Fechamento do STF, Novo AI-5 e ruptura iminente: Eduardo Bolsonaro intensifica retórica autoritária

Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Jair Bolsonaro (sem partido), não poupou ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) depois da deflagração de mandados no contexto da investigação que apura uma indústria de fake news ligada a apoiadores do presidente.

Em uma transmissão ao vivo, na noite desta quarta-feira (27), Eduardo Bolsonaro afirmou que haverá uma “ruptura”.

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"Essa postura, eu até entendo quem tem uma postura mais moderada, vamos dizer, para não tentar chegar ao momento de ruptura, um momento de cisão ainda maior, um conflito ainda maior. Eu entendo essas pessoas que querem evitar esse momento de caos. Mas falando bem abertamente, opinião do Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opinião de 'se', mas de 'quando' isso vai ocorrer", afirmou o deputado.

Citando os ministros Alexandre de Moraes e Celso de Mello, Eduardo Bolsonaro antecipou “uma medida enérgica” que terá de ser tomada pelo seu pai.

"Quando chegar ao ponto em que o presidente não tiver mais saída e for necessária uma medida enérgica, ele é que será taxado como ditador".

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Sem detalhar ao que se referia, o deputado voltou a criticar a cobertura da imprensa, que noticiou amplamente os alvos do inquérito das fake news.

“A imprensa que aplaude as buscas no Terça Livre [Allan dos Santos, blogueiro bolsonarista] o faz por pensar que a censura só chegará aos conservadores. Ledo engano. Se não defendem a liberdade por princípios deveriam ao menos fazê-lo por interesse próprio. Se nem isso enxergam é porque merecem o futuro que se avizinha", alerta.

Novo AI-5

Em outubro do ano passado, Eduardo Bolsonaro sugeriu a criação de um “novo AI-5” (Ato Institucional Número 5). Em entrevista a jornalista Leda Nagle, o parlamentar aventou a possibilidade “caso a esquerda radicalize”.

A declaração do parlamentar foi dada no contexto da intensificação das manifestações populares contra o Sebastian Piñera, presidente chileno. Questionado se via a possibilidade de atos assim acontecerem por aqui, ele pregou o combate a “um inimigo interno”.

"Alguma resposta vai ter que ser dada. É uma guerra assimétrica, não é uma guerra em que você está vendo o seu oponente do outro lado e você tem que aniquilar, como acontece nas guerras militares. É um inimigo interno, de difícil identificação, aqui dentro do país. Espero que não chegue a esse ponto, mas a gente tem que ficar atento", afirmou.

Um cabo e um soldado

Em outubro de 2018, portanto, antes de Jair Bolsonaro tomar posse como presidente, Eduardo já intensificava o tom autoritário.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o agora deputado federal explicou qual seria, em sua visão, a solução caso o STF tentasse impedir a posse de seu pai, que tinha a candidatura alvo de denúncias.

"Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo", afirmou o deputado eleito para uma platéia de estudantes, em uma palestra antes do primeiro turno.

Ele ainda ironizou a função dos ministros da Corte, dizendo que não haveria grande repercussão caso um ministro do STF fosse preso.

"O que é o STF? Tira a poder da caneta da mão de um ministro do STF, o que ele é na rua. Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter manifestação popular a favor dos ministros do STF? Milhões na rua?"

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