Eduardo Paes cita três sambas em discursos de posse para abordar a realidade do Rio

Regiane Jesus
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Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Cartão de visitas do povo carioca, o samba se fez presente em dose tripla nos discursos de posse de Eduardo Paes (DEM), um apaixonado confesso pelo carnaval que, no primeiro dia de 2021, usou o ritmo que é a cara do Rio para falar da realidade do município.

Pela manhã, finalizou o seu pronunciamento na Câmara dos Vereadores com os versos "Deixe de lado esse baixo astral, erga a cabeça e enfrente o mal", de Conselho, canção eternizada na voz de Almir Guineto.

À tarde, no Palácio da Cidade, citou "Moleque atrevido", de Jorge Aragão, "Quem foi que falou (...) Também somos linha de frente de toda essa história. Nós somos do tempo do samba. Sem grana, sem glória.Não se discute talento. Mas seu argumento, me faça o favor. Respeite quem pode chegar onde a gente chegou. E a gente chegou muito bem. Sem a desmerecer a ninguém. Enfrentando no peito um certo preconceitoe muito desdém (...)Respeite quem pode chegar onde a gente chegou

Paes encerrou a solenidade no Plácio da Cidade com "Renascer das cinzas", de Martinho da Vila. "Vamos renascer das cinzas, plantar de novo o arvoredo, bom calor nas mãos unidas na cabeça de um grande enredo. Ala de compositores mMandando o samba no terreiro. Cabrocha sambando, cuíca roncando, viola e pandeiro. No meio da quadra, pela madrugada um senhor partideiro. Sambar na avenidade azul e branco (interrompe a reprodução da letras para dizer que são as cores da cidade do Rio). É o nosso papel, mostrando pro povo que o berço do samba (alterou o final original da canção de Martinho "é em Vila Isabel" para dizer "e da cultura brasileira é o Rio de Janeiro").

O espírito sambista do carioca parece mesmo estar de volta, apesar da crise financeira, da dor pelas vidas perdidas para a Covid-19, dos desafios do combate à pandemia, do precário sistema de transporte e de tantas outras mazelas. Nada mais apropriado para uma "cidade maravilhosa, cheia de encantos mil", não é mesmo? Definitivamente, baixo astral não combina com o Rio.