Eddy Jr. lança EP 'Meus contos' como símbolo de resistência após caso de racismo no prédio onde mora em São Paulo

Eddy Jr. lançou nesta semana o EP "Meus contos", que possui quatro faixas: "Olhos abertos", "4001", "Capitão" e "Predestinado". A novidade musical surge como símbolo de resistência diante do racismo contra ele no prédio onde mora em São Paulo. A situação, registrada em vídeo no último dia 18, repercutiu na web e gerou revolta entre internautas. Nas imagens, a vizinha identificada como Elisabeth Morrone se recusa a entrar no elevador junto com Eddy e o xinga.

"O terror da minha vizinha agora não vai ser só o elevador, mas sim os netos dela me ouvindo, os vizinhos ouvindo, os parentes, e se pá até ela vira fã", disse Eddy Jr. em post no Twitter na segunda-feira.

O músico e humorista explicou que, no processo de criação do EP, decidiu colocar em suas letras o que ele próprio vivenciou.

"Quero passar a mensagem de que nunca podemos desistir e abaixar a cabeça por nada e ninguém, acreditar em nossos sonhos e em nossa arte", declarou.

No Instagram, Eddy Jr. começou uma postagem sobre o EP com um versículo bíblico para celebrar o lançamento: "Todas as coisas cooperam para o bem". (Rm 8:28).

"Acredito que todo esse sentimento ruim, toda essa insegurança, todos esses gatilhos criados dentro de mim vão servir para algo muito maior", afirmou.

Referindo-se ao caso de racismo que sofreu, Eddy Jr. agradece o apoio a todos "que compartilharam esse momento triste e constrangedor".

"Quero dizer que, muito obrigado por fazer nossas vozes serem ouvidas, e peço pra todos que deram ouvido pra esse caso, deem ouvido para esse álbum kk", disse. "Se essa racista achava que estava me menosprezando, ela só estava sendo usada pra um propósito muito maior e cooperando pro bem".

A vizinha em questão proferiu várias ofensas racistas para Eddy, como "neguinho", "macaco" e "imundo", e tentou expulsá-lo do local. Na postagem no Instagram, Eddy ressaltou: "Macaco, imundo, feio, urubu, neguinho, um perigoso que não merece morar aqui, uma pessoa que oferece riscos para os moradores desse condomínio, foi isso tudo que eu tive que ouvir ontem (dia 28 de outubro de 2022) por ser Preto".

Na legenda, Eddy diz que foi ameaçado de morte e precisou ficar recluso dentro de casa.

"Pra finalizar, tive que ficar dentro da minha casa sofrendo ameaça de morte e calúnias sobre mim novamente por ser Preto…", afirmou.

A Justiça determinou que a autora das ofensas racistas contra Eddy Jr. se mantenha distante dele em pelo menos 300 metros, sob pena de prisão preventiva.

Conforme o portal g1 informou nesta quarta-feira, a medida protetiva foi solicitada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Paulo (DHPP) e proíbe também que a agressora mantenha qualquer tipo de contato com a vítima.

Elizabeth segue sendo investigada pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).