Economia da zona do euro registra sua maior expansão em dez anos

Por Toni CERDÀ
Presidente do BCE, Mario Draghi, em Bruxelas, em 15 de dezembro de 2017

A economia da zona do euro cresceu 2,5% em 2017, sua maior expansão anual desde o início da crise financeira mundial há dez anos, confirmando a recuperação econômica europeia.

"No conjunto de 2017, o PIB progrediu 2,5%" nos 19 países do euro, afirmou a agência europeia de estatísticas Eurostat em uma nota. A cifra supera em mais de meio ponto a marca de 2016 (1,8%).

A zona do euro registrou desta maneira a maior expansão desde a crise financeira mundial que atingiu o bloco europeu. Em 2007, o crescimento foi de 3%.

"Crescimento da zona do euro em uma base sólida", destaca Jasper Lawler, do London Capital Group, para quem "o crescimento da zona do euro foi mais rápido do que nos Estados Unidos".

A economia dos Estados Unidos de Donald Trump cresceu 2,3% em 2017, oito décimos acima do índice de 2016, mas longe do objetivo de 3% estabelecido pelo presidente americano.

O crescimento anual também supera a última estimativa da Comissão Europeia, divulgada em novembro, com uma projeção de 2,2%, e do Banco Central Europeu (BCE), que precisa 2,4%.

No quarto trimestre de 2017, o crescimento do PIB foi de 0,6%, percentual que coincide com as estimativas dos analistas pelo provedor de serviços financeiros Factset.

- 'A todo vapor' -

"Parece que a economia da zona do euro continua a todo vapor", destacou Bert Colijn, analista do ING, indicando que, apesar de o investimento "não ter se recuperado totalmente da crise", ele contribuiu para a expansão.

A Eurostat não forneceu dados por país, embora o crescimento anunciado pelas maiores economias do euro para 2017 - Alemanha (2,2%), França (1,9%) e Espanha (3,1%) - aponte para uma expansão generalizada.

A Comissão Europeia celebrou o "forte crescimento", após anos de crise da dívida, em um momento em que a incerteza paira no bloco devido à futura saída do Reino Unido da UE em 2019.

As consequências da recente crise econômica também melhoram na zona do euro, com o desemprego em novembro em seu nível mais baixo desde janeiro de 2009, em 8,7%, e com o déficit público sob controle.

Colijin destacou assim que "o consumo continua a melhorar" no continente, "à medida que o desemprego continua diminuindo". O dado anual do número de desempregados é esperado para esta quarta-feira.

No conjunto dos 28 países da União Europeia, a economia cresceu 2,5% em 2017, com um avanço de 0,6% no último trimestre do ano. Em 2016, a expansão foi de 1,9%.

A confiança econômica na zona do euro ficou, em janeiro, em seu nível mais alto há 17 anos (114,7 pontos), apesar de um declínio de seis décimos em relação a dezembro, informou a Comissão nesta terça-feira.