Cientistas pedem mais pesquisas de vínculo entre pobreza e mudança climática

Roma, 19 abr (EFE).- As vítimas da pobreza são mais vulneráveis aos efeitos adversos da mudança climática, pela qual são necessários mais estudos que abordem os vínculos entre ambos problemas, segundo um grupo de pesquisadores.

O especialista do Centros Internacionais de Pesquisa Agrária (CGIAR) Dhanush Dinesh apontou nesta quarta-feira em Roma que identificaram uma importante falta de informação na literatura científica que existe em torno da mudança climática, da agricultura e da segurança alimentar.

"Encontramos poucos estudos centrados na pobreza, apesar das relações que tem com a vulnerabilidade à mudança climática ", disse Dinesh em uma reunião na Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A escassez de recursos e capacidades impede que muitas pessoas se adaptem aos efeitos da mudança climática e estima-se que o aquecimento global poderia empurrar outros cem milhões de pessoas à extrema pobreza para 2030.

Cerca de 2,1 bilhões de pessoas são atualmente pobres, das quais 767 milhões vivem em condições extremas, a maioria em zonas rurais onde dependem da agricultura para se alimentar e subexistir.

O coordenador do programa de pesquisas do CGIAR para mudança climática explicou que, além do "pouco explorado vínculo entre pobreza e mudança climática", faz falta prestar mais atenção às desigualdades sociais e de gênero como fatores de risco.

Após analisar 300 publicações especializadas dos últimos anos, Dinesh sustentou que também há "desequilíbrios" na informação a nível setorial e geográfico (no Sudeste Asiático se aborda mais a questão se comparado com regiões como a do Pacífico, onde rara vezes saem estudos).

O especialista destacou que as ações de adaptação ao clima no setor primário se centraram até agora sobretudo a nível local, visando uma mudança de práticas agrícolas e pecuaristas por outras mais resistentes.

No entanto, considerou que não se trabalhou o suficiente em outros aspetos importantes como o desenvolvimento dos seguros agrários, o planejamento para garantir a segurança alimentar e os sistemas de alarme para prevenir desastres.

Além da adaptação à mudança climática, as ações de mitigação de seus efeitos buscam reduzir em 2 graus centígrados o aumento da temperatura em comparação com os níveis pré-industriais, um objetivo fixado pelo Acordo de Paris assinado em 2015 e já ratificado por 142 países.

Segundo Dinesh, é preciso apostar por uma agricultura " mais inteligente em relação ao clima", já que com as tecnologias atuais somente será cumprida uma parte do que foi fixado para reduzir as emissões de gases de efeito estufa nesse setor, que representa uma décima parte dessas emissões a nível global. EFE