Editora lança Kit Gay e envia para Damares Alves: 'Hora de começarmos um diálogo'

Higor Dorta
Kit Gay – Divulgação
Kit Gay – Divulgação

Visando educar seus leitores e levantar um diálogo sobre a diversidade, o selo Galera, da editora Record, acaba de lançar seu Kit Gay. E a ministra dos Direitos Humanos e das Mulheres, Damares Alves foi uma das primeiras a receber.

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“Esse kit é um convite ao debate e, sobretudo, para um diálogo sobre a necessidade de haver uma literatura que represente o jovem homossexual, tão oprimido e atacado em nossa sociedade“, diz Rafaella Machado, editora do selo Galera e idealizadora do projeto.

Trata-se de uma coleção com três livros com a temática LGBTQ– “Dois Garotos Se Beijando”, de David Levithan, “George”, de Alex Gino, e “Você Tem a Vida Inteira”, do brasileiro Lucas Rochacom –, que já pertenciam ao catálogo da editora, mas lançados juntos com o intuito de combater o preconceito.

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Rafaella conta que a ideia surgiu durante um almoço com a equipe de marketing, na qual dissertaram sobre as tão propagadas fake news a respeito do suposto ‘Kit Gay.’ “Aí surgiu a ideia de criar um ‘Kit Gay do bem’, que reunisse algumas das joias que temos no nosso catálogo e que tratam com muita sensibilidade sobre homossexualidade”.

Kit Gay – Divulgação
Kit Gay – Divulgação

Aguardando a opinião de Damares

Para levantar um diálogo construtivo e mostrar que os livros imprimem bem a temática LGBT, a editora enviou um exemplar do kit para a ministra Damares Alves. “Ainda não obtivemos uma resposta da ministra, mas esperamos que ela se manifeste em breve”, torce Rafaella.

Para ela, os livros são grandes aliados no que diz respeito a dar voz e representatividade às minorias. “As histórias e livros que trazemos para o mercado brasileiro têm como intuito diversificar e informar os jovens, especialmente nesse momento conservador e intolerante. Mostrando que a diversidade existe, que não há nada de errado em ser gay, lésbica ou trans e que existem personagens para esses jovens se identificarem. O Brasil é o país que mais mata gays, lésbicas e transgêneros, e boa parte dessa estatística é fruto da ignorância. Os livros são ferramentas poderosíssimas contra a intolerância”.

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Em uma sociedade que se mostra cada vez mais conservadora, era de se esperar que muita gente não reagisse bem ao lançamento, distorcendo seu conteúdo assim como fizeram na época da eleição.

Mas Rafaella diz que as reações negativas foram menores do que o esperado. “Esperava mais indignação do que tivemos, por isso resolvi mandar para a ministra e, com isso, quem sabe começar um diálogo. Mesmo que ataquem nossa iniciativa, mais pessoas ficarão sabendo da existência do kit e todos aqueles que são contra os valores da intolerância vão querer comprar e espalhar a mensagem dos nossos autores”.