguem a proeza de fazer um show inteiro com músicas que você esquece quatro segundos depois que as mesmas terminaram. É um electropop tão vagabundo que faz a Lorde soar como a Ella Fitzgerald. Já o tal de Glass Animals é uma ‘bandeca’ inglesa formada por uns panacas que jamais comeram uma mulher na vida e que só tomam cerveja sem álcool, que é para não atrapalhar os ‘pulinhos’ que dão sempre que tocam suas musiquinhas em cima dos palcos. Ah, que falta fez umas boas chineladas na bunda dessa turma…

ZAZ

28 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

A cantora francesa Isabelle Geffroy usa seu nome artístico para soltar alguns dos discos mais chatos dos últimos tempos. Se empregar no show a mesma “expertise” em sua apresentação, se prepare sentir um tédio mortal lá pela metade da segunda música. Mon Dieu, que l’ennui…

TWO DOOR CINEMA CLUB e JIMMY EAT WORLD

28 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Reunir em uma mesma noite duas das bandas mais insuportáveis de todas as galáxias deve ser algum tipo de estratégia de Satã para fazer as pessoas adormecerem e, assim, facilitar o seu retorno via Apocalipse. Enquanto o grupo irlandês apresenta um show repleto de um chororô que faz o Arcade Fire soar como o Motörhead, a banda americana é a prova inequívoca que só há algo pior do que ter sido emo um dia: é ser um emo crescido nos dias de hoje, um adulto que canta com ‘vozinha’ chorosa, como se tivesse tomado um fora de alguma mocréia no final de uma festa da firma de corretagem de seguros. Meu Deus, que noite será essa?