Eduardo Bolsonaro declara apoio a Fittipaldi em eleição ao Senado da Itália

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 10/11/2018 - Ex-piloto Emerson Fittipaldi em evento para comemorar o pentacampeonato de Lewis Hamilton. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 10/11/2018 - Ex-piloto Emerson Fittipaldi em evento para comemorar o pentacampeonato de Lewis Hamilton. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado federal brasileiro Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou apoio à candidatura do ex-piloto Emerson Fittipaldi ao Senado da Itália, em um vídeo publicado no Instagram nesta quinta-feira (25). O registro foi divulgado por Luis Roberto Lorenzato, que concorre à reeleição ao cargo de deputado no Parlamento.

A legislação do país europeu dedica três vagas do Congresso a italianos que moram na América do Sul -um senador e dois deputados. Em geral, os favoritos são da comunidade ítalo-argentina.

O próximo pleito foi antecipado para o próximo dia 25 de setembro, depois da dissolução do Parlamento provocada pela renúncia do premiê Mario Draghi. No Brasil, as cédulas eleitorais preenchidas precisam ser enviadas aos consulados até o dia 22.

"Recomendo para senador Emerson Fittipaldi, tricampeão de Fórmula 1 [ele é bicampeão da categoria], uma pessoa conhecida no Brasil inteiro, e para deputado federal, para dar continuidade a esse trabalho de conexão entre a Itália e Brasil, meu amigo Roberto Lorenzato", diz o filho do presidente Jair Bolsonaro (PL) na gravação.

Fittipaldi, 76, se lançou candidato pelo partido de ultradireita Irmãos da Itália, favorito a liderar as eleições gerais e a nomear o novo premiê. A legenda tem hoje 24% das intenções de voto, segundo o agregador de pesquisas do site Politico. Caso a vitória seja consolidada, a indicada ao cargo de primeira-ministra deve ser Giorgia Meloni, defensora de bandeiras conservadoras e autodenominada "mulher, mãe e cristã".

Com alguma ligação a símbolos e teses associadas ao fascismo, o Irmãos da Itália lideraria, em caso de vitória, o primeiro governo de ultradireita na Europa Ocidental desde a Segunda Guerra.

Em entrevista à Veja na semana passada, o ex-piloto disse que, se eleito, seu objetivo será "mudar a imagem de fascista que [Jair] Bolsonaro tem na Europa''. "Preciso contar para as pessoas que o Brasil é um país livre, que ele [o presidente] nunca acabou com a democracia", acrescentou.

A Folha de S.Paulo procurou o ex-piloto e Roberto Lorenzato, mas não conseguiu contato.

As principais propostas de Fittipaldi -que nasceu no Brasil mas tem pai italiano e um filho morando lá, o piloto Emmo Jr.- têm relação sobretudo com o elo entre Brasil e Itália. Ele defende, por exemplo, o direito de sangue da cidadania italiana, chamado de "jus sanguini", hoje contestado por políticos identificados com a esquerda, que pressionam pelo "jus soli", ou direito do solo (quando a nacionalidade é atribuída ao local de nascimento).

Fittipaldi também quer acelerar o processo de reconhecimento automático dos diplomas de ítalo-brasileiros e sul-americanos na Itália, estabelecer um acordo de reciprocidade para categorias como advogados e jornalistas e criar uma universidade internacional. "Já pus no papel várias propostas, e todas elas visam a promover ações relacionadas aos brasileiros que têm fortes laços com as terras, a cultura e o esporte italianos", disse, a Il Giornale.

Além dos ítalo-argentinos, o ex-piloto terá como concorrente o ex-ministro, secretário, vereador paulistano e embaixador Andrea Matarazzo. O político, que se lançou pelo Partido Socialista, criticou Meloni em entrevista recente à Folha.

Descendentes de italianos podem votar ou se candidatar desde que tenham a cidadania, reconhecida independentemente da geração.