Editor do livro de memórias de Woody Allen na França quer manter publicação

RIO - O editor do livro de memórias de Woody Allen na França quer manter o lançamento no país, apesar da repercussão negativa nos Estados Unidos. Na semana passada, o grupo editorial Hachette desistiu de publicar "A propos of nothing" nos EUA após protestos de funcionários e dos filhos de Allen.

Diretor da Stock, editora francesa que também pertence à Hachette, Manuel Carcassonne afirmou à revista "Le Point" que quer seguir com o lançamento na França "pois a situação americana não é a nossa".

"Não posso comentar a decisão de um colega e amigo que dirige o grupo americano e que provou mais de uma vez seu talento e coragem. A situação americana não é a nossa. (...) É triste que essa decisão tenha sido tomada, é triste pela liberdade de expressão, mas é perfeitamente compreensível dentro do contexto americano", comentou.

Carcassonne disse ainda não ter certeza se poderá manter a publicação, mas que fará "tudo para isso". Segundo ele, a decisão final de lançar a obra mesmo diante dos protestos e da decisão da Hachette nos Estados Unidos será de Woody Allen.

Em 1992, Allen foi acusado de ter molestado uma de suas filhas, Dylan Farrow, quando ela tinha sete anos. O caso foi arquivado na época, mas voltou à tona com a mudança de clima na indústria do entretenimento. Outro filho de Allen com Mia Farrow, Ronan Farrow, é autor de uma série de reportagens do movimento #MeToo.

Na entrevista, o editor ainda disse que "A França não é o lugar das querelas familiares entre Woody Allen e sua ex-mulher Mia Farrow, nem com Ronan Farrow".

"O público francês decidirá, como decidiu antes que queria ver o último filme de Woody Allen, que não pode sair nos Estados Unidos. (...) Meu amigo Jean-Claude Fasquelle dizia: 'deve-se morrer por um texto'. Eu não espero chegar a tanto, mas eu concordo plenamente. Qual seja o espírito do tempo, é preciso resistir".