Edmar Santos fica calado em tribunal que julga impeachment de Wilson Witzel, que será ouvido no dia 28

André Coelho e Luiz Ernesto Magalhães
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Tensão, discussão, choro e silêncio. A sessão de depoimentos do Tribunal Especial Misto, que julga o pedido de impeachment de Wilson Witzel, durou toda a quinta-feira, 17, mas sem que novos fatos fossem revelados no processo contra o governador afastado — cujo depoimento será ouvido no dia 28 de dezembro. A maioria dos ouvidos se recusaram a responder à maioria das perguntas, alegando que são réus em processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Um dos depoimentos mais aguardados, o ex-secretário de Saúde Edmar Santos, que revelou fraudes no estado ao fazer a delação premiada, preferiu ficar calado desta vez.

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Edmar recorreu, sem sucesso, ao STJ para não falar à comissão mista do processo de impeachment contra Witzel, mas o ministro Benedito Gonçalves, que cuida do processo da Operação Favorito, negou o recurso. Ele, no entanto, foi autorizado a não falar sobre os termos da delação premiada que fez sobre o caso, por ainda estar em sigilo de Justiça.

Amparado pela decisão, Edmar se recusou a responder a quase todos os questionamentos sobre o caso durante a sessão desta quinta-feira, 17, assim como fez Pastor Everaldo, líder do PSC.

— Com todo respeito a esse tribunal, não tenho a intenção de entrar mudo e sair calado, mas não posso falar sobre fatos relacionados ao que está em sigilo no STJ — limitou-se a dizer Edmar Santos.

Preso desde o dia 28 de agosto, o presidente do PSC, Pastor Everaldo, prestou depoimento por videoconferência e não respondeu à boa parte das perguntas, pedindo “misericórdia” e “clemência”, o que gerou irritação nos integrantes do tribunal. Ele foi a terceira testemunha a ser ouvida pelo Tribunal Especial Misto e se recusou a responder questionamentos, alegando já ser alvo de inquérito no STJ pelos mesmos fatos apurados:

— Não estou em condições de prestar nenhum depoimento neste processo. Isso se deve ao fato de eu ser réu perante o STJ pelos mesmos fatos que são apurados no processo de impeachment, e meu foco é me defender naquela corte. Estou preso há precisamente 112 dias, a meu ver indevidamente.

Pastor Everaldo chegou a chorar ao falar de seu filho, internado com Covid-19:

— Mais uma vez pedindo misericórdia, perdão, clemência, eu não tenho como falar.

Listada como testemunha, a primeira-dama Helena Witzel acabou liberada com base no Código de Processo Penal que dispensa o testemunho de parentes diretos dos acusados.

Ex-aliado agora se diz inimigo

Apontado como braço direito de Witzel, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Lucas Tristão, que também está preso, negou saber de qualquer irregularidade. Mas, ao ser perguntado se era amigo ou inimigo do governador afastado, respondeu:

— Hoje eu me considero inimigo.

O empresário Mário Peixoto, preso sob a acusação de ser um dos chefes do esquema de desvios no governo, afirmou não ser ele o “Mário” citado em uma escuta telefônica:

— Na gravação há referência a Mario. Mas que Mario? Nunca nas trasncrições desses diálogos falam de Mario Peixoto. Não há qualquer papel ou interceptação que prove meu envolvimento.

Apontado pela defesa do governador afastado como responsável pelas irregularidades em contratos firmados durante a pandemia ao lado de Edmar Santos, Gabriell Neves disse que todos os documentos passaram pelo gabinete de crise criado no dia 13 de março, do qual Witzel e 13 secretários faziam parte.

Também em depoimento, ontem, o atual secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, disse que encontrou uma pasta aparelhada e desestruturada e que, na opinião dele, Witzel tinha conhecimento das irregularidades cometidas na área.