Eduardo Bolsonaro diz que aval do governo dos EUA para sua indicação é 'motivo de orgulho'

RICARDO DELLA COLETTA
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 03.07.2019: O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) durante reunião da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, em Brasília. (Foto: Charles Sholl/Brazil Photo Press/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou nesta sexta-feira (9) que o aval dado pelo governo dos Estados Unidos à sua indicação como embaixador do Brasil em Washington é "motivo de orgulho" e confirma "o apoio e a confiança já expressas de viva voz pelo presidente Donald Trump".

"Recebi com grande alegria a notícia da concessão, pelo governo norte-americano, do agrément para minha designação como Embaixador do Brasil nos Estados Unidos da América", disse Eduardo, em nota.

Na linguagem diplomática, agrément é como é chamada a consulta que o governo do Brasil fez aos EUA sobre se haveria algum obstáculo à designação do embaixador para o posto.   

"O sinal verde dos Estados Unidos da América, portanto, é motivo de orgulho para mim, ao confirmar o apoio e a confiança já expressas de viva voz pelo Presidente Donald Trump na minha capacidade de ser um representante do Brasil à altura do desafio de construir uma nova relação bilateral. Um sentido verdadeiramente estratégico, para assim aprofundar a cooperação e promover a segurança, a prosperidade e o bem-estar de brasileiros e norte-americanos", acrescentou o parlamentar.

Na semana passada, o presidente americano elogiou a indicação de Eduardo como embaixador em Washington e disse que não considerava o movimento nepotismo, como alegam opositores de Bolsonaro.

A nota foi publicada pouco depois de Eduardo se reunir com o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores), no Palácio do Itamaraty em Brasília. 

Filho do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo precisa ainda ser formalmente indicado pelo mandatário e confirmado pelo Senado para poder assumir a chefia da missão diplomática em Washington. 

O Itamaraty encaminhou a consulta formal ao Departamento de Estado dos EUA no final de julho. O retorno positivo foi encaminhado ao Brasil após cerca de duas semanas -um tempo considerado curto para os padrões do governo americano.

O agrément tradicionalmente é tratado de maneira sigilosa, para evitar constrangimentos caso o escolhido não agrade o país que vai recebê-lo. 

Bolsonaro, no entanto, quebrou o protocolo ao comentar publicamente sua intenção de designar Eduardo para a embaixada nos EUA antes mesmo de enviar a consulta à administração de Donald Trump. 

Nesta sexta, Eduardo Bolsonaro ressaltou ainda que caberá ao Senado dar a "palavra final" sobre sua indicação. 

"Meu sentimento, além de alegria e orgulho, é também de humildade. Caberá ao Senado Federal dar a palavra final e, se meu nome for aprovado, haverá um intenso e árduo trabalho a ser realizado. Tenho consciência de que meu êxito dependerá, sobretudo, da colaboração e do diálogo estreito com o legislativo, os diversos ministérios e as forças vivas da sociedade, notoriamente a comunidade brasileira nos Estados Unidos da América", concluiu o parlamentar na nota. 

Para ser confirmado embaixador, Eduardo precisa passar por uma sabatina na Comissão de Relações Exteriores e por duas votações, uma no colegiado (de caráter consultivo) e outra no plenário. 

Os articuladores da indicação do filho do presidente consideram que a tramitação no Senado não será fácil -tradicionalmente os senadores não criam obstáculos em votações dos chefes de missão diplomática, mas isso não deve se repetir no caso de Eduardo.

Vários integrantes da comissão já se declararam contrários à nomeação do deputado e até mesmo governistas consideram que, no colegiado, o placar hoje está apertado.