"É Show ou é Fria": últimos dias de março (30 e 31) e primeira semana de abril (1 a 5)

HAMILTON DE HOLANDA

30 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Um dos mais extraordinários instrumentistas da nova geração, ele deu ao bandolim uma linguagem absolutamente nova, quase revolucionária, a ponto de estabelecer uma até então inesperada ponte entre o chorinho e o jazz. Aqui ele mostra um show batizado como “Baile do Almeidinha”, no qual mostra suas habilidades interpretando forrós, sambas, frevo, choros, xotes e outros ritmos brasileiros. É um show indispensável para quem quer fugir do comodismo musical que impera nos dias de hoje.

 

ZAZ

30 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

2 – Espaço das Américas – São Paulo

A cantora francesa Isabelle Geffroy usa seu nome artístico para soltar alguns dos discos mais chatos dos últimos tempos. Se empregar no show a mesma “expertise” em sua apresentação, se prepare sentir um tédio mortal lá pela metade da segunda música. Mon Dieu, que l’ennui…

GABRIEL DE ALMEIDA PRADO

31 – Auditório Ibirapuera – São Paulo

Jovem compositor/cantor/violonista ele vai mostrar no palco as canções de seu álbum de estreia, A Língua e a Alma, lançado no ano passado e que traz, segundo o autor, algumas influências de Sérgio Sampaio, Luiz Melodia, Caetano Veloso, Chico César e Zeca Baleiro, entre outros. Como a apresentação é gratuita, não custa nada você dar uma espiada…

 

FÁBIO STELLA

31 – SESC Belenzinho – São Paulo

Conhecido por ser o autor de duas canções antológicas – a psicodélica “Lindo Sonho Delirante” e a própria “Stella”, tão importante na carreira que ele mesmo a assumiu como um sobrenome artístico -, o cantor e parceiro do lendário Tim Maia vai homenagear o amigo mostrando versões de “Azul da Cor do Mar”Primavera” e Descobridor dos Sete Mares”, além de algumas de sua própria autoria, como “Nossos Corações”Meu Jovem Amigo” e Socorro, Nosso Amor Está Morrendo”. Vale a pena dar uma conferida até como uma homenagem aos bons tempos ‘doidões’ da música brasileira.

MACACO BONG, HUEY E THE TAPE DISASTER

31 – Z Carniceria – São Paulo

Se você pensa que é impossível fazer rock instrumental de qualidade no Brasil, sugiro que você assista com bastante atenção aos shows destas três bandas. Os matogrossenses do macaco Bong já construíram uma boa base de fãs com seu som pesado, melodioso e intenso ao mesmo tempo, ao passo que os paulistanos do Huey e os gaúchos buscam seu lugar ao sol na cena underground com uma sonoridade bastante inquietante. Não deixe de ver!

 

ALEXANDRE PIRES

31 – Metropolitan – Rio de Janeiro

Só tem uma coisa que é tão ruim quanto esse “pagode xexelento” que anda por aí: é alguém que faz um “pagode xexelento” ainda mais romântico e travestido de uma “classe” tão verdadeira quanto uma nota de R$ 30. Assim é um show do ex-vocalista do Só Pra Contrariar, um negócio tão açucarado que, para evitar acidentes, deveria ter um detector de diabéticos na porta do show. Deus me livre!

 

TURMA DO PAGODE

31 – Carioca Club – São Paulo

Quem se importa com mais um dos 3.769 grupos de “pagode chifrudo” que existem por aí? Quem se importa com um grupo que só sabe cantar “lelelê”, “laialaiá” e mais um monte de letras ginasianas a respeito de dor do corno? Eu não. E você?

 

WANDER WILDNER

31 – Opinião – Porto Alegre

Até hoje não consigo entender porque uma dúzia de gatos pingados idolatra este cara como se fosse um “segundo Messias”. O gaúcho ex-vocalista dos Replicantes tem uma carreira solo horrorosa, canta mal pra cacete, se julga um “punk brega” e vai tocar neste show várias músicas de seu mais recente trabalho, Existe Alguém Aí?, que tem lá seus bons momentos, mas insuficientes para apagar a má impressão.Vá por sua conta e risco.

 

ROUPA NOVA

31 e 1 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

É aquela velha história: os caras são músicos extraordinários, com total domínio de seus instrumentos, mas ficaram presos a um mercado que não aceita nada que contenha um mínimo de criatividade musical. Resignada, a banda então vem se rendendo há anos em tocar coisas abomináveis como “Dona” e “Whisky a Go Go”, feitas especialmente para agradar a um público muito pouco exigente. Infelizmente, o Roupa Nova é a prova que todo país tem o Toto que merece…

 

NANDO REIS

31 e 1 – Citibank Hall – São Paulo

O ex-Titãs vinha mostrando que havia dado uma boa melhorada em suas apresentações quando começou a divulgar o álbum Sei. Mais conciso, sem as loucuras do passado, ele tinha dado provas de que finalmente aprendeu a valorizar seu bom trabalho. Ele agora volta a ter como Os Infernais como sua banda de apoio para divulgar seu mais recente disco, Jardim-Pomar. Pode ter certeza que será bem mais legal do que as apresentações “voz & violão” que ele vinha fazendo nos últimos tempos…

 

ZECA BALEIRO

31, 1 e 2 – SESC Pinheiros – São Paulo

Apesar de seus detratores alegarem que ele não faz nada de novo, a verdade é que Zeca Baleiro é um daqueles caras que podem ser acusados de qualquer coisa, menos de ser preguiçoso em relação ao seu trabalho musical. Sempre produzindo boas canções, com arranjos que muitas vezes fogem dos padrões tradicionais e com um discurso encorpado em termos poéticos, ele injeta certa dose de inconformismo dentro de uma cena que se mostra excessivamente passiva. De certa forma, reforça a minha opinião com estes shows, nos quais celebra o 20º aniversário de seu álbum de estréia, Por Onde Andará Stephen Fry?, tocando algumas de suas canções e versões para composições de Gilberto Gil, Belchior e Sergio Sampaio em arranjos para violoncelo, piano e acordeon. Recomendável!

 

FABIANA COZZAASSUCENA ASSUCENA e RAQUEL VIRGÍNIA

31 e 2 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Surgido a partir de uma nova versão do mitológico espetáculo Calabar – O Elogio da Traição, de Chico Buarque e Ruy Guerra e do longa-metragem Terra em Transe, de Glauber Rocha, as três cantoras montaram este show cujo repertório traz apenas canções que foram censuradas no obscuro passado ditatorial brasileiro. Por isso, vão rolar belas canções de Gonzaguinha, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, João Bosco, Belchior e do próprio Chico, evidentemente. É uma boa ideia que pode resultar em um espetáculo de primeira categoria…

 

“CALL THE POLICE”

31 – Tom Brasil – São Paulo

Como é que é? O ex-guitarrista do Police, Andy Summers, tocando apenas músicas de sua ex-banda, com o baixista do Barão vermelho, Rodrigo Santos no baixo e nos vocais e – o mais legal! – com João Barone na bateria, tocando todas aaqueles “encrencas rítmicas” do Stewart Copeland? Pelo amor de Deus, eu não perderia isso por nada neste mundo!

 

BANDA MANTIQUEIRA

1 – Auditório Ibirapuera – São Paulo

Pode ter certeza de que a volta deste grupo, fundado em 1991 pelo clarinetista Nailor Proveta e que passou muito tempo desativado nos últimos anos, vai ser uma agradável surpresa em todos os sentidos. Não apenas pela excelência musical de cada integrante, mas principalmente pela abordagem “big band” que os caras fazem para composições de Tom Jobim, Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola e João Bosco. Estão lançando um novo disco, Com Calma, com versões personalíssimas de canções de Dizzy Gillespie, Moacir Santos e outros compositores. Pode ir que é sonzaço!

JJ JACKSON

1 – SESC Belenzinho – São Paulo

Este autointitulado “bluesman” americano mora há 36 anos no Brasil e de tempos sai sabe-se lá de onde para fazer shows em que mostra um blues bem aguado. No ano passado ele lançou um CD/DVD, So Long, no qual recriou canções como “Azul da Cor do Mar” (Tim Maia), “Folhas Secas” (Nelson Cavaquinho), Trem Azul (Lô Borges), Fever (Peggy Lee) e My Girl” (Smokey Robinson), entre outras músicas. Mostrando que é apenas um vovô metido a crooner. Se você não for muito exigente, até que pode se divertir neste show, mas não espere muito dele…

NEY MATOGROSSO

1 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Ele apresenta mais uma vez o espetáculo Atento aos Sinais, que marca seus 40 anos de carreira artística, em que se apóia unicamente na excelência de sua interpretação para cativar a quem quer que esteja testemunhando a maneira como injeta sua própria personalidade em canções alheias, aliado a arranjos quase brilhantes. É um show com uma abordagem mais pop, em que Ney resgata composições de Paulinho da Viola (“Roendo as Unhas”), Caetano Veloso, Itamar Assumpção, Criolo, Lobão  (“Vida Louca”), Itamar Assumpção (“Fico Louco”), Dani Black (“Oração”) e Vitor Ramil, entre outros. É um show obrigatório para quem gosta de música como arte. Pena que tenha gente que não entenda isso e fique gritando “te amo”, “gostoso” e outras babaquices nos intervalos entre as canções e até mesmo durante as mesmas, o que é um porre…

 

VICTOR & LEO

1 – Metropolitan – Rio de Janeiro

A dupla infelizmente caiu dentro das armadilhas do ridículo mundo sertanejo, abandonando o forte acento pop/folk que os diferenciava dos “Brunos & Marrones da vida”, já que colocavam disfarçadamente em seu som elementos de grandes nomes como Neil Young e Bruce Springsteen, o que obviamente passava despercebido da parte de seu público retardado. Com isto, as letras que versam sobre o romantismo “dor-de-corno” caíram ainda mais de qualidade, as harmonias e melodias empobreceram consideravelmente e tudo agora mergulhou em um oceano de mediocridade. Pena…

 

ZÉ RAMALHO

1 – BH Hall – Belo Horizonte

Se existe um artista brasileiro com um repertório acima de qualquer suspeita na hora de montar um show, este é Zé Ramalho. Principalmente porque ele não é daqueles que deita nos louros do passado e está sempre compondo novas e instigantes canções. Pode apostar que o show será bem legal, com toneladas de hits e qualidade sonora impecável.

 

ROSA DE SARON

1 – Carioca Club – São Paulo

Os integrantes são bons músicos, aquela coisa toda, mas canções deste grupo gospel são muito, mas muito chatas. É um chororô que beira o insuportável, ainda mais porque o grupo anda agora sendo muito influenciado em termos sonoros pelo pavoroso Creed. E ainda vão aproveitar a ocasião para divulgar seu DVD acústico? Meu Jesus Cristo, que pesadelo…

 

OS TRAVESSOS

1 – Carioca Club – São Paulo

Sem ninguém pedir, este pavoroso grupo de pagode ‘mela calcinha’ resolve retomar suas atividades e trouxe de volta seu ‘bombado’ vocalista, Rodriguinho, cuja carreira solo foi um fiasco monumental, apesar de sua intensa presença nos mais variados programas de TV. Como era de se esperar, nada aconteceu, a ponto de Rodriguinho ter saído do grupo mais uma vez no ano passado. Agora como um quarteto, seus integrantes vão mostrar as músicas de seu novo disco, o pavoroso Resiliência. É um show indicado apenas para masoquistas que se julgam “românticos”…

 

BABY DO BRASIL

1 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Só pelo fato de a cantora ter sido convencida a retomar seu repertório antigo junto por seu filho Pedro Baby – que dirige o espetáculo e ainda toca na banda de apoio – já vale o ingresso desta apresentação. Ela vai mostrar músicas de seus tempos de Novos Baianos e de sua própria carreira solo nos anos 80 e, se Deus quiser, deixar de lado sua pregação “gospel amalucada” que já encheu o saco de todo mundo. E Ele há de querer…

 

ARMANDINHO

1 – Pepsi On Stage – Porto Alegre

Só por saber que este cidadão é aquele que canta uma das mais asquerosas composições da História da música brasileira em todos os tempos – “Desenho de Deus” – já é motivo suficiente para você ficar em casa, lendo um livro e dando um pouco mais atenção ao seu amor e aos seus filhos. Quando sabemos que o show de abertura ficará a cargo do horroroso Onze:20, aí é caso de você ainda por cima ter que trancar portas e janelas…

 

ÍNDIO CACHOEIRA & RICARDO VIGNINI

1 – SESC Santana – São Paulo

Para quem é apreciador da verdadeira música sertaneja, este espetáculo será um deleite para os ouvidos. Tudo porque o lendário violeiro é um instrumentista fantástico e suas composições são capazes de deixar boquiabertos até mesmo as pessoas poucos familiarizadas com o gênero. Ele estará ao lado de Ricardo Vignini, integrante do duo Moda de Rock e do grupo Matuto Moderno, um dos melhores violeiros e produtores da nova geração do estilo. Show recomendadíssimo!

ZÉ GERALDO

1 e 2 – SESC Santana – São Paulo

Que ele é um nome importante na história da MPB, não há dúvida. Mas assistir a um show de Zé Geraldo traz uma conotação de nostalgia que só empolga quem passou grande parte da sua vida universitária tocando violão no meio de um monte de meninas vestidas com batas indianas e cheirando patchouli. Mesmo assim, vale a pena dar uma conferida no show que promove o mais recente disco dele, Catadô de Bromélias, nem que seja para dar umas risadas da plateia “maluco beleza”.

 

ANELIS ASSUMPÇÃO

2 – Auditório Ibirapuera – São Paulo

A filha do falecido Itamar Assumpção tem boas canções e banda afiada. Só por isto o seu show já valeria a pena. Como “bônus”, há uma interessante mistura de ritmos e gêneros – samba, reggaehip hop e o que mais lhe der na telha. Como a base do show são as canções de seu mais recente álbum, Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários, recomendo uma boa espiada na apresentação. Ah, vai rolar participação do Liniker. Esteja avisado.

 

NUNO MINDELIS

2 – SESC Belenzinho – São Paulo

Um dos maiores representantes do blues da América do Sul é angolano de nascimento e brasileiro de coração, toca muito, é um compositor de mão cheia e, sabe-se lá por qual motivo, desenvolve uma carreira — internacional, inclusive – muito aquém de seu talento. Se você é daqueles que despreza a linguagem nacional para gêneros estrangeiros, sugiro comparecer a este show e dar o braço a torcer para o som deste excelente guitarrista. Ótima pedida!

 

DULCE MARIA

2 – Sacadura 154 – Rio de Janeiro

5 – Ópera de Arame – Curitiba

7 – Opinião – Porto Alegre

9 – Audio – São Paulo

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! O Brasil sempre foi mesmo o paraíso de aproveitadores, como são os casos de ex-integrantes do – graças a Deus! – finado RBD. Sozinhos ou em duplas, eles visitam nossa terra sempre exibindo uma absoluta falta de talento e um oportunismo que chega a dar náuseas. Agora é a vez da tal de Dulce Maria, quem tem uma carreira musical tão autêntica quanto uma nota de R$ 53 e vai exibir aqui uma ode ao nada, que é exatamente o que tem condições de oferecer. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!

 

THE ATOMIC BITCHWAX

5 – Clash Club – São Paulo

O trio americano tem em sua discografia ótimos álbuns que explicitam a proposta sonora dos caras, que é fazer um stoner pesadão com forte influência da psicodelia sessentista e até mesmo do rock progressivo. Nunca vi show do grupo – é a primeira que a turma vem para a América do Sul -, mas a julgar pela qualidade dos discos, é daqueles shows absolutamente imperdíveis! Ah, na abertura, vão rolar os shows de boas bandas nacionais: Grindhouse Hotel e Projeto Trator.