'Economist' traz Cristo com máscara de oxigênio e diz que 'será difícil mudar curso do Brasil' com Bolsonaro

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RIO - Em seu relatório especial de junho, divulgado nesta quinta-feira, a revista britânica "The Economist" traz um desenho do Cristo Redentor com uma máscara de oxigênio e avalia que o Brasil, vivendo uma "década sombria", dificilmente mudará o curso atual de estagnação econômica e desastres sanitário e ambiental caso o presidente Jair Bolsonaro seja reeleito em 2022.

Na conclusão do relatório, a revista afirma que a "prioridade mais urgente" deve ser a mudança presidencial pelo voto, sem apontar um possível sucessor. O texto também diz que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontado à frente de Bolsonaro em pesquisas recentes, "deveria oferecer soluções, não saudades", e criticou também aspectos de gestões petistas ao longo de suas oito reportagens.

"Os políticos precisam enfrentar o atraso nas reformas econômicas. Os tribunais precisam reprimir a corrupção. E o mercado, ONGs e brasileiros comuns precisam protestar em favor da Amazônia e da Constituição. Mas será difícil mudar o curso do Brasil enquanto Bolsonaro for o presidente. A prioridade mais urgente é retirá-lo do cargo pelo voto", diz a conclusão do relatório.

Em edições anteriores, a "Economist" já usou diferentes desenhos com o Cristo para ilustrar momentos variados da trajetória política e econômica brasileira. Em 2009, a revista estampou a estátua alçando voo no alto do Corcovado, no Rio, com a manchete "O Brasil decola" e um texto elogioso aos avanços econômicos e sociais do país no segundo mandato do governo Lula.

Em 2013, em um cenário de estagnação e protestos populares, o desenho mostrou a estátua em trajetória descendente, sob a pergunta "O Brasil estragou tudo?". Três anos depois, já durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, a capa da revista britânica ilustrou um Cristo segurando um cartaz com pedido de socorro, avaliou que Dilma "decepcionou o país", mas alertou que adversários que tramavam sua derrubada são "piores do que ela".

No texto publicado nesta sexta-feira, a "Economist" avalia que, em que pesem problemas enfrentados pelo país ao longo da última década, o governo Bolsonaro agravou a situação com "instintos autoritários" e ataques na área ambiental, além de pouco avançar na agenda de reformas. Outros aspectos avaliados no relatório sobre o Brasil são o crime organizado e o papel de lideranças evangélicas no atual governo.

"Os desafios são assustadores: estagnação econômica, polarização política, ruína ambiental, regressão social e um pesadelo ambicioso. E teve de suportar um presidente que está minando o próprio governo", afirma o texto.

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