Eduardo Paes planeja mudanças no BRT e estabelece prazo de 90 dias

Rafael Nascimento de Souza
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Na terça-feira, após a retomada da operação do BRT no Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes informou que estabeleceu prazo máximo de 90 dias para negociar com o consórcio mudanças contratuais e operacionais do sistema. O retorno dos motoristas após uma segunda-feira de paralisação ocorreu horas após reunião entre empresários e a Prefeitura do Rio, em que Paes, deu um ultimato para os ônibus articulados voltarem a circular.

No dia em que o serviço foi normalizado, os velhos problemas enfrentados pelos passageiros começaram cedo nos corredores Transoeste, Transcarioca e Transolímpica. Havia superlotação em diversas estações e nos veículos do sistema. Na Estação do Mato Alto, em Barra da Guaratiba, Zona Oeste, os passageiros já se espremiam dentro dos ônibus, que partiam desde 5h com horários irregulares.

Um desses usuários que precisaram enfrentar fila para entrar no BRT era a empregada doméstica Eliete Maria de Jesus dos Santos, de 41 anos, que lembrou a tentativa frustrada de embarque no dia anterior para ir até o trabalho, no Recreio, após chegar à estação pouco depois de 5h. Foi um dia perdido.

— Eu não fui trabalhar (na segunda-feira). Fiquei aqui até umas 8h40 na estação, na expectativa de vir um ônibus, mas nada. Como não tinha R$ 17 para pagar um frescão nem R$ 10 para uma van, voltei para casa — conta.

Apesar de o BRT ter voltado a funcionar ontem, ela relatou muitas falhas no modal:

— É um absurdo o que está acontecendo, ônibus que quebram todos os dias, sem ar-condicionado, superlotação, estação quebrada e por aí vai. É lamentável.

A Guarda Municipal e a Polícia Militar reforçaram o patrulhamento na estação do Mato Alto. Diversos agentes atuaram ontem no local. Muitos passageiros chegavam sem saber se conseguiriam embarcar.

— Espero que sim. É tudo muito difícil, muito sofrimento — desabafou a empregada doméstica Erlane dos Santos, de 61 anos, que iria para a Barra da Tijuca.

Rotina de alto risco para passageiros

Para os passageiros, a superlotação é uma rotina que inclui o risco de contaminação por Covid. Mas a falta de transporte na segunda-feira pegou todos de surpresa e causou transtornos.

Os rodoviários alegam que pararam porque o consórcio ameaçava não pagar o salário de janeiro e impor redução de jornada. Mas Eduardo Paes disse que o movimento teve sinais de locaute, quando patrões de um setor se recusam a ceder aos trabalhadores os instrumentos para de trabalho, impedindo-os de exercer a atividade. A prática é ilegal no Brasil.

Mas motoristas negam envolvimento das empresas:

— A paralisação foi orquestrada pelos próprios motoristas, sendo assim, o sindicato só entrou em apoio à sua categoria. E, por meio de grupos de WhatsApp, decidimos pelo fim da mobilização — disse o motorista Ademir Francisco, que também é diretor do Sindicato dos Rodoviários.