Eduardo Leite aceita convite de deputados do PSDB para viajar o país como alternativa à Presidência

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O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), aceitou o convite de parlamentares da legenda para rodar o país e se colocar como alternativa à eleição para o Palácio do Planalto em 2022. Foi o segundo revés sofrido pelo governador João Doria (PSDB), que almeja ser candidato à Presidência, nesta quinta-feira. Mais cedo, os sete senadores tucanos assinaram uma nota a favor da prorrogação do mandato do atual presidente do partido, Bruno Araújo, por pelo menos mais um ano. Doria também desejava o posto.

Treze do 33 deputados da bancada tucana e um senador participaram de um almoço em Porto Alegre com Leite em que pediram ao governador para começar a viajar para outros estados para falar do projeto do partido para 2022 e mostrar as realizações de sua gestão no Rio Grande do Sul.

— Viemos fazer esse apelo para que ele possa se dedicar também ao Brasil — disse o deputado Pedro Cunha Lima (PB).

Indagado se aceita se colocar como pré-candidato, Leite evitou o termo e afirmou que o nome será decidido no futuro.

— Aceitarei a missão de levar essa experiência nas boas conversas que teremos Brasil afora. Tanto quanto desejo também ouvir nas diversas regiões as boas experiências. Para que possamos a partir daí, debater rumos para o Brasil — afirmou o governador.

Assim como havia feito em entrevista ao GLOBO publicada nesta quarta-feira, Leite não perdeu a oportunidade de alfinetar João Doria.

— A liderança do governador Doria é respeitada e a história que o PSDB tem em São Paulo também. Mas o que se está tratando aqui é da construção de um projeto nacional. O Brasil não se resume a São Paulo.

Em outro momento, deu indiretas sobre a forma como o governador paulista tenta impor as suas vontades ao partido.

— Não adianta querer mimetizar a prática política de quem hoje governa sendo autoritário, radical ou fazendo valer (as coisas) passando por cima de quem pensa diferente. Se queremos essa agenda de respeito, temos que exercer o respeito dentro do próprio partido.

Após o almoço, em entrevista à colunista Vera Magalhães, na rádio CBN, o governador gaúcho afirmou que o Brasil “precisa de alternativas, no plural”. Sobre Doria, declarou que há respeito mútuo entre os dois, mas reconheceu que não há “ideias idênticas” dentro do PSDB. Ele disse ainda na entrevista que o país precisa de uma política feita sem que se queira “destruir o outro”.

Aliado de Aécio Neves, o deputado federal Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que preside a sigla em seu estado, era um dos mais entusiasmados com Leite.

— Deixamos Porto Alegre felizes por saber que Leite quer se apresentar mais para o debate nacional. Ele é muito preparado, capaz e poderá aglutinar em torno de si outras forças de centro da política. Com isso, poderá viabilizar um novo protagonismo para o PSDB que deseja voltar a governar o Brasil — afirmou.