Economia mundial atenta à Europa, mas EUA e China também preocupam

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A economia mundial, que na realidade ainda não se recuperou da recessão de 2009, continua pendente da solução da crise europeia, mas também exige atenção aos Estados Unidos e aos países emergentes, que apresentam sinais preocupantes, disseram economistas reunidos no sul da França.

"Não foram feitas ainda as reformas necessárias para esboçar uma recuperação e por isso as mesmas causas continuam produzindo os mesmos efeitos", disse à AFP Olivier Pastré, professor universitário e membro do círculo de economistas que organiza anualmente debates em Aix-en-Provence.

Nos últimos meses, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas previsões tanto para alta como para a baixa.

A próxima projeção será pior, advertiu na sexta-feira a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.

"As perspectivas atuais são mais preocupantes", afirmou.

Segundo Lagarde, os investimentos, o emprego e a produção têm se deteriorado e não só na Europa ou nos Estados Unidos, mas também em muitos países cruciais como Brasil, China e Índia".

A zona do euro, no entanto, continua sendo o epicentro das preocupações.

Para o economista Anton Brender, a piora da preocupação deprime a demanda em grande parte da economia mundial e a crise do euro desacelera perigosamente o crescimento nos Estados Unidos e nos países emergentes.

"Esta situação atual é particularmente preocupante, uma vez que se o motor da economia norte-americana parar, seria muito difícil voltar a fazê-lo arrancar novamente, devido principalmente ao déficit público dos Estados Unidos", explica Brender. "O problema passaria então de uma grande recessão para uma nova grande depressão", completa.

A solução, em sua opinião, seria a suavização das medidas de austeridade impostas aos governos europeus, que matam qualquer chance de recuperação.

Contudo, os economistas presentes em Aix se mostraram divididos quanto ao futuro da zona do euro.

De acordo com Olivier Pastré, a União Europeia nunca demonstrou tantos sinais de avanço como agora. Para Christian Stoffaës, os mercados financeiros constataram que haviam subestimado o apego ao euro dos europeus.

Já para Nouriel Roubini, os esforços realizados até o momento pela zona do euro não bastam. "Caso não seja adotada uma 'bazuca' financeira contra a especulação nas próximas semanas, Itália e Espanha perderão seu acesso aos mercados devido ao aumento das taxas de juros que têm que pagar por sua dívida, o que complicaria ainda mais a situação", afirma.

Contudo, a economia também cambaleia fora da Europa.

O FMI deixou claro que a recuperação da economia norte-americana segue "apática e submetida a riscos altos" devido às tensões financeiras da zona do euro e aos problemas orçamentários nos Estados Unidos.

Quanto à China, a segunda queda das taxas juros em um mês, anunciada esta semana, gera temores de uma desaceleração maior que a prevista.

"A desaceleração do crescimento das potências emergentes é conjuntural e estrutural, já que é más fácil sair da absoluta pobreza que superar a situação atual, criando uma classe média e uma economia sólidas", disse Pastré.

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