Ederson x Flamengo: quais as últimas atualizações do processo de quase R$ 1 milhão que ele move contra o clube

Marcello Neves
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Gilvan de Souza/Divulgação Flamengo

A relação entre Ederson e Flamengo azedou de vez. Após o zagueiro Dener, revelado nas categorias de base, publicar em seu perfil em uma rede social que encerrou sua carreira aos 23 anos por causa de problemas físicos, o ex-meio-campista também criticou o tratamento do departamento médico do Rubro-Negro e os chamou de "incompetentes". Tudo isso em meio a um processo judicial que o atleta move contra o clube e deve ter atualização nas próximas semanas.

Ederson está cobrando quase R$ 1 milhão do Flamengo por danos morais devido ao tratamento da lesão sofrida no joelho, em 2016. Ele entende que tem direito a receber títulos de diferença salarial, reajustes, verbas e benefícios indenizatórios e indenização por dano moral durante o período em que esteve lesionado no Rubro-Negro.

Ederson também alega “tratamento inadequado” e que a sua volta aos gramados foi forçada.

“Pelo tratamento inadequado forçando-o a treinar e retornar a jogar quando ainda lesionado, o que levou o reclamante a conviver com a dor, aposentar-se prematuramente e sofrer redução salarial, faz jus a indenização por dano moral de R$100.000,00", afirma o processo, ao qual o GLOBO teve acesso.

A parte correspondente aos danos morais é de R$ 100 mil. Além disso, o ex-meia contesta um reajuste contratual não pago pelo Flamengo, no valor total de R$ 425 mil; R$ 412,5 mil por uma redução salarial feita em 2018; além de R$ 46.835,00 em diferentes custos processuais.

No último dia 17 de dezemnbro, Ederson pediu que fosse autorizada a produção de prova pericial com um ortopedista, o que a juíza Elisabeth Manhaes Nascimento Borges acatou. Foram juntados aos autos os exames de câncer, ressonâncias no joelho, exames médicos das operações que passou, além de um laudo médico, desde o período que chegou ao Flamengo. O processo corre na 37ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro do Tribunal Regional do Trabalho da Primeira Região (TRT-1).

Na publicação de Dener, Ederson afirma que sofreu "com dores absurdas todos os dias, durantes meses", mas sofreu "ainda mais tendo que ouvir eles dizerem que não era nada, que eu tinha que treinar e superar a dor que meu problema era na cabeça, etc"

Consultado, o Flamengo não vai se pronunciar sobre o caso. Nas redes sociais, no entanto, o vice geral do clube, Rodrigo Dunshee afirmou que "Ex atletas não são qualificados para julgar condutas médicas". Posteriormente, ao programa 'Mengão 11Meia', o dirigente criticou a postura de Ederson.

— É de uma irresponsabilidade ficar manchando a imagem do Flamengo. Jogadores não tem capacidade de dizer se foi um erro médico. Quem tem é a Justiça e perítos médicos. O trabalho dos médicos tem um risco. Cirurgia, que não é plástica. Cirurgia de coração, a pessoa pode vir a morrer na operação. Existem fatalidades na vida. Me parece muito cômodo culpar alguém por uma fatalidade — afirmou Dunshee.

A reclamação de Ederson é anterior ao lance da partida entre Flamengo e Corinthians, em São Paulo, onde Fagner acerta um carrinho no então atleta rubro-negro. Na época, José Luiz Runco realizou a cirurgia. Procurado, ele afirmou que "já existiam outros problemas" anteriormente.

O GLOBO procurou Ederson para maiores esclarecimentos e a reportagem será atualizado assim que tiver as respostas.