"É Show ou é Fria": segunda semana de fevereiro (9 a 15)

Regis Tadeu

HAMILTON DE HOLANDA

9 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Um dos mais extraordinários instrumentistas da nova geração, ele deu ao bandolim uma linguagem absolutamente nova, quase revolucionária, a ponto de estabelecer uma até então inesperada ponte entre o chorinho e o jazz. Aqui ele mostra um show batizado como “Baile do Almeidinha”, no qual mostra suas habilidades interpretando forrós, sambas, frevo, choros, xotes e outros ritmos brasileiros. É um show indispensável para quem quer fugir do comodismo musical que impera nos dias de hoje.

 

JOHNNY HOOKER

9 – Opinião – Porto Alegre

Seus discos são pretensiosos e chatos pra cacete, sua tentativa em imitar o timbre de voz da Cássia Eller é irritante e… e… Quer saber? Hooker é daqueles caras que julgam que “esquisitice” é o caminho mais fácil para a adoração de baba-ovos – vide seu mais recente álbum, o terrível e afetado Eu vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito! Ah, não vou indicar esses shows para quem quer se divertir e ouvir um som bacana. Vá fazer outra coisa…

 

HAMMOND GROOVES

9 – Family Mob – São Paulo

Aqui está um exemplo de apresentação que você não pode perder em hipótese alguma. Este trio – capitaneado por Daniel Latorre, um dos maiores experts em órgãos Hammond da América Latina – sempre faz shows espetaculares justamente tendo este lendário instrumento guiando baixo e bateria em levadas instrumentais sensacionais. Para “piorar”, o repertório é lotado de composições de Jimmy Smith, Booker T & The MG’s, Wes Montgomery, John Patton, Dr. Lonnie Smith, George Benson, Jimmy McGriff, Miles Davis, John Coltrane, Medeski, Martin &Wood e mais um monte de coisas bacanas do “jazz boogaloo”. O evento marca o lançamento do primeiro álbum dos caras, Funktastic. Simplesmente imperdível!

 

CLAUDIA LEITTE

10 – Audio – São Paulo

Evidentemente, ela deixou de ser uma figura carismática até para os padrões rasos da “axé music”. Para piorar, Claudia Leitte não é uma boa cantora, seu repertório é muito ruim e a falta de uma “assessoria de bom gosto” a faz colocar bailarinos patéticos com coreografias ridículas – que fariam o falecido apresentador Bolinha ter outro ataque do coração – e a se vestir muitas vezes como uma “Lady Gaga do Recôncavo Baiano”. É um daqueles shows só para fãs retardados baba-ovos e para quem gosta de micaretas em forma de aula de aeróbica, que no fundo são os mesmos. Já sei onde NUNCA estarei…

 

RENATO BORGHETTI

10 – SESC Pinheiros – São Paulo

Se o Brasil fosse um país realmente sério em termos de cultura, este acordeonista seria cultuado como um dos maiores representantes de uma sonoridade nacional muito distante do estereótipo “sambista” de nossa terra. Como não é, as plateias que assistem aos seus shows podem se sentir privilegiadas por tomarem contato com a abordagem “Mercosul” que ele imprime a temas eruditas e populares, acompanhado pelo excelente arranjador/violonista Daniel Sá e mais dois outros músicos bastante competentes: o pianista Vitor Peixoto e o saxofonista/flautista Pedro Figueiredo. Vá e se surpreenda com as composições de seu mais recente trabalho, o CD/DVD Gaita na Fábrica

 

EMICIDA

10 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Indo em uma direção oposta ao mau humor de certa corrente do rap nacional, Emicida procura usar da poesia inteligente, com uma qualidade muito acima do se ouve por aí. Para melhorar ainda mais, seu DJ manda ver em bases pesadas, bem na linha “old school”, lembrando uma época em que o hip hop ainda usava o som da caixa de bateria e não palmas para marcar o ritmo. Só que nestes show a tônica será dada pelo mais recente álbum do cara, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, gravado em Angola e Cabo Verde e com a participação de músicos locais. O resultado é bem diferente daquilo que você ouviu até agora. Experimente.

 

ROBERTA CAMPOS

10 – SESC Bom Retiro – São Paulo

Ela já deixou de ser uma menina, mas ainda está a caminho de se tornar uma grande artista. Suas canções passam longe da babaquice adolescente, ela nitidamente sabe o que fazer com seu violão e tem certa doçura em cima do palco. Roberta precisa apenas tomar cuidado com extinguir completamente as desafinações que sempre marcaram seus shows. Quem sabe esta apresentação já mostre que tal defeito não existe mais…

 

FLÁVIO VENTURINI, SÁ & GUARABYRA & 14 BIS

10 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Dentro do projeto Encontro Marcado, a união entre estes músicos e cantores vai muito mais do que comemorar décadas de carreira, mas principalmente resgatar ótimas canções que cada um deles ostenta em seus respectivos currículos. Dê uma arriscada…

 

JOÃO BOSCO

10 a 12 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Depois de completar quatro décadas de carreira com o lançamento do DVD João Bosco 40 Anos Depois, um dos maiores violonistas do planeta – não, não estou brincando, é sério – vai dar uma repassada em seu imenso repertório de maneira técnica e brilhante, agora com uma abordagem mais intimista. Ele vai incluir algumas canções pouco conhecidas e o mais legal: vai conversar com a plateia, explicando detalhes a respeito dos arranjos, compositores e da maneira como ele pensou cada uma delas. Preste atenção ao domínio que ele tem do instrumento, algo próximo do assombroso. Imperdível!

 

TUATHA DE DANANN

11 – Clash Club – São Paulo

Com um repertório formado pela escolha dos fãs, este show é um bom evento para você tomar contato com uma banda de metal que sempre coloca elementos da folk music de origem celta em suas composições, com resultados irregulares. Caso seus integrantes estiverem em um bom dia, vão rolar poucas desafinações nos vocais. Torça para que isso aconteça…

 

NOPORN

11 – Tenda – São Paulo

A julgar pelas canções que ouvi de seu álbum Boca, o duo formado por Liana Padilha e Luca Lauri tem tudo para fazer um show instigante em todos os sentidos para quem deseja conhecer a música brasileira que corre fora do mainstream. Vão de cabeça, olhos e ouvidos bem abertos…

 

QUINTETO PIERROT

11 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Esta é outra ótima – e gratuita! – oportunidade de colocar você e sua família em contato com o maravilhoso universo da música erudita. Com um repertório que inclui obras compostas por Beethoven, Schoenberg, Webern e Hanns Eisler, o quinteto vai tocar tudo com elegância e virtuosismo. Não perca!

 

TIAGO IORC

11 – Espaço das Américas – São Paulo

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz…. Meu Deus, que sono eu sinto só em escrever o nome desse rapaz… Imagine então como é o show… Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz…

 

“VENTURA SINFÔNICO”

11 – Fundição Progresso – Rio de Janeiro

Como é que é? Uma orquestra com 40 integrantes executando o Ventura dos Los Hermanos na íntegra? E com a participação de Roberta Campos e Rodrigo Costa (ex-Forfun)? E depois dessa atrocidade vai rolar um baile de carnaval só com versões de músicas da banda??? Pelo anor de Deus!!!! Não saia de casa nem que lhe paguem!!! Deus do céu, quem teve a ideia biruta de fazer um evento desse naipe? Cruz, credo!

 

LENINE

11 – P12 Parador Internacional – Florianópolis

Dentro do atual cenário da MPB, poucos são os artistas que apresentam um trabalho tão consistente, coerente e de alto valor artístico quanto Lenine. Sempre surpreendendo a plateia com repertórios diferentes e com uma banda de apoio surpreendentemente pesada para o tipo de som que faz, ele transforma cada uma de suas canções em manifestos poéticos muitas vezes sacolejantes – algo ainda mais raro de se ver e ouvir. Seu novo show, no qual lançará seu mais recente álbum, Carbono, vai revelar muitas surpresas, não pode ser ignorado, justamente pelas qualidades de seu autor acima citadas. Vá sem medo!

 

OTTO

11 – SESC Pinheiros – São Paulo

Ele alega que neste show ele irá repetir o que apresentava na turnê do disco que lançou em 2009, Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos , o que pode ser uma surpresa positiva ou negativa, dependendo de como você interpreta a musicalidade deste pernambucano maluco. É claro que ele continua cantando mal, fazendo e dizendo coisas inesperadas que tendem a ‘vergonha alheia’, e obviamente provocando gargalhadas na plateia. A sorte é que ele está sempre acompanhado de uma boa banda de apoio, que se sai bem na tarefa de segurar as pontas quando Otto desanda a falar. É um daqueles shows imprevisíveis…

 

NOVOS BAIANOS

11 – concha acústica do Teatro Castro Alves – Salvador

Simplesmente imperdível! Simples assim…

 

TOQUINHO & IVAN LINS & MPB-4

11 – Tom Brasil – São Paulo

Embora seja um exímio violonista e um cantor até que razoável, já faz muito tempo que Toquinho se acomodou musicalmente, sempre fazendo shows com o mesmíssimo repertório – “Tarde em Itapoã”, “Regra Três”, “Testamento”, “Como Dizia o Poeta”, “Meu Pai Oxalá”, “Que Maravilha”, “Caderno” e, claro, “Aquarela”. E é ainda mais lamentável saber que qualquer esperança de ousadia seja sepultada pelas próprias plateias, que querem sempre ouvir as mesmas coisas. E aqui ele irá se apresentar juntamente com seu amigos Ivan Lins e a turma do MPB-4. Se o seu lance é presenciar encontros de compadres, então vá.

 

BIXIGA70

11 e 12 – SESC Bom Retiro – São Paulo

Outro show imperdível, já que se trata de um dos grupos brasileiros mais legais da atualidade. Os caras resgataram a sonoridade afrobeat de artistas africanos dos anos 70 – que misturavam jazz, rock e a típica sonoridade daquele continente – e acrescentaram um “molho” brasileiro estonteante. E ainda estão lançando um novo álbum, The Copan Connection, que traz versões experimentais das canções de seu disco anterior, Bixiga70 III. Showzaço!

 

TED MARENGOS

12 – Eu Tu Eles Bar – São Paulo

Uma das boas bandas paulistanas está prestes a lançar seu segundo álbum e apresentará aqui sua nova formação sem abandonar as referências de rock and roll, folk e blues com boas vocalizações. Arrisque!


G
USTTAVO LIMA

12 – P12 Parador Internacional – Florianópolis

O que pode ser pior que o Luan Santana? Um imitador, claro! E dos mais incompetentes, já que suas canções jamais ultrapassam os limites do patético, o que certamente reflete a idade mental de seu público, que não consegue distinguir um asno de um extintor de incêndio. É a prova viva de que um pseudoartista pode usar de uma “estupidez poética” para enganar um público cada vez mais descerebrado. Passe longe disso, pelo amor de Deus!

 

TONY BABALU

13 – SESC Consolação – São Paulo

Figura conhecidíssima na história do rock nacional por conta de seu trabalho com o grupo Made in Brazil, o guitarrista lançou um belo CD instrumental, Live Sessions at Mosh, no qual demonstra sua habilidade e ecletismo musical ao lado do extraordinário baterista Franklin Paolillo (ex-Rita Lee & Tutti Frutti, ex-Joelho de Porco) e de outros competentes músicos. Agora, irá tocar na íntegra as faixas de seu novo álbum, Live Sessions II e algumas outras de seu trabalho anterior. E tudo gratuito! Vá, leve a família e se surpreenda!