Economia dos EUA tem crescimento recorde de 33,1% no 3º tri

Por Lucia Mutikani
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Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - A economia dos Estados Unidos cresceu a um ritmo recorde no terceiro trimestre depois de o governo injetar mais de 3 trilhões de dólares em medidas de alívio à pandemia que alimentaram os gastos dos consumidores, embora as cicatrizes da recessão provocada pela Covid-19 devam demorar um ano ou mais para sumir.

O Produto Interno Bruto recuperou-se a uma taxa anualizada de 33,1% no trimestre passado, informou o Departamento do Comércio em sua primeira estimativa nesta quinta-feira. Esse foi o ritmo mais forte desde que o governo iniciou os registros em 1947 e seguiu-se a uma contração recorde de 31,4% no segundo trimestre.

Na comparação anual, o PIB aumentou 7,4% no trimestre passado depois de encolher 9,0% entre abril e junho. A produção está 3,5% abaixo do nível do quarto trimestre. A recuperação reverteu cerca de dois terços da queda do PIB no primeiro semestre.

Economistas consultados pela Reuters projetavam que a economia iria expandir a uma taxa de 31% no trimestre entre julho e setembro, depois de ter caído em recessão em fevereiro.

Faltando cinco dias para a eleição presidencial, o presidente Donald Trump provavelmente vai usar a recuperação do PIB como um sinal de retomada.

Mas a produção norte-americana continua abaixo do nível visto no quarto trimestre de 2019, fato que o candidato democrata, Joe Biden, deverá destacar junto com sinais de que o impulso de crescimento está perdendo força.

O pacote de resgate do governo forneceu ajuda a muitas empresas e desempregados, aumentando os gastos dos consumidores, que por sua vez alimentaram o salto do PIB. Mas o financiamento do governo se esgotou sem nenhum acordo à vista de outra rodada de alívio.

Os novos casos de Covid-19 estão aumentando com força em todo o país, forçando novas restrições a empresas como restaurantes e bares.

A renda pessoal despencou a uma taxa de 540,6 bilhões de dólares no terceiro trimestre depois de subir a um ritmo de 1,45 trilhão no segundo trimestre. A diminuição da renda foi atribuída a declínios nas transferências do governo relacionadas aos programas de alívio da pandemia.

Com a recuperação do mercado de trabalho desacelerando, a perspectiva para os gastos ao consumidor é fraca.

Apenas pouco mais da metade dos 22,2 milhões de empregos perdidos durante a pandemia foram recuperados, e as dispensas persistem.

Relatório separado do Departamento do Trabalho mostrou nesta quinta-feira que 751 mil pessoas entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego na semana encerrada em 24 de outubro, contra 791 mil no período anterior.

Embora os pedidos tenham caído do recorde de 6,867 milhões em março, eles permanecem acima do pico de 665 mil visto durante a Grande Recessão de 2007-09.

Os gastos dos consumidores, que respondem por mais de dois terços da economia dos EUA, se recuperaram a uma taxa recorde de 40,7% no terceiro trimestre, puxadas por compras de bens como veículos, roupas e sapatos. Os gastos em serviços aumentaram, embora tenham permanecido abaixo do nível do quarto trimestre.

Isso aumentou as importações, resultando no aumento do déficit comercial. Algumas das importações, entretanto, acabaram nos armazéns. O acúmulo dos estoques compensou o impacto do comércio sobre o PIB.