El Salvador, Arábia Saudita e Hungria: Eduardo Bolsonaro coleciona elogios a tríade autoritária

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Filho do presidente causou revolta ao exaltar golpe que destituiu Suprema Corte em El Salvador - Foto: Buda Mendes/Getty Images
Deputado gerourevolta ao exaltar golpe que destituiu Suprema Corte em El Salvador - Foto: Buda Mendes/Getty Images
  • Crítico de governos de esquerda por acenos a Venezuela, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) coleciona exaltações a regimes autoritários

  • Filho do presidente causou revolta ao exaltar golpe que destituiu Suprema Corte em El Salvador

  • Recentemente, assim como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ele celebrou vínculo com príncipe saudita acusado de estar envolvido em assassinato de jornalista

Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) causou, mais uma vez, revolta no mundo político ao celebrar o golpe que destituiu membros da Suprema Corte de El Salvador. O filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou as redes sociais para parabenizar o presidente Nayib Bukele pelo ato que foi visto como autoritário ao redor do planeta.

"Presidente de El Salvador, Nayib Buekele, tem maioria dos parlamentares em seu apoio. Agora, o Congresso destituiu todos os ministros da suprema corte por interferirem no Executivo, tudo constitucional. Juízes julgam casos, se quiserem ditar políticas que saiam às ruas para se elegerem", escreveu o parlamentar brasileiro.

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Bukele chamou o ato de destituir os ministros de "limpeza da casa". A ação, no entanto, foi vista como temerária pela sociedade civil local. 

"Condenamos categoricamente este golpe de Estado, avalizado pelo presidente Bukele e executado por deputados dos partidos Novas Ideias, Gana, PCN e PDC", todos aliados do governante, disseram em um comunicado 25 organizações da sociedade civil salvadorenha, entre elas sindicatos patronais.

Tanto Eduardo Bolsonaro, que já foi cotado para ser embaixador brasileiro nos EUA, como seu pai já criticaram reiteradamente os ex-presidentes Lula e Dilma Roussef (PT), por seus apoios a regimes como o de Nicolás Maduro, na Venezuela. No entanto, o deputado coleciona recentes exaltações a mandatários vistos como líderes autoritários por toda comunidade internacional.

Agradecimento ao presidente da Arábia Saudita

Bolsonaro e filho exaltam relação íntima com príncipe acusado de envolvimento no esquartejamento de jornalista - Foto: JACQUES WITT/AFP via Getty Images
Bolsonaro e filho exaltam relação íntima com príncipe acusado de envolvimento no esquartejamento de jornalista - Foto: JACQUES WITT/AFP via Getty Images

Em março deste ano, Eduardo Bolsonaro deixou a presidência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Em sua fala final, ele exaltou a relação do governo de seu pai com o príncipe Mohammad bin Salman.

O presidente da Arábia Saudita foi acusado, após investigação realizada pela inteligência dos Estados Unidos, de estar envolvido na morte do jornalista Jamal Khashoggi, colunista do The Washington Post. Khashoggi, que era crítico ao regime de bin Salman, foi assassinado no consulado saudita em Istambul, em outubro de 2018.

Em sua fala, Eduardo Bolsonaro celebrou a cooperação entre os países. O presidente Jair Bolsonaro também já foi criticado por publicado uma foto ao lado do presidente em uma de suas redes sociais. 

"Exemplo objetivo deste trabalho [da Comissão das Relações Exteriores] é o acordo com o fundo de investimento público, o PIF [da sigla em inglês para Fundo de Investimento Público] saudita para explorar oportunidades no Brasil de investimentos mutuamente benéficos em até 10 bilhões de dólares. Obrigado, príncipe Mohammad bin Salman", disse o deputado no evento.

Aceno a ditador húngaro

Governo de Viktor Orbán é visto como um dos mais autoritários e repressivos da Europa - Foto: AP Photo/Evan Vucci
Governo de Viktor Orbán é visto como um dos mais autoritários e repressivos da Europa - Foto: AP Photo/Evan Vucci

Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, está no seu terceiro mandato consecutivo a frente do país e é visto como um dos políticos mais autoritários da Europa, já que sua linha de atuação é calcada em ações conservadoras, nacionalistas e anti-imigração. 

Orbán também é conhecido por tentar minar a liberdade de imprensa e perseguir opositores. Ele já se utilizou de diferentes mecanismos — incluindo a criação de uma lei eleitoral que favorece seu próprio partido — para prosseguir no cargo. 

Ainda assim, o líder Húngaro, na contramão de toda a tendência global, foi saudado por Eduardo Bolsonaro, que chamou o país europeu de "referência em várias áreas". 

"Agradeço a deferência do chanceler da Hungria, Péter Szijjártó, e também o premiê Viktor Orbán que tão bem me receberam em minha visita pela Hungria, país que para mim é referência em várias áreas", disse o parlamentar em evento na Comissão das Relações Exteriores.