Cientistas austríacos mostram que fator genético é determinante em alergias

Viena, 19 abr (EFE).- Uma equipe de cientistas da Áustria demonstrou que o fator genético é crucial nas reações alérgicas, após descobrirem um mecanismo que, além disso, abre a perspectiva de novos tratamentos e medidas de prevenção, informou nesta quinta-feira a Universidade de Medicina de Viena (MedUni) em comunicado.

A principal conclusão da nova pesquisa, feita por uma equipe liderada por Winfried F. Pickl, catedrático do Instituto de Imunologia da MedUni, é que "se alguém desenvolve uma alergia ou não, isto depende em grande medida de fatores genéticos".

Os pesquisadores conseguiram demonstrar, a modo de exemplo e pela primeira vez, que o gene HLA-DR1, assim como células T reativas específicas, são determinantes nessas doenças autoimunes.

"Agora sabemos como o sistema cria a alergia na via molecular", o que permitirá "intervir muito melhor de forma preventiva e terapêutica no futuro", afirmou Pickl na nota.

Há muito tempo se suspeitava que as moléculas HLA desempenhavam um papel importante nas alergias, doenças autoimunes e infecções crônicas.

Agora, em um experimento com ratos, os cientistas constataram que a alergia à artemísia só pode ser desenvolvida por animais que têm o gene HLA-DR1.

O alérgeno da artemísia foi administrado aos ratos através do trato respiratório, ou seja, da mesma forma que costuma chegar ao organismo humano.

Pickl explicou que o gene mencionado, somado a uma maior presença de células T específicas e alérgenas que de células T reguladoras, desencadeou no rato "um surto explosivo de asma e a produção de imunoglobulina E", um anticorpo relacionado com a alergia.

A prova é considerada precisa porque os cientistas recorreram aos chamados ratos "humanizados": animais que levam um receptor humano de células T específicos para agentes alérgenos e que também apresentam moléculas de HLA humano, neste caso, HLA-DR1, em certas células.

"Nosso novo modelo é o primeiro que reflete a situação nos humanos", afirmou Pickl.

Os imunologistas da MedUni também puderam demonstrar que a administração de interleucina-2 (IL-2) ajuda a aumentar as células T reguladoras e a impedir o surto de asma alérgica.

"Isso abre possibilidades para eventuais vacinas futuras contra alergias nos humanos, sobretudo preventivas para grupos de risco, similar a uma vacinação comum", garantiu o cientista.

Não obstante, Pickl admitiu que "o modelo descrito no presente estudo é específico do alérgeno-chave da artemísia", mas acredita que essa descoberta poderá servir finalmente para outros agentes.

"Estamos trabalhando para desenvolver sistemas-modelo similares para todas as alergias", explicou Pickl.

O resultado da pesquisa foi publicado na revista "EBioMedizin", na véspera da Semana Internacional da Alergia, que acontece entre 22 e 28 de abril. EFE