"É Show ou é Fria": terceira semana de março (16 a 22)

PAULA FERNANDES

16 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

17 – Tom Brasil – São Paulo

Ela é linda. Só. Já suas canções são uma espécie de “versão feminina do Victor & Leo”, ou seja, é um amálgama de “sertanejo” com country, folk e uma pitada de MPB/pop. Tudo é criminosamente insípido, esterilizado, sem um pingo de rusticidade, planejado justamente para agradar pessoas “sensíveis”, apaixonadas e incapazes de sair do limbo da mediocridade sonora. E não pense que isso tudo mudou porque agora ela se apresenta sozinha, acompanhada apenas por seu violão tocado de modo claudicante – em tempos de vacas magras na agenda, é assim que ela vai se virar para ganhar uns trocados sozinha e sem ter que pagar seus músicos de apoio -, porque tudo continua muito ruim e chato. Credo!

 

MARIA RITA

16 – Teatro Bradesco – São Paulo

17 – Teatro Guaíra – Curitiba

Demorou um pouco para que grande parte do público levasse a filha de Elis Regina a sério como cantora. E não há nada de errado com o mundo quando se percebe que ela melhorou muito como cantora e, principalmente, na escolha do repertório de seus shows – vide o que vai apresentar neste show, batizado como “Samba da Maria”. Há uma dose maior de espontaneidade em suas apresentações e sua banda de apoio é eficientíssima. Para quem nunca a viu em cima do palco, vale a pena dar uma arriscada…

CHARLES AZNAVOUR

16 – Espaço das Américas – São Paulo

18 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Para quem gosta da velha escola da “chanson française”, este show vai ser um delírio, mas eu aposto uma boa grana que a maioria da plateia estará lá só para ouvir o “velhinho francês que canta ‘She’”. Quer apostar?

ARMANDINHO

17 – Audio – São Paulo

Só por saber que este cidadão é aquele que canta uma das mais asquerosas composições da História da música brasileira em todos os tempos – “Desenho de Deus” – já é motivo suficiente para você ficar em casa, lendo um livro e dando um pouco mais atenção ao seu amor e aos seus filhos. Para piorar, a abertura será com uma apresentação do igualmente péssimo grupo Planta & Raiz!!! Meu Deus do Céu…

 

NOVOS BAIANOS

17 – Metropolitan – Rio de Janeiro

Simplesmente imperdível! Simples assim…

BELO

16 – Via Marquês – São Paulo

17 – Carioca Club – São Paulo

Sempre penso que o Belo foi preso pelos motivos errados: quem “canta” as “músicas” que ele mostra nos shows não merece outra coisa senão passar um bom tempo tomando água de caneca e tendo duas horas de sol por dia. Uma verdadeira aberração para quem gosta de samba, Belo personifica o que de pior o tal “pagode” propiciou.

 

NENHUM DE NÓS

17 – Cine Joia – São Paulo

Perto de algumas bandinhas indie mixurucas que são incensadas por críticos com interesses escusos, o som do Nenhum de Nós soa como o U2. Algumas de suas canções são bastante subestimadas – como é o caso da boa “Camila, Camila” – e a banda costuma não fazer feio em cima do palco.

MARCELO YUKA & ABAYOMI

17 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Ao lançar mais um disco – Canções Para Depois do Ódio -, ele trata de dar mais um passo para exorcizar de vez toda a tragédia que ocorreu em sua vida, agora ao lado do grupo Abayomi. Vão rolar também participações especiais da cantora Cibelle e do sempre imprevisível Black Alien. Dê uma espiada…

 

HUMBERTO GESSINGER

17 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Não se engane: os shows da carreira solo do líder do extinto Engenheiros do Hawaii são exatamente uma extensão da carreira de sua banda. Isso vale para as três canções de seu novo disco, um compacto em vinil intitulado Desde Aquela Noite. A diferença é que ele não se cerca mais de músicos medíocres. Logo, estes shows servem apenas para quem já era “convertido” e são desaconselhados para quem nunca suportou as letras “qualquer nota” do cara.

 

MARCOS & BELUTTI

17 e 18 – Citibank Hall – São Paulo

O que posso escrever a respeito de mais uma das 2.764 duplas que cantam músicas horríveis a respeito do velho papinho “vou sair na balada e me dar bem”, “você jurou que ia me amar para sempre” e outras bobagens que só emocionam quem tem guardanapo mofado no lugar do cérebro. Por que o Brasil precisa de mais uma dupla “sertaneja” que só chega perto de um cavalo quando vai levar os filhos para andar em carrossel de parquinho de diversões? Fique em casa que você ganha mais…

 

TOQUINHO & IVAN LINS & MPB-4

18 – Metropolitan – Rio de Janeiro

Embora seja um exímio violonista e um cantor até que razoável, já faz muito tempo que Toquinho se acomodou musicalmente, sempre fazendo shows com o mesmíssimo repertório – “Tarde em Itapoã”, “Regra Três”, “Testamento”, “Como Dizia o Poeta”, “Meu Pai Oxalá”, “Que Maravilha”, “Caderno” e, claro, “Aquarela”. E é ainda mais lamentável saber que qualquer esperança de ousadia seja sepultada pelas próprias plateias, que querem sempre ouvir as mesmas coisas. E aqui ele irá se apresentar juntamente com os amigos Ivan Lins – que deve apresentar também as chatíssimas composições que elaborou dos anos 80 para cá – e com o pessoal do MPB 4, um dos importantes grupos vocais da história da música brasileira que ainda esbanja categoria, a ponto de oferecer verdadeiras aulas de canto para essa molecada indie dos dias de hoje, que parece ter uma cacatua morta no lugar das amígdalas. Se o seu lance é presenciar encontros de compadres, então vá!

CAMISA DE VÊNUS “TOCA RAUL”
18 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Como dizia minha saudosa mãezinha, a lendária Dona Irene, “Para bom entendedor, meia palavra basta”. Eu iria…

 

TIAGO IORC

18 – Fundição Progresso – Rio de Janeiro

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz…. Meu Deus, que sono eu sinto só em escrever o nome desse rapaz… Imagine então como é o show… Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz…

 

CACHORRO GRANDE

18 – Opinião – Porto Alegre

Por incrível que pareça, as canções dos caras costumam crescer em termos de intensidade e qualidade quando são transpostas para o palco, uma característica essencial para um bom grupo de rock, certo? Por isto, vale a pena dar um drible no preconceito e conferir uma apresentação desta boa banda gaúcha, ainda mais agora que estão lançando um novo álbum, Electromod, com uma sonoridade bem diferente de seus trabalhos anteriores. Como isto vai soar ao vivo no palco é um atrativo a mais… Ah, e na abertura vai rolar show do Trem Fantasma.

TOMADA

18 – SESC Belenzinho – São Paulo

Já faz certo tempo que esta banda vem apresentando um trabalho acima da média quando se pensa no rock and roll nacional e esta é uma boa oportunidade para se conferir isso, já que os caras estão lançando seu quarto álbum, Hoje. Recomendo!

BENITO DI PAULA

18 – Teatro Guaíra – Curitiba

Um dos mais criminosamente injustiçados artistas brasileiros, o pianista, cantor e compositor foi relegado a um ostracismo justamente pelo emburrecimento crescente do público que passou a pensar que samba e “pagode pega-periguete” são a mesma coisa. Dono de um excelente repertório, são justamente suas belas canções o atrativo maior para você ir a este show. Se você não se divertir em “Charlie Brown”, “Se não for Amor” e “Mulher Brasileira”, e não sentir vontade de chorar com a lindíssima “Retalhos de Cetim”, pode assinar o seu atestado de idiota…

MADBALL

19 – Carioca Club – São Paulo

Não é sempre que temos a oportunidade de assistir a um show de um dos grandes nomes da cena hardcore de Nova Iorque, formado inicialmente por alguns integrantes do lendário Agnostic Front e que hoje tem apenas o vocalista Freddy Cricien – irmão de Roger Miret, o cantor/líder do AF – da formação original. Tenha a certeza de que isso não vai impedir de você assistir a um showzaço, com pelo menos uma dezena de cacetadas sonoras imperdíveis. Não deixe de assistir de forma alguma!

ELZA SOARES

19 – SESC Itaquera – São Paulo

Assistir a uma apresentação desta outrora grande cantora é testemunhar o quão bizarro pode ser o show business brasileiro. Até concordo que a voz dela é inconfundível. Só que a esta altura do campeonato, isto não significa algo agradável. Pelo contrário. Elza continua exagerando absurdamente em suas cantorias, desafinando horrores e nem mesmo o fato de apresentar neste show algumas canções de seu mais recente álbum, o estranho A Mulher do Fim do Mundo pode atenuar este defeito. Vergonha alheia em grau master, principalmente por sempre haver bobalhões “baba ovos” na platéia. Fuja disso!

 

ANDRE GERAISSATI

19 – SESC Belenzinho – São Paulo

Um dos mais brilhantes violonistas brasileiros de todos os tempos, ele vai relembrar os tempos em que foi integrante do ótimo trio de violões D’Alma e também mostrar algumas extraordinárias composições de sua carreira solo iniciada na primeira metade dos anos 80. Não perca!

RUÍDO/MM

20 – SESC Consolação – São Paulo

“Desconcertante” é pouco para definir o som instrumental deste excelente grupo de Curitiba, que constrói cada uma de suas composições em camadas sobrepostas, tudo com um brilhantismo raro de se ouvir hoje em dia. Se está a fim de experimentar um espetáculo diferente em termos musicais, esta é uma ótima pedida. Ainda mais porque ele é gratuito…

ROGER HODGSON

21 – Pepsi On Stage – Porto Alegre

Sem lançar nada de novo há dezessete anos, o ex-integrante do Supertramp vive a rodar o mundo arrancando uma grana de otários que ainda se comovem em ouvir as xaropadas que cantava em sua ex-banda nos anos 70 e começo da década de 80. Se ainda preservasse os arranjos originais, ainda vá lá. Só que Hodgson prefere transformar tudo em “música de churrascaria”, intercalando estas canções com as babas que gravou em sua insignificante carreira solo. Indicado só para quem tem memória afetiva daqueles sons do passado.

 

WANDA SÁ

21 – Bourbon Street – São Paulo

Estes shows marcam o lançamento de um novo álbum – Cá Entre Nós – desta cantora paulista, que se notabilizou como uma das grandes vozes da bossa nova nos anos 60, além de ter sido a vocalista de uma das ótimas bandas que Sergio Mendes montou nos Estados Unidos, o Brasil ’65. É um evento a não se perder, ainda mais porque vai rolar participação especial de Carlos Lyra. Biscoito fino!

CARIBOU

22 – Cine Joia – São Paulo

Este não é um grupo e muito menos tem a ver com o ótimo álbum que Elton John lançou em 1974. Trata-se de um dos codinomes usados pelo músico canadense  Dan Snaith, que faz um som que mostra o que aconteceria se o Moby e o Gary Numan fossem a mesma pessoa. Claro que ele tem uma banda de apoio, mas tudo sai da cabeça dele. A abertura ficará a cargo de Aldo, the Band, projeto dos irmãos Murilo e André Faria, conhecidos na noite como “DJ Mura” e “Faria Mori”, respectivamente. Dê uma arriscada, mas sem grandes expectativas…

BORKNAGAR

22 – Hangar 110 – São Paulo

Se você duvida que uma banda de black metal possa ser influenciada pelo chamado “metal progressivo”, sugiro que assista a este show e comprove a fórmula encontrada por este grupo norueguês para diferenciar seu som de seus colegas de estilo. Você pode se surpreender…

RENATO E SEUS BLUE CAPS

22 – Teatro Bradesco – São Paulo

É claro que o grupo merece verbetes na história do rock brasileiro, mas a verdade precisa ser dita: este é daqueles shows em que só os músicos em cima do palco se divertem. Pode apostar que a coisa vai parecer aquele churrasco de tiozões roqueiros meio ‘borratchos’, cantando e tocando músicas mais manjadas que pastel de queijo na feira. Se você for daqueles saudosistas dos tempos do Chacrinha, é provável que assista à apresentação com um sorriso nos lábios; caso contrário, fique em casa.