Eduardo Paes desconversa sobre apoio de Bolsonaro no 2º turno e critica Crivella após votar: 'Destruiu nossa cidade'

David Barbosa
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Gabriel de Paiva/Agência O Globo
Gabriel de Paiva/Agência O Globo

RIO — O candidato Eduardo Paes (DEM) chegou para votar no Gávea Golf Club por volta das 10h30. Ele estava acompanhado da mulher, Cristine, e dos filhos, Isabela e Bernardo.

O ex-prefeito não quis comentar um possível apoio de Jair Bolsonaro no segundo turno, mas não poupou críticas ao atual prefeito, Marcelo Crivella, que tem o apoio do presidente.

Antes e depois de votar, Paes cumprimenrou eleitores à distância e posou para fotos fazendo com os dedos o "25", número de seu partido. Ao falar com a imprensa, desconversou sobre um eventual apoio do presidente Jair Bolsonaro no segundo turno.

— Essa eleição é uma eleição para discutir o Rio de Janeiro. Está muito claro que o Bolsonaro apoia o Crivella, o Lula apoia a Benedita, o Ciro apoia a Martha, a Marina apoia o Bandeira... E eu quero tratar do Rio. Nós temos que cuidar da cidade, tratar da cidade, falar dos temas do Rio, da população do Rio de Janeiro. Eu fico sempre atrás do voto de todo o mundo. Quero que todos os eleitores do Rio votem em mim.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, com 35% segundo o Ibope e 33% de acordo com o Datafolha, o ex-prefeito se disse otimista com os números, mas não quis cantar vitória antes do tempo.

– É óbvio que a pesquisa à beira da véspera da eleição aponta um sinal positivo. Vamos aguardar. A gente só vai falar de eventual segundo turno se houver segundo turno, se eu estiver no segundo turno – disse.

Paes não poupou críticas à gestão atual de Marcelo Crivella, candidato à reeleição pelo Republicanos. Por duas vezes, o democrata afirmou que a população "não pode mais arriscar" e acusou Crivella de "destruir a cidade".

– O Rio não pode mais arriscar, não pode mais errar. Infelizmente, a cidade escolheu um prefeito nos últimos anos que destruiu a nossa cidade, então a gente precisa ir com muita consciência para as urnas. Eu peço isso: que a população não arrisque mais, que a gente não permita que pessoas despreparadas ou farsantes governem a nossa cidade – disse o ex-prefeito.

Para Paes, os piores problemas do Rio hoje são a saúde, a mobilidade urbana e a educação:

— A saúde, é angustiante o que está acontecendo. As clínicas da família deixaram de funcionar, os hospitais muito precários. O BRT é uma demanda permanente. Destruíram o BRT. As pessoas estão tendo muita dificuldade na sua mobilidade. E tem uma angústia de todo pai e toda mãe com o futuro dos filhos. Um ano inteiro sem aulas. Nosso compromisso é para que esse ano não seja perdido, que seja recuperado no ano que vem.

Antes de votar, o candidato acompanhou Bernardo, seu filho de 16 anos, que votou pela primeira vez na escola municipal Lúcia Miguel Pereira, também em São Conrado. A família permaneceu por cerca de vinte minutos na escola, onde a movimentação de eleitores permaneceu tranquila durante toda a manhã, com filas curtas e nenhuma aglomeração. De lá, Paes seguiu para a seção eleitoral onde vota, no Gávea Golf Club.

Tanto no Ibope quanto no Datafolha, o candidato tem cerca de 40% dos votos válidos, o que indica ser pouco provável uma vitória em primeiro turno. Entretanto, o adversário do democrata no segundo turno permanece incerto.

No Datafolha, o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) tem 15% dos votos totais, ante 11% de Martha Rocha (PDT) e 9% de Benedita da Silva (PT). Como a margem de erro desta pesquisa é de dois pontos percentuais, Martha só empata com Crivella no limite da margem, hipótese pouco provável. Nos votos válidos, o republicano tem 18% e a pedetista, 13%.

Na pesquisa Ibope, Crivella tem 14% dos votos totais, contra 11% de Benedita e 9% de Martha, que caiu cinco pontos em relação à pesquisa anterior, divulgada na segunda-feira. A margem de erro é de três pontos. Nos votos válidos, o atual prefeito chega a 16%, ante 13% para Benedita e 11% para Martha. Nos cenários de segundo turno testados por Ibope e Datafolha, o candidato do DEM venceria todos os adversários.

Após votar, o candidato seguiu para casa, em São Conrado, onde passará o dia e acompanhará a apuração ao lado da família.