Herdeiro de Barrichello, Eduardo vive bom momento no automobilismo europeu e sonha com Fórmula 1

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Eduardo Barrichello (Foto: Arden Motorsport)
Eduardo Barrichello (Foto: Arden Motorsport)

Por Guilherme Faber (@faber_gui) e Matheus Brum (@matheustbrum)

O piloto Dudu Barrichello, de 20 anos, está presente na quarta edição da Fórmula Regional Europeia by Alpine (FRECA) e até o momento competiu nos circuitos italianos de Monza e Ímola. O seu próximo compromisso será no autódromo de Monte Carlo, em Monaco, entre os dias 28 e 29 de maio.

Dudu encarou Monza com pista seca, molhada, bandeiras amarelas, a novidade do sistema de ultrapassagem push to pass, terminou a primeira prova em 26° lugar e a segunda na 20ª posição. Já em Ímola abandonou a primeira prova após colisão, vivenciou mudanças climáticas no segundo grid, constantes entradas do safety car (carro de segurança) e finalizou sua participação como 18º colocado.

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“Foram duas etapas muito complicadas, mas que todo mundo passa por esses finais de semana. O carro está muito bom e acho me adaptei bem. Realmente a gente só precisa encaixar tudo e conseguir classificar lá para cima. Porque lá na categoria a classificação decide a corrida e é um carro muito difícil de ultrapassar. São 37 carros. Evoluí muito, e a equipe também. Acredito que daqui é só para frente”, disse Dudu em entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes.

Mesmo totalmente adaptado ao calendário europeu, 2022 significa novidade para Dudu Barrichello, que conduzia o carro da JD Motorsports, mas a equipe anunciou sua desistência e foi substituída pela Trident.

A partir daí Dudu passou ser a integrante da Arden Motorsport junto com o apoio da Toyota Gazoo Racing e XP Investimentos, demonstrou confiança com seu novo time, novo veículo e revelou uma sinergia que ocorre dentro dos bastidores.

"Me sentindo muito bem preparado mentalmente e fisicamente, além de muito mais experiente do que na temporada passada. Muito feliz também com o que tem acontecido dentro da equipe, o desenvolvimento do carro e do entrosamento com meus companheiros de time. Estamos fazendo um trabalho muito positivo juntos”, completou.

No total, FRECA é composta por dez rodadas e o seu encerramento está previsto para as datas de 22 e 23 de outubro, no Mugello Circuit, Scarperia e San Piero, na Itália. Todas as etapas são transmitidas no canal oficial do YouTube da categoria.

É o tipo de competição que ficou reconhecida pelo êxito de brasileiros até aqui. Igor Fraga atingiu o terceiro lugar em 2020, e Enzo Fittipaldi alcançou o segundo lugar no ano de 2019. Caio Collet e Gabriel Bortoleto também são nomes conhecidos do campeonato.

Dudu ainda detalhou para a reportagem do Yahoo Esportes a relação com o seu pai dentro e fora do mundo da profissão, personalidade, planos e atual cenário do automobilismo nacional. Confira abaixo:

Yahoo Esportes: Seu pai é um dos pilotos mais longevos da F1. Ter o sobrenome Barrichello ajuda ou aumenta pressão?

Dudu Barrichello: Eu acho que tem o lado bom e o ruim. O lado bom são as oportunidades que ganho de ter esse nome. O lado ruim acredito que seja o pessoal estar sempre olhando e sendo cobrado [por ser] tão bom quanto o meu pai foi. É muito difícil porque as pessoas geram muitas expectativas em cima de nós, lógico que cada um tem o seu dia bom, o ruim, de vez em quando é difícil, mas serve como uma força, mesmo.

Como é a relação com seu pai fora e dentro das pistas?

A nossa relação é muito próxima, não só o meu pai, mas com o meu irmão, Fernando Barrichello, também. Nós tentamos não conversar muito sobre automobilismo, mas é muito difícil. A gente está sempre falando de automobilismo, que seja no simulador, ou na vida real, vendo corridas velhas não só do meu pai, mas como as nossas também. Histórias, risadas e muita diversão. O meu pai vai fazer 50 anos, mas é como se ele tivesse a nossa idade ainda. A gente consegue ser amigo, conversar qualquer coisa com ele e dentro de casa é o melhor clima possível.

Para quem não te conhece, conte mais sobre quem é Eduardo Barrichello. F1 é o seu sonho?

Sou um cara bem tranquilo e na minha. Eu gosto de estar junto com os meus amigos, sou bem caseiro, gosto muito de andar no simulador e sou apaixonado por automobilismo. Toda hora que posso estou junto com os meus melhores amigos, que são pilotos. Eu vivo isso, é o meu estilo de vida e corre na minha veia. Fórmula 1 é um sonho para mim, mas distante no momento. Praticar a F1 hoje em dia precisa de um apoio financeiro fora do mundo e isso hoje é difícil. Acho que não basta ter o maior talento do mundo, não que seja o meu caso, mas que é muito difícil para qualquer um. Muitas poucas pessoas entram na F1, mas esse é o meu sonho e um dia quero estar. Se eu puder ser um piloto profissional, viver disso, criar uma carreira e uma vida no automobilismo já estarei feliz demais.

Seu pai é conhecido por ser o piloto que entende muito a parte mecânica, de ajudar os engenheiros e funcionários para encontrarem o equilíbrio do carro. Você segue nessa toada ou define-se com perfil oposto?

Eu acho que não tenho um estilo agressivo, conheço bem de setup e a minha guiada. Então autoconhecimento é muito bom no automobilismo. Sei bastante do jeito que gosto de guiar o meu carro, lógico que com o tempo você vai aprendendo a fazer isso e acredito ser bom nisso.

Há anos não há piloto brasileiro na F-1 e muitos dizem que faltam patrocinadores. É isso ou passamos por um problema geracional? Fale mais também sobre o atual cenário do automobilismo brasileiro.

Acredito que piloto não falta porque temos muito pilotos bons. F4 brasileira é um baita exemplo e muitos deles têm potencial para F1. Acontece que é muito difícil e precisa de apoio financeiro muito grande. [Cenário automobilismo brasileiro] Vem evoluindo. F4 brasileira é um passo a frente. Lógico que muitos pilotos chegam à Stock Car, que é uma categoria gigante, já tive a experiência de correr lá e sei como especial realmente é. F4 brasileira é um passo muito bom para o kartista, que sai graduado teoricamente da júnior e vem correr de F4. Têm umas pistas muito legais, um grid super competitivo, equipes muito profissionais. Então é uma oportunidade para todos os pilotos para quem sabe um dia ir para Europa e tentar uma carreira por lá.

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