'=': Ed Sheeran lança disco em que dá adeus à juventude e celebrando vida em família

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“Eu cresci, sou pai agora. Tudo mudou, mas de alguma forma ainda sou o mesmo.” Pronto: nos primeiros versos da primeira canção (o rock vitaminado, meio Bruce Springsteen “Tides”), o cantor inglês e pop star Ed Sheeran conseguiu resumir a historinha que vai contar em “=”, o seu quarto álbum solo, lançado esta sexta-feira. Casado com a amiga de infância Cherry Seaborn, com quem teve ano passado a filha Lyra Antarctica, Sheeran, de 30 anos, passa o disco ocupado com reflexões sobre a nova condição de sua vida – depois de anos imerso nas diversões, inconsequências e revezes típicos do estrelato.

Ao lado de parceiros e produtores como Andrew Watt e Johnny McDaid (do grupo Snow Patrol), o inglês não se afasta um milímetro da calculada programação obedecida em “+” (2011), “x” (2014) e “÷” (2017) - a que o fez ser um dos maiores nomes da música dos últimos anos, e o artista da década passada do Reino Unido.

Sem qualquer surpresa, “=” soa exatamente como uma síntese dos seus álbuns anteriores, eliminando experiências mal-sucedidas e concentrando no que ele faz de mais eficiente: folk-pop e r&b com boa qualidade vocal, refrãos aliciadores e a disposição de não ofender quem quer que seja.

A trajetória do disco é bem evidente na disposição de suas faixas. Depois de um “Tides” em que ele menciona os arrependimentos que teve ao longo da vida, vem a dançante (e bastante inspirada em Weeknd), “Shivers”, espécie de despedida da vida louca de solteiro, a “Shape of you” desse disco. Segue-se a delicada “First times”, na qual Sheeran diz à mulher que 80 mil pessoas cantando com ele no estádio de Wembley não se comparam às pequenas coisas da vida quando estão juntos. Fofo.

Lançada em single, “Bad habits” (mais na região Maroon 5 do pop) é uma outra chance para o cantor lembrar dos maus hábitos da juventude, que o fizeram ficar conversando com estranhos que mal conhecia... mas que também o levaram direto aos braços do seu amor. Daí em diante, é só romance. Sheeran evoca mais uma vez Weeknd em “Overpass graffiti” (“nunca seremos apagados, como grafitti na passarela”), encarna o melhor Bee Gees melancólico em “The Joker and The Queen” e relembra o estilo white-boy-soul de Justin Timberlake em “2 step”.

A taxa de glicose de “=” ameaça atingir níveis perigosos a caminho do fim, nas faixas “Visiting hours” (feita para o Michael Gudinski, seu mentor, que amigo que morreu de Covid este ano) e em “Sandman”, peça infantil, com xilofone e ukulele, composta para a filha (“papai fez sua cama e sua canção de ninar / e mamãe fez o móbile no céu”). O que salva o disco do excesso de pieguice é a inspirada faixa de encerramento, “Right now”, um tecnopop espacial (trilha da volta para a vida caseira), que bem caberia no novo disco do Coldplay – ou em algum de Moby.

Cotação: Bom

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