Eduardo Campos critica políticas do governo de Dilma Rousseff

BRASÍLIA - Em clima de campanha pela candidatura própria à Presidência da República, o governador Eduardo Campos (PE), presidente nacional do PSB, criticou nesta sexta-feira, em seminário para os 443 prefeitos eleitos pelo partido, a política de desonerações promovida pelo governo federal, que tem impacto na receita de estados e municípios. Indiretamente, também fez críticas à falta de capacidade do Palácio do Planalto de promover um entendimento nacional sobre os royalties do petróleo. O presidenciável do PSB também defendeu um novo pacto federativo para a redistribuição de recursos, hoje concentrados na União.Embora Campos não admita abertamente suas pretensões eleitorais para 2014, e tenha dado essa orientação para o partido, a base do PSB não fala em outra coisa. O evento ocorreu em um ambiente de euforia pelo crescimento de 42% da legenda nas eleições municipais de outubro. O PSB foi o partido que conquistou o maior número de capitais - cinco.

Em sua palestra para os prefeitos, o governador disse que, diante da crise econômica internacional, o governo federal insistiu na política de desonerações, que teve efeito no primeiro momento ao estimular o crescimento econômico, mas não conseguiu repetir esse êxito agora. Ele defendeu não só compensação aos estados e municípios por essas renúncias fiscais, mas também criticou a forma como foram implementadas:

- Precisamos começar políticas de desoneração que não sejam só para um segmento ou outro, porque às vezes um segmento impacta mais num Brasil e não impacta em outro Brasil. Se vamos fazer desonerações tributárias que vão ser carregadas nas costas sobretudo do Brasil mais profundo, a gente precisa também desonerar para a economia dessa área. Se vamos fazer desonerações tributárias, vamos fazer também transversais, ou seja, para todos.

Nessa linha, ele propôs, por exemplo, baixar a carga tributária em 10%, "de maneira que a realidade do município de 10 mil habitantes lá no Norte vai ser impactada tanto quanto a realidade do ABC paulista". Ainda de acordo com o governador de Pernambuco, se é importante que desonere para a indústria automobilística, também é importante que se desonere para a pequena iniciativa, médias empresas e setor de serviços, por exemplo.

Ele disse ainda que o PSB precisa ajudar a presidente Dilma Roussef a tomar atitudes para que a economia brasileira tenha um crescimento maior. E que é hora de pensar no Brasil, e não em eleições:

- Estamos tendo um crescimento neste ano no Brasil menor do que os Estados Unidos da América, onde está o centro da crise - disse ele. - Não é hora de eleitoralizar o debate brasileiro, não é hora de inventar brigas que não existem nem disputas que não levam a nada. É hora de pensar no Brasil.

Campos defendeu que a União compensasse Rio e Espírito Santo pelas perdas com a mudança de regras na distribuição dos royalties do petróleo e disse que faltou pouco para um entendimento nacional. Para o governador, os estados produtores de petróleo não podem ser "chutados", mas Rio,

Espírito Santo e a União também não podem "chutar" os estados e municípios que estariam precisando de mais recursos:

- Tem que ter talento, saber entrar na pequena área e fazer gol. Não precisa bater em ninguém. Vamos entrar e fazer gol, sem machucar. Isso tudo em um ambiente em que está faltando pão. E quando está faltando pão, todo mundo briga e ninguém tem razão - disse o governador, que foi aplaudido pelos prefeitos.

Cauteloso, o governador não quer lançar seu nome a dois anos das eleições presidenciais sem ter certeza de sua viabilidade. Além da construção dessa candidatura depender do cenário em 2014, principalmente econômico, de alianças e de estrutura partidária, há o constrangimento de o PSB fazer parte do governo Dilma.

Indagado ontem sobre os planos do partido para 2014, ele deixou todas as portas abertas. Disse que a intenção é consolidar o crescimento do partido, mas que não há como cravar o que vai acontecer. Assertivamente, disse apenas que o PSB vai ajudar a presidente Dilma a enfrentar a crise econômica no ano que vem:

- Dizer exatamente o que vai acontecer em 2014, você pode perguntar à direção do PT, do PCdoB, do PDT, do PSDB, para todo mundo, que não vai conseguir dizer - tergiversou Campos. - Estamos na base da presidente Dilma, ajudamos a elegê-la, estamos ajudando ela a governar e vamos ajudá-la a ganhar o ano de 2013.

Sobre suas aspirações presidenciais, Campos tem dito a terceiros, em conversas reservadas, que não vai fazer uma aventura a essa altura do campeonato, mas que também não tem porque se excluir do processo. Ele tem dito que é muito cedo para uma definição e que não vai "atravessar o samba". Na palestra para os prefeitos, ao dar conselhos sobre administração municipal, deu o tom de sua própria estratégia:

- A ansiedade é inimiga do êxito.

Carregando...

Siga o Yahoo Notícias