Eduardo Paes e Axel Grael anunciam novas medidas restritivas contra pandemia para Rio e Niterói; acompanhe a entrevista

Luiz Ernesto Magalhães
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RIO - Os prefeitos Eduardo Paes, do Rio, e Axel Grael, de Niterói, convocaram uma entrevista coletiva no Teatro Popular Oscar Niemeyer, em Niterói, para anunciar as decisões tomadas em conjunto para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus.

Acompanhe a entrevista:

- Nossas cidades não são ilhas, elas sofrem muitas consequências das ações e falta de ações das cidades vizinhas. Isso gera sobrecarga na nossa estrutura hospitalar - disse Grael, ao abrir a reunião.

Mais cedo, os comitês científicos do Rio e de Niterói haviam recomendado o fechamento total de todas as atividades não essenciais nas duas cidades para conter a pandemia do novo coronavírus, informou o telejornal RJTV. Paes e Grael se reuniram com especialistas para definir em conjunto novas medidas restritivas contra a Covid-19. Após a reunião, Paes postou no Twitter: "Aqui ninguém toma decisão de 'orelhada' ou por achismos". O clima na rede social continuou tenso nas horas seguintes. O prefeito do Rio voltou à carga contra o governador em exercício, Cláudio Castro, e postou: "CastroFolia! A micareta do governador! Definitivamente ele não entendeu nada do objetivo de certas medidas", em referência à adoção de novas medidas restritivas nas duas cidades.

Sem acordo com o estado

Na manhã de domingo, numa tensa reunião, Castro e Paes não fecharam acordo sobre a intensidade das restrições sanitárias necessárias para conter o avanço da Covid-19. Contrário a um lockdown, Castro combinou, no sábado, com representantes de vários setores econômicos que o estado terá um feriadão de 10 dias, entre 26 deste mês e o dia 4 de abril, Domingo de Páscoa. A medida, que precisa passar pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), exigirá a criação de três feriados extras, mas as atividades econômicas, em vez de serem suspensas, terão apenas capacidade reduzida de público e horários restritos.

Com um decreto já alinhavado com ações bem mais drásticas — além do feriado prolongado, originalmente pensado pela prefeitura, há a proposta de manter abertos apenas serviços essenciais —, Paes saiu do encontro irritado e disposto a se alinhar com Niterói. Paes disse ao GLOBO, neste domingo, que Castro "chegou com um pacote pronto, praticamente nos impedindo de ter uma visão distinta".

Nesta segunda-feira, ele e o prefeito Axel Grael se reuniram com os comitês científicos de seus municípios. No fim da tarde, os dois participaram de uma entrevista coletiva para divulgar um plano conjunto para esvaziar a circulação de pessoas nas duas cidades. Mas com um cenário de dificuldades no horizonte, já que o estado não aderiu à ideia mais próxima de um fechamento geral.

Conforme a colunista Berenice Seara, do blog Extra, Extra, Cláudio Castro tem uma reunião pelo aplicativo Zoom, às 18h desta segunda-feira (22), com o Ministério Público, a Defensoria, o Tribunal de Contas do Estado (TCE), a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Justiça, para tentar uma liminar que impeça o fechamento de bares e restaurantes.

Conversa com empresários

A situação de todo o estado é de alerta. Mas o Rio, pressionado por demandas que vêm da Região Metropolitana, sobretudo da Baixada Fluminense, onde algumas cidades têm poucas vagas de terapia intensiva, vive um momento crítico. Pelas redes sociais, Paes já sinalizou que a situação da rede SUS da capital, sobretudo das UTIs, o faz acreditar que a saída agora é endurecer as restrições, embora ele mesmo viesse se posicionando contrário a isso. Especialistas temem um colapso nas unidades municipais de Saúde.

Na sexta-feira, na primeira reunião que teve com Castro, ele propôs fechar bares e restaurantes, quiosques, academias de ginástica, salões de beleza, clubes e parques da cidade do Rio, entre outras medidas. Um caminho que também seria seguido por Niterói.

Mas, no sábado, Castro convocou uma reunião de emergência com empresários. Dela, saiu um acordo que poderia minimizar os efeitos prejudiciais à economia fluminense. Num vídeo, que gravou na saída do Palácio Laranjeiras, o presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Fábio Queiroz, disse que eles, empresários, assim como o governador em exercício são contra o lockdown e apoiam a opção de Castro que permite o funcionamento das atividades comerciais. Procurado, Cláudio Castro não se pronunciou sobre a reunião que teve com os empresários e sobre as conversas com Paes e o prefeito de Niterói, Axel Grael.

Falta coordenação

Para a epidemiologista Gulnar Azevedo, da Uerj, sem coordenação e sem atitudes drásticas, como fizeram alguns países quando a pandemia ficou descontrolada em seus territórios, nenhum plano será bem-sucedido.

— Nessa situação em que estamos, com dois mil casos novos por dia, não adianta tentar uma medida aqui, uma medida ali. O município pode fazer tudo certinho, que não tem futuro. Agora, só com medidas drásticas. É bom ficar claro que tudo isso é para salvar vidas. As medidas que não são tomadas hoje vão ter impacto nas internações e nos óbitos daqui a 15 dias — disse, acrescentando que não podem ser esquecidas políticas públicas de compensação, como auxílio emergencial para socorrer a população, e ações voltadas para o setor produtivo.

Ontem, no início da noite, o município do Rio tinha 93% de suas UTIs para Covid-19 ocupadas. Na semana passada, esse percentual variou sempre acima de 90%, mesmo com a abertura de novos leitos, inclusive privados. Na capital, 647 pessoas infectadas pelo coronavírus estavam internadas ontem em vagas para terapia intensiva, um novo recorde já que, no sábado, eram 640. À tarde, 91 pessoas esperavam na fila por uma vaga. No Estado do Rio, a taxa de ocupação das UTIs era de 86,8%, e das enfermarias, de 68,9%.