Economia dos EUA se recupera e aponta que o melhor está por vir

Ariela NAVARRO
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Reabertura de lanchonete em Los Angeles, Califórnia

A economia dos Estados Unidos começou sua recuperação após a crise pela pandemia, com dados sólidos de crescimento no primeiro trimestre, resultado do gigantesco plano de alívio do governo que reviveu o consumo e o emprego, mas também impulsionou o aumento dos preços.

No primeiro trimestre de 2021, o PIB dos Estados Unidos cresceu 6,4% na projeção anual (o crescimento que teria em 12 meses se a conjuntura continuasse estável) devido a uma recuperação do consumo e um aumento do gasto público, que refletem a recuperação em marcha, segundo a primeira estimativa do Departamento de Comércio publicada nesta quinta-feira (29).

Com a reabertura de grande parte do comércio e os gastos estimulados pelas ajudas públicas, os preços aumentaram e a inflação acelerou a 3,5% entre janeiro e março, contra 1,5% no último trimestre de 2020, informou o Departamento do Comércio.

Enquanto isso, os novos pedidos de seguro-desemprego - índice que mede o nível de desempregados - caíram para 553.000, somando três semanas de queda.

"Os Estados Unidos estão avançando de novo. Transformando o risco em possibilidades. A crise em uma oportunidade. Os retrocessos em fortalezas", defendeu Biden em seu primeiro discurso ao Congresso na noite de quarta-feira, antes da publicação desses dados.

O presidente democrata discursou para marcar os primeiros 100 dias de seu governo, durante os quais já aprovou um imenso pacote de estímulo por 1,9 trilhão de dólares que incluiu a entrega de cheques de 1.400 dólares para as famílias e auxílios para as empresas.

Depois, propôs dois planos de cerca de 4 trilhões de dólares para reformar o país, renovar a infraestrutura, mudar a matriz energética para combater a mudança climática e criar empregos para as pessoas de baixa renda e sem estudos.

Tudo isso junto ao aumento dos impostos aos mais ricos, mas sem afetar ninguém que ganhe menos que 400.000 dólares por ano.

"É hora de as empresas americanas e o 1% mais rico dos americanos começarem a pagar sua cota justa", defendeu.

- Economia que floresce -

O índice de crescimento mostra o quanto a economia avançaria se a taxa fosse mantida por um ano. Mas em comparação com o trimestre anterior, o PIB dos Estados Unidos cresceu 1,6%.

O FMI estima que os Estados Unidos vão registrar um crescimento de 6,4% este ano, uma previsão que Biden destacou em seu discurso e que parece se ajustar aos números do primeiro trimestre.

"Será o ritmo de crescimento econômico mais rápido deste país em quase quatro décadas", afirmou.

Os Estados Unidos - país com maior número de mortos por covid-19 - lançaram uma rápida campanha de vacinação, que permitiu que mais da metade da população adulta já tenha recebido ao menos uma dose do imunizante.

Isso possibilitou a reabertura de muitos comércios e impulsionou o gasto, incentivado pelas ajudas públicas.

Os consumidores compraram carros, casas e bens de consumo de grande valor, assim como pagaram por serviços como hotéis e restaurantes, ao mesmo tempo que os gastos federais subiram 14% no trimestre.

A consultoria Oxford Economics explicou que no início de 2021 a economia americana teve uma tendência positiva forte, que incluiu a melhora nas condições de saúde, a rápida campanha de vacinação e uma "dose efervescente" de estímulo fiscal, com um fluxo constante de apoio monetário.

"Olhando para o futuro, vemos uma economia americana que floresce na primavera e se encaminha para um boom no verão" boreal, disseram os especialistas, que destacaram que em 2021 a economia poderia crescer 7,5%, o que marcaria seu melhor desempenho desde 1951.

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