EBC censura notícias sobre assassinato no Carrefour, diz revista

Colaboradores Yahoo Notícias
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TOPSHOT - EDITORS NOTE: Graphic content / Relatives and friends of Joao Alberto Silveira Freitas, who died after being beaten by white security agents in a supermarket belonging to the Carrefour group, attend his funeral in Porto Alegre, Brazil, on November 21, 2020. - The death of a black man on Thursday night after being beaten by white security agents in a supermarket belonging to the Carrefour group in Porto Alegre unleashed a wave of indignation in Brazil. (Photo by SILVIO AVILA / AFP) (Photo by SILVIO AVILA/AFP via Getty Images)
(SILVIO AVILA/AFP via Getty Images)
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O assassinato de João Alberto Silveira Freitas, espancado até a morte por dois seguranças em uma unidade do hipermercado Carrefour, em Porto Alegre, no dia 19 de novembro, foi ignorado de propósito pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação), órgão público que gerencia a TV Brasil e a Agência Brasil.

Segundo a revista Época, funcionários da Agência Brasil receberam uma ordem por escrito em 20 de novembro, dia seguinte ao crime e Dia da Consciência Negra. Na ocasião, o Twitter da agência de notícias estatal teve uma publicação por hora: quatro sobre futebol e uma sobre uma agenda positiva do Itamaraty.

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Logo após o crime, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o vice, Hamilton Mourão (PRTB) adotaram uma postura negacionista, afirmando que “não há racismo no Brasil” e que “temos problemas muito mais complexos do que questões raciais”.

Sob Bolsonaro, a EBC acumula uma série de censuras. Em setembro do ano passado, demitiu o diretor de programação da TV Brasil, Vancarlos Alves, após uma imagem de Marielle Franco, vereadora assassinada em abril de 2018, aparecer durante cinco segundos em um programa da TV Brasil. Duas semanas depois, a emissora publicou no YouTube uma nova edição, sem Marielle. O programa foi extinto.

Em abril de 2019, a EBC ordenou aos funcionários que não usem o termo “fuzilamento” para falar do assassinato do músico Evaldo dos Santos Rosa, que teve o carro fuzilado pelo Exército com mais de 80 tiros de fuzis, no Rio de Janeiro.

Outra intervenção do governo na EBC ocorreu ao se referir à ditadura militar. O órgão público deve se referir aos anos de chumbo como “regime militar” e até “período militar”. Foram proibidas as palavras “ditadura” e “golpe”.