Eduardo Paes ganhou em 44 das 49 zonas eleitorais do Rio

Rafael Galdo
·2 minuto de leitura
Arquivo O Globo
Arquivo O Globo

No segundo turno do Rio, vão se confrontar os responsáveis pelos últimos 12 anos de administração da cidade. Com 100% das seções apuradas, o ex-prefeito Eduardo Paes confirmou o favoritismo, alcançando 37,01% dos votos válidos. Agora ele parte para o duelo direto com Marcelo Crivella (Republicanos), que na reta final da campanha assegurou a vaga para se manter na busca pela reeleição. Com a contagem próxima de ser encerrada, ele tinha 21,9%, deixando para trás as duas adversárias que vinham em seu encalço: Martha Rocha (PDT) e Benedita da Silva (PT), que terminaram praticamente empatadas, com 11,3% e 11,27%, respectivamente.

O resultado sela uma derrota da esquerda na capital fluminense. E deixa Paes em condições de vantagem no início da corrida para 29 de novembro. Ele venceu Crivella em 44 das 49 zonas eleitorais da cidade, com melhores desempenhos em bairros como os da 17ª ZE, que abrange Leblon, Gávea, Ipanema, Copacabana e Lagoa, onde foi o escolhido por 48,95% dos que votaram.

Já Crivella, em relação a 2016, perdeu terreno na Zona Oeste. Assim como quatro anos atrás, no entanto, a região deu a ele o fôlego que precisava para avançar. Eram dali quatro das cinco zonas em que ele ficou à frente de Paes. Da 238ª ZE, de Bangu, Senador Camará e Santíssimo, veio seu maior percentual de votos entre as que ele ganhou: 31,14%.

É uma área da cidade onde jogam cartas na política atores como as milícias, mas também lideranças evangélicas, tão caras à trajetória do republicano. Foi a região de planejamento de Santa Cruz, por exemplo, a primeira do Rio a ter a maior parte dos religiosos evangélicos, ainda na primeira metade desta década.

Foi justamente a aposta nesse eleitorado um dos motes da campanha de Crivella nas últimas semanas do primeiro turno, quando tentava driblar os altos índices de rejeição apontados nas pesquisas. Na disputa pelas alas mais conservadoras, ele passou a dar mais ênfase em sua ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus, criada por seu tio, Edir Macedo, e da qual é bispo licenciado — algo que ele evitou durante todo seu atual mandato. Além disso, tentou colar sua imagem à do presidente Jair Bolsonaro, tanto em declarações em suas agendas de rua quanto na propaganda da TV.

Enquanto isso, o caminho que a esquerda carioca trilhou para a derrota ontem inclui divergências para fechar posição em torno de um nome que embalasse as mesmas bases que, em 2016, levaram Marcelo Freixo (PSOL) ao segundo turno. A falta de acordo prevaleceu, inclusive, quando se discutia um eventual voto útil para tirar Crivella do páreo. Esse debate tinha ganhado força após Martha empatar nas pesquisas com o atual prefeito. Já o PSOL, que desta vez apostava em Renata Souza, terminou com 3,24% dos votos. Ela ficou atrás de Luiz Lima (PSL), que obteve 6,85%.