Edegar Pretto insiste em cabeça de chapa do PT e critica regime de recuperação fiscal

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - O pré-candidato do PT ao Governo do Rio Grande do Sul, Edegar Pretto, mantém o impasse em torno das candidaturas de esquerda no estado. Diz que aceita negociar uma composição com os demais partidos, mas reivindica ao PT "o tamanho que ele tem".

Em sabatina à Folha de S.Paulo e ao UOL, nesta segunda-feira (13), o deputado estadual também criticou duramente a renúncia de Eduardo Leite (PSDB) e duas das suas principais vitórias no Legislativo: a aprovação do regime de recuperação fiscal e a privatização da estatal de energia CEEE.

Pretto negou que a preferência do ex-presidente do Luiz Inácio Lula do Silva no Rio Grande do Sul fosse pela candidatura do ex-deputado federal Beto Albuquerque (PSB).

"Eu tive com o presidente Lula em uma reunião de duas horas e ele nunca pediu para que eu retirasse meu nome. Lula sabe que já fizemos um amplo diálogo com a nossa base. O primeiro encontro que ele teve aqui foi com os sete partidos que em nível nacional o estão apoiando. Nessa semana, PT, PC do B e PV, agora como federação, reabrimos um diálogo com o PSB que nunca fechou. É mais uma tentativa de entendimento", diz.

A passagem do ex-presidente Lula pelo RS esfriou a candidatura de Pretto. Em 28 de maio, três dias antes do desembarque de Lula, o deputado realizou um evento de lançamento da candidatura, com direito a jingle e presença de petistas ilustres, como Dilma Rousseff e Tarso Genro.

Mas, em vez de apoiá-lo nominalmente, Lula deixou o estado com repetidos pedidos para que os partidos de esquerda se entendam e cheguem a um acordo em relação às candidaturas a governador e senador.

Para reivindicar a cabeça de chapa, Pretto argumenta que o PT tem a maior bancada da Assembleia Legislativa, com nove deputados, e que trabalha por sua candidatura desde abril de 2021.

Sobre um possível retorno de Leite à disputa, Pretto criticou o tucano por "dar as costas ao estado" em meio à maior estiagem em 70 anos. No entendimento do petista, Leite deixou de governar desde que deu início às aspirações presidenciais.

"Agora a gente consegue compreender o porquê desse desgoverno. Desde a metade do ano passado, quando ele tomou essa decisão que ele disputaria as prévias internamente [do PSDB, contrea João Doria], ele parou de governar o estado. Lançou vários programas: ‘avançar’, ‘assistir’ e fugiu", diz Pretto.

O petista critica ainda Leite por ter formado uma base de apoio prometendo não concorrer à reeleição: "Ele apresentou como candidato a vez passada como uma jovem renovação da direita e sempre gera uma expectativa. E foi uma grande decepção inclusive para este que vos fala. Ele se caracterizou por faltar com a verdade. As pessoas têm muito dúvida, agora, de escrever o que ele fala. Ele não compreendeu que para nós, gaúchos, palavra tem um significado".

O pré-candidato do PT não fala com todas as letras que rejeitaria a adesão do estado ao regime de recuperação fiscal caso seja eleito, mas diz que espera que "a adesão não seja formalizada" por considerá-la "um péssimo negócio".

Nas contas de Pretto, o Rio Grande do Sul já pagou, por uma dívida de R$ 9 bilhões contraídas em 1996, R$ 37 bilhões e ainda estão pendentes R$ 73 bilhões. O deputado diz ainda que a base do governo Leite foi enganada e votou pela adesão ao regime considerando um pagamento de R$ 400 milhões em 2023 ao governo federal, sendo que a cifra verdadeira seria de R$ 2 bilhões.

"No apagar das luzes de um governo a que ele renunciou, Leite quis aprovar um congelamento do nosso orçamento pelos próximos 10 anos", declara.

Pretto promete também um "olhar de lupa" para o contrato de privatização da CEEE, que, segundo o deputado, foi concedida sem a segurança de que o serviço seria prestado de forma adequada e com a imediata demissão de mais de mil servidores.

"Leite quer apenas comprovar ao Deus mercado que ele é um privatista competente."

Pretro é filho de Adão Pretto, um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul e deputado estadual pelo PDT e pelo PT por seis mandatos consecutivos.

Em 2009, ele morreu vítima de uma pancreatite. Edegar se elegeria deputado estadual pela primeira vez no ano seguinte. Em 2017, presidiu a Assembleia do RS. Pela ligação familiar com os movimentos rurais, Pretto foi questionado se mobilizaria a Brigada Militar para cumprir desapropriações.

"Eu não vou renegar minhas origens. Venho do cabo e de enxada com muito orgulho. Saí dessa condição aos 15 anos quando meu pai foi escolhido pra largar uma enxada e pegar uma caneta. (...) O papel da forças de segurança é cumprir ordem, é cumprir a lei. Obviamente que tem caminhos para se fazer cumprir a lei. Primeiramente priorizar a negociação. Segundo, a preservação da vida."

Por fim, Pretto foi questionado sobre como pretende combater a evasão escolar. Conforme o Censo Escolar divulgado em maio passado, o RS sofreu uma evasão de 10,7% dos estudantes da rede pública em 2021, quase o dobro da média nacional, de 5,6%. O pré-candidato petista focou a resposta em dar maior infraestrutura.

"Aqui no Rio Grande do Sul, 83% das escolas públicas não têm um pátio para recreação e 14% não têm banheiro funcionando. Precisamos imediatamente de investimentos em estrutura para um melhor acolhimento", declara.

Pretto promete ainda atuação mais ampla em escolas de regiões "mais deprimidas economicamente" para o combate à fome e à insegurança alimentar.

"As crianças precisam receber um café da manhã ao chegar à escola. Aquelas que necessitarem terão almoço antes de ir embora, e quem chegar à tarde também terá uma refeição esperando. Porque nenhuma criança aprende de barriga vazia."

O petista abriu a série de sabatinas com pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL.

Nesta segunda-feira (13), às 16h, será a vez do ex-deputado federal Vieira da Cunha (PDT). Na terça-feira (14), as entrevistas seguem com o senador Luis Carlos Heinze (PP), às 10h, e com o atual governador, Ranolfo Vieira Júnior (PSDB), às 16h.

Na quarta-feira (15), as sabatinas se encerram com as entrevistas do ex-deputado federal Beto Albuquerque, às 10h, e do ex-ministro e deputado federal Onyx Lorenzoni (PL), às 16h.

A sabatina foi conduzida pelo colunista do UOL Kennedy Alencar, e pelos jornalias Tales Faria, do UOL, e Alexa Salomão, da Folha de S.Paulo.

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