Eduado Paes prometeu 'restrições firmes' desde o início do mandato; confira frases do prefeito sobre a Covid-19

O Globo
·6 minuto de leitura

RIO — Ao anunciar nesta sexta-feira que na próxima semana pode endurecer ainda mais as medidas restritivas por conta da pandemia de Covid-19, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), remonta declarações que tem feito desde o início do mandato. Ainda durante a divulgação do primeiro boletim epidemiológico do município, no dia 8 de janeiro, ele afirmou que adotaria "restrições bastante firmes", caso regiões administrativas apresentassem risco muito alto para a doença. Na época, 80 pessoas estavam na fila de UTIs, 90% delas ocupadas na rede SUS da capital. Atualmente essa taxa está em 95%. Há 679 pacientes internados com a doença. O maior número desde o início da pandemia.

Nova sregras: Decreto de Paes proíbe banho de mar, suspende vagas rotativas na orla e dificulta acesso ao Rio no fim de semana

8 de janeiro

— A gente quer respeitar o direito dos indivíduos . Se as pessoas não se comportarem de forma adequada, e a última coisa que eu quero é me meter na vida dos indivíduos, mas ao mesmo tempo nós temos que defender os interesses da coletividade. Se tiver uma situação em que vá numa Região Administrativa de nível muito alto, você tem sim a possibilidade de fechar determinados comércios — disse Paes, antes de destacar a possibilidade de endurecimento das medidas.

15 de janeiro

Dois dias após publicar decreto com regras a serem seguidas para evitar contágio, Paes disse que a primeira semana de vigência seria voltada para a informação, embora pudessem haver ações para punir descumprimentos.

— Buscamos nesses primeiros 15 dias de governo deixar claras as regras que não pareciam muito claras. Havia decretos do governador e do prefeito que, na prática, no fim do ano, não tinha regra nenhuma. Um liberou geral com todos fazendo o que queriam.

Na ocasião, também havia expectativa para o início da vacinação:

— A prefeitura vai aplicar a vacina que o Ministério da Saúde disponibilizar. Reitero meu apelo que é uma vergonha não ter empatia e respeito ao próximo. Não estamos fazendo lockdown e sim fazendo regras necessárias para esse momento — disse Paes.

22 de janeiro

O prefeito classificou como 'burrice' desrespeitar regras. O terceiro boletim epidemiológico da cidade apresentava todas as regiões do Rio com risco alto para a Covid.

— Para vocês que acham que vão ficar na balada, nas festas, deixem de ser burros. Vocês estão matando as pessoas. Ninguém é proibido de frequentar espaço público, mas tem que ter consciência — e completou:— Ninguém está proibido de frequentar comércio, restaurante, bares. Mas tem que respeitar as regras. Sair disso é falta de consciência, burrice. É falta de compaixão, de empatia. Não é possível que as pessoas tenham esse tipo de atitude.

29 de janeiro

Paes previa um quadro melhor da pandemia em abril, após expectativa de vacinação contra o novo coronavírus em todos os idosos da cidade até o fim de março. Pela falta de doses, o planejamento não se concretizou.

— Vamos avançar (a vacinação contra Covid-19) em março para o público entre 60 e 80 anos. Sei que tem muita gente angustiada em casa, que quer ser vacinada, mas falta muito pouco. Quem sabe no fim de março, caminhando bem o fluxo, já teremos toda a população acima de 60 anos vacinada. E aí teremos abril com mais normalidade. Não dá para dizer que será mês da redenção e glória, porque o vírus é traiçoeiro, estamos vendo novas cepas. Mas poderemos, em 60 dias, viver situação de muito mais normalidade, mais tranquilidade, voltar a nos abraçar, nos encontrar. Olha que coisa incrível, poder dizer isso hoje.

5 de fevereiro

Com o Carnaval cancelado, o prefeito pretendia reforçar a fiscalização de festas clandestinas na cidade e chamou de "otários" aqueles que insistiam em participar de aglomerações.

— Nós fazemos mais uma vez o apelo. Desculpe o termo, mas não sejam otários de dar dinheiro para quem não vai entregar o produto que está vendendo. Vamos fiscalizar. Não comprem ingressos. Vocês têm possibilidade enorme de perder o dinheiro. Estamos monitorando as redes sociais e os sites conhecidos por vender ingressos. É um esforço. Todos estamos tristes de não pular o Carnaval. Eu pessoalmente — ressaltou Paes.

12 de fevereiro

Já enfrentando falta de doses na cidade, Paes defendeu isolamento e fez apelo para que cariocas ficassem em casa durante feriado.

— Infelizmente ainda não está na hora de afrouxar. As razões de cancelamento do Carnaval têm o único objetivo de preservar vidas. Dói não celebrar, mas a causa é nobre. Não pode ter bloco, não pode ter festa. Temos uma quantidade enormes de convites sendo feitos para festas que estamos notificando. Faço apelo para que não comprem ingresso.

19 de fevereiro

Paes criticou o comportamento de moradores de áreas mais nobres do município em meio à pandemia de Covid-19 e classificou o BRT como "porcaria".

— Reparem que são as áreas mais ricas da cidade é que estão com risco alto. Esse quadro é uma demonstração de que há setores da nossa cidade agindo com enorme irresponsabilidade. O sujeito que pega a porcaria do BRT lotado do jeito que tá, o trem, tá em risco moderado. Caso todas as pessoas saudáveis do Rio, que vivem nas áreas nobres da cidade, continuem agindo como se a vida fosse uma festa, depois vão infectar alguém com comorbidade em casa. Não é admissível que nas áreas mais nobres a gente continue com essa irresponsabilidade — disse o prefeito.

26 de fevereiro

Casos de variante do coronavírus fizeram a cidade do Rio se manter em risco alto para Covid-19.

— O comitê científico se reuniu, o Daniel (Soranz, secretário municipal de Saúde) fez um relato do que se passava, então é óbvio que a gente não pode afrouxar, a gente não pode se tranquilizar. Nesse momento, os dados são positivos, diminuiram óbitos, internações, isso tudo está caminhando muito bem. Não quer dizer que amanhã não possa piorar.

01 de março

Após reunião com comitê científico da Covid-19 Paes disse que os especialistas não viram "qualquer necessidade de ampliação das medidas de restrição".

— Eu nunca descartei lockdown nenhum. O que a gente tem que é trabalhar com a ciência. Os números do Rio são baixos e não há uma pressão sobre a rede pública. Temos uma diminuição de casos, de internações e de óbitos. Enquanto perdurar esse caso, é o que a ciência mandar, vamos fazer. Hoje mesmo vou conversar com o Comitê Científico porque estou preocupado com o aumento dos casos em outros estados e cidades, e não descarto medida nenhuma.

03 de março

Um dia após a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgar nota técnica na qual apontava o agravamento da pandemia de Covid-19 em 19 unidades da federação — entre elas o Rio de Janeiro, que tinha 88% de taxas de ocupação de leitos de UTIs, Eduardo Paes (DEM) afirmou, que Paes disse que estava preocupado com a situação de estados e municípios vizinhos e que "não quer ser pego de surpresa".

— Estou acompanhando de perto (o agravamento no município). Não vou esperar a situação para agir. O que vejo é que a situação está complicada em outros locais e isso me assusta — declarou.

19 de março

Eduardo Paes, fez um apelo à população carioca, pouco depois de publicar decreto que fecha as praias da cidade, entre outras medidas para conter a disseminação da Covid-19. Afirmou não ser negacionista e que, desde janeiro, vem recebendo pedidos para decretar um lockdown, que ainda não é necessário, de acordo com a avaliação que faz.

— Mas neste momento precisamos da ajuda da população. Apelo para que, se possível, fiquem em casa. A situação é grave. Ou nós temos consciência da situação em que vivemos, ou vamos viver uma situação inadministrável nos próximos dias. Nao é uma questão da vontade do prefeito.