"É Show ou é Fria": segunda semana de abril (6 a 12)

Regis Tadeu

ELTON JOHN e JAMES TAYLOR

6 – Allianz Parque – São Paulo

Da “velha tia” inglesa não tem o que falar: seus shows consistem em um caminhão de hits, banda afiada e aquele clima de celebração que por pouco não leva às lágrimas. Já o igualmente veterano americano vem surpreendendo com bons discos – como o mais recente, Before This World, de 2015) e deve fazer uma apresentação também comovente, principalmente se vier com a extraordinário ‘cozinha’ formada pelo baterista Steve Gadd e pelo baixista Jimmy Johnson. Pode ir sem susto!

 

HAMMOND GROOVES

6 – Family Mob – São Paulo

Aqui está um exemplo de apresentação que você não pode perder em hipótese alguma. Este trio – capitaneado por Daniel Latorre, um dos maiores experts em órgãos Hammond da América Latina – sempre faz shows espetaculares justamente tendo este lendário instrumento guiando baixo e bateria em levadas instrumentais sensacionais. Para “piorar”, o repertório é lotado de composições de Jimmy Smith, Booker T & The MG’s, Wes Montgomery, John Patton, Dr. Lonnie Smith, George Benson, Jimmy McGriff, Miles Davis, John Coltrane, Medeski, Martin &Wood e mais um monte de coisas bacanas do “jazz boogaloo”. O evento marca o lançamento do primeiro álbum dos caras, Funktastic. Simplesmente imperdível!

 

GABY AMARANTOS

6 – Teatro Guaíra – Curitiba

Uma das maiores farsas ‘hypadas’ dos últimos tempos, a paraense que um dia se achou próxima da Beyoncè – meu Deus! – finalmente parece ter caído na real e percebido que seu som é tão útil quanto um cinzeiro em um carro da Fórmula 1. Tanto que vai tentar se apresentar com um novo formato de show – voz, violão e percussão – e ver o que acontece. Só que o release diz que se trata de um espetáculo musical Eu Sou, no qual ela pretende contar a sua história de vida por intermédio da música. Jesus, salve-se quem puder…

 

“NUBLU JAZZ FESTIVAL”

6 a 9 – SESC Pompeia e SESC São José dos campos (SP)

O já tradicional evento anual sempre traz poucas atrações internacionais e brasileiras, mas capricha na qualidade. Este ano você não pode perder os shows dos britânicos veteranos do Cymande, que desde os anos 70 fazem uma mistura genial de afrobeat, soul, jazz e até reggae e que voltou à ativa em 2014 depois de encerrar suas atividades em 1974; do saxofonista americano Kamasi Washington, que não tem o menor pudor em botar em seus som elementos do funk, soul e hip hop; do espetacular grupo americano The Cookers, que reúne alguns dos mais célebres sidemen da história do jazz: o baixista Cecil McBee, os trumpetistas Eddie Henderson e David Weiss, os saxofonistas Donald Harrison e Billy Harper, o pianista Stephen Scott, e o baterista Billy Hart. E preste bastante atenção aos projetos Sambas do Absurdo – que reúne Juçara Marçal, Gui Amabis e Rodrigo Campos – e Plim, este último capitaneado pelo bom baterista Sérgio Machado, e também ao trabalho falado e aliado a conceitos de multimídia do americano Saul Williams. Programaço!

 

JORGE ARAGÃO

7 – Audio – São Paulo

Assim como Zeca Pagodinho, o velho e bom Jorge faz samba legítimo e não esses pagodes xexelentos que empesteiam a atmosfera deste País. Faz muito tempo que não o vejo nos palcos, já que ele esteve por um bom tempo afastado deles por sérios problemas de saúde. Como tudo agora parece estar OK com ele, vale a pena dar uma checada em seu ótimo som. Pena que no mesmo show vão rolar apresentações de Xande de Pilares e Chrigor (ex-Exaltasamba), o que pode estragar uma noite que tem tudo para ser divertida…

 

TOQUINHO & IVAN LINS & MPB-4

7 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Embora seja um exímio violonista e um cantor até que razoável, já faz muito tempo que Toquinho se acomodou musicalmente, sempre fazendo shows com o mesmíssimo repertório – “Tarde em Itapoã”, “Regra Três”, “Testamento”, “Como Dizia o Poeta”, “Meu Pai Oxalá”, “Que Maravilha”, “Caderno” e, claro, “Aquarela”. E é ainda mais lamentável saber que qualquer esperança de ousadia seja sepultada pelas próprias plateias, que querem sempre ouvir as mesmas coisas. E aqui ele irá se apresentar juntamente com seu amigos Ivan Lins e a turma do MPB-4. Se o seu lance é presenciar encontros de compadres, então vá.

 

ART POPULAR

7 – Carioca Club – São Paulo

Enquanto foi liderado por Leandro Lehart – um cara positivamente diferenciado dentro do universo rasteiro do pagode ‘mela calcinha’ -, este grupo ainda vez por outra conseguia fazer coisas bastante interessantes em termos de composição. Hoje, sem a sua presença, é um amontoado de músicos e cantores fazendo o mesmo som que 4.762 grupos similares. Resumindo: uma grande porcaria.

 

RAEL

7 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Um dos nomes mais interessantes da moderna cena do hip hop nacional, ele vai mostrar algumas de suas novas canções, incluídas no álbum Coisas do Meu Imaginário, e alguns sons mais antigos, todos colocados por sobre bases rítmicas bem sacadas. Vale a pena dar uma arriscada…

 

DULCE MARIA

7 – Opinião – Porto Alegre

9 – Audio – São Paulo

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! O Brasil sempre foi mesmo o paraíso de aproveitadores, como são os casos de ex-integrantes do – graças a Deus! – finado RBD. Sozinhos ou em duplas, eles visitam nossa terra sempre exibindo uma absoluta falta de talento e um oportunismo que chega a dar náuseas. Agora é a vez da tal de Dulce Maria, quem tem uma carreira musical tão autêntica quanto uma nota de R$ 53 e vai exibir aqui uma ode ao nada, que é exatamente o que tem condições de oferecer. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!

 

MARILIA MENDONÇA

7 – Metropolitan – Rio de Janeiro

De tempos em tempos nossos sentidos são assaltados por porcarias musicais que parecem ter sido criadas por algum produtores tão sádicos quanto oportunistas. Veja o caso desta moça cuja voz esganiçada é um dos troços mais pavorosos a surgir na música brasileira em muitas décadas, sempre a serviço de canções tão cretinas que chega a provocar dores insuportáveis nos ouvidos. Não é à toa que um de seus hits tem como título “Hoje Eu Tô Terrível”. Não é só ‘hoje’ não, minha filha…

 

MATUTO MODERNO

7 – SESC Osasco – Osasco (SP)

Quem acompanha o ótimo trabalho que a dupla Ricardo Vignini e Zé Helder faz no duo Moda de Rock tem que assistir a apresentação da outra banda de ambos, que faz um amálgama bem interessante de rock com as várias vertentes da verdadeira música sertaneja/caipira. Assista e saia absolutamente surpreso com a experiência. É altamente desaconselhável para quem chora ouvindo as porcarias que Jorge & Matheus despejam em ouvidos pouco treinados…

 

SANDY

7 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Tentando buscar uma legitimidade em sua carreira solo, Sandy cercou-se de uma boa banda de apoio na hora de transpor as canções de seus discos para o palco, em uma roupagem sonora predominantemente acústica.  Louve-se seu esforço em se afastar da imagem de menina bobinha do passado, mas ela ainda precisa comer muito feijão antes de se tornar uma referência musical digna de nota. É isto o que você verá e ouvirá neste show, que traz um apanhado dos álbuns que ela lançou até agora e algumas canções inéditas. Tá a fim de ir? Aí é por sua conta e risco…

 

ZÉ RAMALHO

7 e 8 – Teatro Bradesco – São Paulo

Se existe um artista brasileiro com um repertório acima de qualquer suspeita na hora de montar um show, este é Zé Ramalho. Principalmente porque ele não é daqueles que deita nos louros do passado e está sempre compondo novas e instigantes canções. Pode apostar que o show será bem legal, com toneladas de hits e qualidade sonora impecável.

 

FREJAT

7 a 9 – SESC Pinheiros – São Paulo

A opção de assistir a um show do guitarrista do finado Barão Vermelho continua interessante. Compositor acima da média, bom guitarrista e cantor competente, ele certamente terá uma boa banda de apoio e um repertório cheio de composições inspiradas, embora nem sempre o tratamento sônico dado a elas seja o ideal. Vale uma espiada, mesmo sabendo que é o mesmo show que ele vem apresentando há meses pelo Brasil, com a inclusão apenas de uma música nova, “O Amor é Quente”.

 

NO FUN AT ALL

7 – El Toro Pub – Porto Alegre

8 – Hangar 110 – São Paulo

9 – Antiga Moohai – Curitiba

11 – John Bull Pub – Florianópolis

Das bandas surgidas nos anos 90 professando a sua fé no punk e no hardcore, este quinteto sueco e dos mais energéticos e vibrantes. As canções são meio parecidas entre si, mas… Quem se importa? Vá e esteja preparado para testemunhar um verdadeiro pandemônio no palco e na plateia.

 

JESUTON

8 – SESC Belenzinho – São Paulo

Descoberta nas ruas do Rio de Janeiro em 2012, esta cantora inglesa radicada no Brasil tem agora a oportunidade de mostrar que não foi apenas por caridade que alguns artistas resolveram levá-la para participações em shows e programas de TV. Aqui ela vai mostrar as canções de seu simpático álbum de estréia, Home, e a julgar por aquilo que ouvi, vale a pena dar uma espiada na apresentação da moça…

 

SOFI TUKKER

8 – Audio – São Paulo

Se a Björk fosse uma cantora “normal” e viciada em dance music européia, é provável que soasse bem próxima ao som deste duo novaiorquino, formado pela vocalista/guitarrista Sophie Hawley-Weld e pelo multiinstrumentista Tucker Halpern. Embora o som não seja tão descartável quanto parece, a performance da dupla em um palco é tão animada quanto um massacre de lagostas. Vá por sua conta e risco…

 

“CALL THE POLICE”

8 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Como é que é? O ex-guitarrista do Police, Andy Summers, tocando apenas músicas de sua ex-banda, com o baixista do Barão Vermelho, Rodrigo Santos no baixo e nos vocais – afinadíssimos, diga-se de passagem – e o mais legal, que é ver e ouvir João Barone na bateria, tocando todas aquelas “encrencas rítmicas” do Stewart Copeland? Acredite: é um show divertidíssimo e com um desfile de hits simplesmente inacreditável. Pelo amor de Deus, não perca isso por nada neste mundo!

 

NATIRUTS

8 – Metropolitan – Rio de Janeiro

É imperdoável que não tenhamos bandas de reggae decentes em um país tropical como o nosso. A melhorzinha delas é justamente este grupo, que tem lá suas qualidades na parte instrumental, mas que peca justamente no discurso, já que as letras são mais fracas que óleo de máquina de costura. Se você for chegado num “fumacê” e acha que reggae é Bob Marley e mais ninguém, pode até se divertir neste show. Se tiver um pouco mais de tutano, vai segurar a sua grana e esperar para gastá-la quando uma boa atração internacional aportar por aqui.

 

BIQUÍNI CAVADÃO e LEONI

8 – Fundição Progresso – Rio de Janeiro

Como é? Serão dois shows completos dessa turma? Meu Deus do céu! Já sei onde NÃO estarei…

 

ULISSES ROCHA

8 – SESC Santana – São Paulo

Um dos maiores violonistas da história da música brasileira, ele vai mostrar as composições de seu álbum Soul Colors, gravado em 2014 nos Estados Unidos. É uma rara ocasião para assistir ao show de um músico diferenciado. Não deixe de assistir!

 

SÁ & GUARABYRA

8 – SESC Osasco – Osasco (SP)

Em mais de 40 anos de carreira, esta dupla foi fundamental para a sedimentação de um estilo que passou a ser conhecido como “rock rural”, uma mistura country, sertanejo “de raiz”, baião, xote e xaxados. Construíram um repertório repleto de ótimas canções, muitas delas verdadeiros exercícios de sofisticação harmônicas nordestinas e com letras com achados poéticos de primeira grandeza. Não perca!

 

JORGE VERCILLO

8 – Tom Brasil – São Paulo

O maior imitador de Djavan da América Latina tem uma carreira que incrivelmente já dura mais de duas décadas – o que só mostra como tem gente sem critério na hora de ouvir música – com todas aquelas canções para “pentear os ouvidos” dos mais incautos, tudo adocicado com letras que mais parecem “poesia de escada de faculdade” e arranjos que não oferecem o menor sinal de ousadia e criatividade. Prometendo – ou “ameaçando”, que é o termo mais apropriado para a ocasião – mostrar canções inéditas e outras que há muito não apareciam em seu repertório, é um daqueles shows tão ‘saborosos’ quanto beber uísque falsificado e comer porções de provolone à milanesa com data de validade vencida…

 

LUAN SANTANA

8 e 9 – Espaço das Américas – São Paulo

Cada época tem o ídolo popular que merece. Este garoto, dono de um repertório mais fraco que sopa de albergue noturno, com canções que trazem os piores clichês desse universo “dor-de-corno-sertaneja” e seus maneirismos em cima do palco, só consegue levar à histeria quem tem menos de quatro neurônios em funcionamento. É o exemplo máximo do ídolo que reina na estupidez da juventude descerebrada nacional. Mesmo que ele agora insista em mostrar um novo visual, com ternos bem cortados e fingindo uma elegância de plástico ao mostrar suas novas músicas, passe longe disso, pelo amor de Deus! E vai ter participação especial da Sandy!!! Coitada… Vá viajar, escalar uma montanha, voar de asa-delta. Faça um churrasco com os amigos, lave as suas cortinas, conserte seu chuveiro. Leve a patroa para um piquenique, surpreenda o namorado com uma lingerie bem sexy, lave suas cuecas no tanque. Leia um livro, jogue basquete com seus sobrinhos, assista a uma mesa redonda de futebol na TV. Pinte seu pijama de preto, bata um papo com o porteiro do seu prédio, faça uma galinhada com cerveja para os seus pais. Faça qualquer coisa, menos assistir a este show…

 

PSYCHO REALM

9 – Clash Club – São Paulo

Para quem não conhece, o Psycho realm era um duo de hip hop americano formado pelos irmãos Jack e Gustavo Gonzalez, conhecido como “Sick Jacken” e “Big Duke”, respectivamente. Depois que este último ficou tetraplégico por conta de um tiro no pescoço, Jacken continua a se apresentar sozinho e carregando o nome do duo. Indicado só para quem é muito fanático pelo gênero.

 

OPETH

9 – Carioca Club – São Paulo

Taí um show que promete ser uma ótima surpresa para quem gosta de heavy metal. O som deste grupo sueco é repleto de influências pouco comuns ao estilo, como folk e jazz, além de apresentar contato íntimo com a música erudita, o rock progressivo e até mesmo o blues. Todo mundo toca bem e os caras estão divulgando um dos melhores discos do ano passado, Sorceress. Vá sem susto e com a mente aberta! Perigas ser um dos melhores shows do ano!

 

KRISIUN

9 – Opinião – Porto Alegre

A banda brasileira que mais shows faz no exterior tem como tradição sonora mandar uma paulada death metal que assusta até mesmo os já iniciados no estilo, embora seus mais recentes discos – como o extraordinário Forged in Fury – tenham adquirido uma cadência bem-vinda e extremamente poderosa. É showzaço que você não deve perder e não recomendado para quem acredita que música é instrumento da paz e da alegria campestre. Ah, na abertura vão rolar apresentações das bandas Scelerata, Distraught, Leviaethan e Weakless Machine.

 

ROUPA NOVA

9 – Teatro Castro Alves – Salvador

É aquela velha história: os caras são músicos extraordinários, com total domínio de seus instrumentos, mas ficaram presos a um mercado que não aceita nada que contenha um mínimo de criatividade musical. Resignada, a banda então vem se rendendo há anos em tocar coisas abomináveis como “Dona” e “Whisky a Go Go”, feitas especialmente para agradar a um público muito pouco exigente. Infelizmente, o Roupa Nova é a prova que todo país tem o Toto que merece…

 

MART’NÁLIA

9 – Teatro Guaíra – Curitiba

A filha de Martinho da Vila canta bem, tem bossa meio ‘maloqueira’ no palco e está sempre acompanhada de bons músicos. Nos últimos tempos, abandonou uma momentânea pseudo sofisticação e voltou a colocar espontaneidade em seu samba. Melhor assim… Agora ela mostra um repertório em que aborda canções de compositores fundamentais para a sua formação, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan, Lupicínio Rodrigues e, obviamente, seu próprio pai, Arrisque!

 

BANDA MANTIQUEIRA

11 – Bourbon Street – São Paulo

Pode ter certeza de que a volta deste grupo, fundado em 1991 pelo clarinetista Nailor Proveta e que passou muito tempo desativado nos últimos anos, vai ser uma agradável surpresa em todos os sentidos. Não apenas pela excelência musical de cada integrante, mas principalmente pela abordagem “big band” que os caras fazem para composições de Tom Jobim, Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola e João Bosco. Estão lançando um novo disco, Com Calma, com versões personalíssimas de canções de Dizzy Gillespie, Moacir Santos e outros compositores. Pode ir que é sonzaço!