Ecko: Saiba como o servente de pedreiro se tornou o miliciano mais procurado do Rio

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RIO - Wellington da Silva Braga, o Ecko, era servente de pedreiro e se tornou o miliciano mais procurado do Rio, com recompensa de R$ 10 mil por informações ao Disque-Denúncia que levassem a seu paradeiro. Sua chegada ao controle da organização criminosa pode ser considerada um “negócio de família”. O comando tinha ficado vago em abril de 2017, após a morte, em confronto com a polícia, de seu irmão, Carlos Alexandre Braga, o Carlinhos Três Pontes. Ecko não esperou ordens dos chefões presos para assumir a milícia e começou rapidamente a traçar sua ascensão.

Usuário de drogas e apontado como um homem violento, seu nome desagradou parte dos integrantes do bando. Mas, da mesma maneira que o irmão havia feito anos antes, o miliciano foi eliminando possíveis concorrentes e desfazendo as resistências. No caminho, foi ficando um rastro de sangue.

Diferentemente de seu antecessor — considerado um chefe espalhafatoso, que deixava ser bastante filmado e fotografado, frequentava bailes, tinha um time de futebol amador e ia aos campeonatos, onde era homenageado na beira do campo —, Ecko tinha um perfil mais discreto. Reservado, não era de aparecer em público. Tanto que, até pouco tempo, a polícia só tinha acesso a duas fotos do criminoso: a 3x4 tirada para sua identidade e uma em que aparece abraçado a uma mulher, durante uma festa.

Se Carlinhos Três Pontes tinha sido fundamental para que a milícia expandisse suas atividades para áreas dominadas pelo tráfico, Ecko seguiu tendo como estratégia a manutenção de uma aliança com uma facção criminosa no estado. Ele admitia ex-traficantes em seu grupo e permitia o tráfico de drogas em territórios nos quais mantinha o controle, em troca de uma parte dos lucros.

Um aliado importante na trajetória de Ecko foi o ex-policial militar Adriano da Nóbrega, acusado de comandar a milícia de Rio das Pedras, morto numa operação policial no interior da Bahia, em fevereiro de 2020. A cumplicidade entre os dois tornou possível uma inédita aliança entre diferentes grupos criminosos, que acabou ampliando o avanço dos paramilitares pelo estado. Eles passaram a ser sócios, atacando favelas dominadas pelo tráfico e, juntos, defendendo seus redutos de ataques rivais.

Além disso, a expansão da milícia da Zona Oeste pela Baixada Fluminense se tornou possível graças a uma série de pactos fechados entre Ecko e milicianos locais, que tinham dificuldade de se estabelecer em razão das investidas do tráfico. Os acordos, na prática, criaram uma grande coalizão chefiada por Ecko.

Apesar de todo esse poder, que se estendia também pela Costa Verde, Ecko nunca tinha sido preso, e seu sigilo telefônico nunca havia sido quebrado. Contra ele, pesava uma longa lista de mandados,incluindo crimes como homicídio, extorsão, posse ou porte ilegal de arma, associação criminosa e ocultação de bens.

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